sexta-feira, julho 28, 2006

A CORRENTE DO BEM (by Rê Michelotti)


O filme “a corrente do Bem” faz refletirmos sobre tudo que está acontecendo no mundo hoje. O que as pessoas estão fazendo com seus sentimentos e emoções neste mundo visívelmente doente. Doente pelo desafeto, desamor e indiferença.

Na luta diária por satisfazermos desde nossas necessidades mais básicas, até os sonhos mais supérfluos impostos pela mídia, corremos feito loucos na busca de tantas coisas materiais e esquecemos de nos perguntar se é isso que realmente desejamos, se esta é a nossa vontade ou vontade do marketing que aí está...

É necessário que encontremos o nosso verdadeiro “eu”, para que assim possamos descobrir os nossos verdadeiros desejos... aqueles que estão guardados no nosso íntimo mais profundo, quase que escondido de nós mesmos. Nem sempre conseguiremos nos descobrir sozinhos... talvez precisemos de uma ajuda, e em muitos momentos nem nos damos conta disso. Mas se deixarmos vir a tona os verdadeiros desejos, aí sim será possível começar a viver verdadeiramente, se não total, mas bem próximos do ideal de Felicidade...

Quando deixamos que a nossa vontade nos guie, temos vontade de mudar o mundo... e acreditamos nisso! Mas seria possível mudar o mundo ou isso é simples utopia?! Daí penso no que significa “Utopia”... vejo que para muitos ela serve como refúgio, como desculpa pra não ter que mudar nada, pra não agir e continuar como antes, mesmo que a situação não seja boa. Utopia é as vezes... desculpa para o Medo! E assim, nada se faz... continuamos numa situação confortável, porém cada vez mais distante dos nossos próprios sonhos.

Se pensarmos que somos ilimitados, havendo uma, mesmo que uma única “possibilidade” pra mudarmos alguma coisa nesse mundo... tudo começará a tomar um outro caminho, um outro sentido. Temos um poder bem aqui dentro da nossa cabeça, da nossa mente... e a partir dessa possibilidade, podemos tomar uma atitude positiva frente a esse cáos, que nós pobres mortais inconsequentes criamos... Então, inicia-se um ciclo de coisas novas e boas.

A corrente do bem, vem mais uma vez comprovar que com boa vontade e comprometimento, o pouco transforma-se num oceano de possibilidades... chegando a números impressionantes. O comprometimento de forma genorosa com as boas ações criadas na corrente do bem, a partir de uma simples idéia... me fazem acreditar que se cada um fizer a sua parte, o impossível não existe mesmo!!!

Não poderia deixar de falar de um dos personagens mais importantes de toda essa história: a figura insubstituível do professor. Aquele que através de seus conhecimentos e experiências motiva para além dos limites da escola... para além dos portões... para Vida! O verdadeiro professor - aquele que exerce sua função com orgulho e prazer – que tem o Dom de apontar “possibilidades”... despertando-nos o desejo pelo saber, fezendo-nos pensar sobre o que realmente somos capazes...Essa é a maior contribuição do professor para com o mundo... mostrar a seus alunos que se pode mudar as coisas, sim!! Mudar a nós mesmos... podemos mudar tudo se preciso... o mundo pode ser diferente, basta que a gente queira.... e através de seus alunos inicia-se a TRANSFORMAÇÃO!!!

SAÚDE MENTAL (by Rubem Alves)

Os textos aqui postados, eram para ser apenas os de minha autoria, mas tenho lido textos ótimos... que estão diretamente relacionados com o tema central do meu blog -"Spa de Idéias"... pois nos levam sempre a construção de novos pensamentos... então, vamos aproveitar mais este artigo que nos provoca, que nos desperta o pensamento.
Segue o artigo de Rubem Alves falando de como pensar pode ser perigoso... Boa leitura e não deixe de pensar jamais!!!

"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia.

Eu me explico.Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa,Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o que fez a ShirleyValentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos, podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer ainteração de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente equipamento"duro",e a outra denomina-se software, " equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades " espirituais" -símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que oprograma mais importante é a linguagem. Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também.

Quando o nosso hardware fica louco há quese chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se valede recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo,é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e secomover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não acomporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei noprincípio: a música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias. Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música . Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o rock pode ser tomado à vontade. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento.Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e carasdiferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais.

E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato. Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram."

segunda-feira, julho 24, 2006

FUGINDO DE CASA (by Rê Michelotti)



Há dias em que nos sentimos sufocados dentro de nosso própria casa, dentro de nós mesmos, e o que mais desejamos é fugir. Hoje tive um dia assim. Hoje, eu fugi!

Sufocada a quase uma semana por uma visita indesejada, hoje resolvi abandoná-la, fugindo para longe de casa... precisava de tempo e espaço para mim, sem a obrigação de fazer sala ou ter que falar sobre assuntos dos quais não tenho o menor interesse ou paciência para ouvir. Estava precisando de momentos agradáveis... pude dar um tempo para o corpo, para alma, e também ao meu exausto coração.

Minha fuga foi breve, nem por isso deixou de ser interessante ou prazerosa. O caminho que levava até meu suposto esconderijo, por si só, já valeu!!! Um percurso de cerca de noventa minutos guiados por músicas que gosto, me permitiram acalmar a mente, trazendo-me apenas bons pensamentos. Em meu esconderijo senti-me livre, senti-me leve... lá eu podia representar o meu melhor papel, aquele que me traz satisfação... lá pude ter meu espaço e me reencontrar novamente, trazendo um pouco mais de energia para suportar os dias que ainda restam.

Acredito que fugir não é a melhor maneira de resolver nossos problemas. Mas hoje percebi que quando fugimos e nos distanciamos deles, temos a chance de nos mantermos serenos para suportar ou liquidar toda a situação indesejada. Quero me dar o direito de fugir não apenas hoje, mas o de fugir sempre... sempre que eu me sentir assim tão angustiada, pois vou me revitalizar e voltar com outra disposição para encarar o que me fez fugir!!!

sábado, julho 22, 2006

O SILÊNCIO COMO RESPOSTA (by Rê Michelotti)

Para uma pessoa como eu, que necessita inevitavelmente das palavras para viver, o silêncio pode tornar-se uma verdadeira tortura. É claro que não é sempre, pois neste momento em que escrevo por exemplo, o silêncio é uma boa companhia que me possibilita organizar minhas idéias e expor o que sinto, até mesmo sobre ele.

O silêncio sempre me trouxe alguma inquietação, alguma angústia ou dor. Durante muito tempo, tive verdadeiro pavor de ficar só, pois o silêncio me deixava literalmente transtornada. Quando me via sozinha em casa, imediatamente achava algo para fazer longe dalí, mesmo que fosse apenas dar uma volta na rua e ouvir o ruído dos carros. Levei algum tempo para aprender a ficar só e enfrentar o silêncio, e agora posso dizer que aprendi a viver com ele, e até mesmo, o desejar muitas vezes. Mas para isso, foi necessário que eu enfretasse meu medo, parasse e ouvisse o que o silêncio tinha a revelar sobre mim.

Quando fazemos uma pergunta, escrevemos ou chamamos por alguém, queremos certamente uma resposta, se possível rápida. Se isso não for possível, tudo bem, mas a resposta cedo ou tarde deve chegar. No entanto, muitas vezes ela simplesmente não vem, permanecendo junto de nós apenas o silêncio. E é aí que as coisas se complicam. O silêncio dado como resposta, nos dá margem para muitas interpretações ou conclusões, e nem sempre somos suficientemente otimistas para "imaginar" o que ele quer nos dizer.

Todo questionamento merece uma resposta, mesmo aquele considerado de pouca importância, pois pra quem o fez, a resposta certamente o será. Para Susan Sontag, as únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as perguntas... e isso não se pode negar!!!

quinta-feira, julho 20, 2006

PRA QUE PENSAR?! (by Rê Michelotti)

Pensamos pelos mais variados motivos. E normalmente, não nos damos conta de que é apenas através dele que conseguiremos nos conhecer verdadeiramente... quando nos questionamos e vamos em busca dessas respostas, começamos inevitavelmente o processo de transformação, de transgressão, e então, conseguimos dar mais um passo, rumo a nossa infindável busca por nossa própria evolução!!!

Penso estar criando aqui no meu blog, um espaço, um momento de reflexão sobre tudo aquilo que ainda me traz algum questionamento.Quero com isso, buscar respostas não apenas pra mim, mas também estar ompartilhando minhas idéias com aqueles que se identificam com meus pensamentos e buscas interiores.

Espero que ao compartilhar meus pensamentos e trocar experiências com outras pessoas, eu também encontre um novo caminho, uma nova possibilidade para entender melhor/mais claramente os relacionamentos humanos, que todos os dias tanto me fazem pensar.