terça-feira, julho 29, 2008

QUESTÃO DE GOSTO, OU NÃO - PARTE I (by Rê Michelotti)


Existem coisas que gosto. Algumas nem tanto. Outras, entretanto, gosto muito, ou até mesmo demais.
Existem coisas que adoro. Outras que tenho paixão. E existem coisas mais do que especiais, que simplesmente AMO.
Gosto de dias ensolarados, pois esses dias nos fazem mais felizes pelo simples brilho do sol refletindo em nosso rosto.

Gosto do vento, pois sempre tenho a impressão que ele leva e traz "coisas": traz bons pensamentos e leva os não tão bons, por exemplo.

Gosto de Coca-cola, mesmo buscando uma vida mais natural...essa é uma química que não consigo deixar de gostar - chamaria de pequeno pecado! (risos).

Gosto de caminhar, sinto-me relaxada, leve e até consigo pôr alguns pensamentos em dia.

Gosto de casas com jardim, embora só me imagine morando na clausura de um apartamento - me sinto imune aos olhares alheios aqui.

Gosto do campo, mas não por mais do que dois ou três dias (no máximo). É um ambiente calmo demais para meu gosto.

Gosto de banho de rio... água transparente e tranquila, mas que de preferência eu possa ver o fundo com algumas pedras.

Gosto de andar de avião. Invenção fantástica do homem, que nos deixa, em pouco tempo, perto de quem está tão longe.

Gosto de aquário. Dos grandes, é claro. Embora alguns achem sem graça, acredito serem os peixes bons animais de estimação: lindos, limpos e pouco dão trabalho! (Adoro a parte do "limpo" - risos...)

Gosto de dormir quando já é dia. A noite pra mim é sempre mais "criativa", e as coisas sempre fluem bem... A noite nos traz um certo discernimento ou mesmo uma certa impulsividade que me atrai.

Não Gosto de pássaros em gaiolas, animais em jaulas. Toda vez que vou a algum zôo, fico com pena de ver todos aqueles bichos presos. Pra falar a verdade, não gosto de zôo - me sinto contribuindo para a prisão dos mesmos. Preferia que eles estivessem em seu habitat natural, salvo, é claro, em situações onde não é possível devolvê-los à natureza.

Não gosto de climas extremos: nem excessivamente frio, nem excessivamente quente. Aliás, o equilíbrio é sempre bem-vindo. Nada como um agradável dia de outono aqui no Brasil. Não cansamos como em dias quentes e nem ficamos tensos como em dias frios. (o frio contrai nossos músculos e sentimos uma certa fadiga quando permanecemos por muito tempo encolhidos pelo frio). Resumindo: extremos são desconfortáveis.

Não gosto de novelas, e olha que já fui fã de carteirinha, daquelas que não perdia um capítulo. Sinceramente hoje me dei conta que perdemos horas acompanhando a vida de pessoas estranhas, estranhos vivendo uma ficção. Novelas são apenas algumas horas de ilusão. Acredito que possamos fazer algo melhor neste tempo - até mesmo nada! Quantas vezes nos damos esse direito? Se não temos algo mais interessante a fazer, nos dar ao luxo do "nada" também pode ser gostoso!

Não gosto de melancia. Sei que ela seria um ótimo alimento para os dias quentes de verão, que cumpre muito bem a tarefa de nos manter hidratados. É uma fruta de aparência interessante - gosto de ver uma grande fatia cortada: o vermelho...magenta ou rosado, não sei... (não sou uma profunda conhecedora das cores e suas nuances) contrastando com as sementes escuras, contornadas pelos tons de verde da casca, são bonitos de se ver. No entanto, não posso sentir o cheiro. Só agora me dou conta, talvez se a melancia não tivesse cheiro de melancia, eu passasse até a consumir com mais vontade. Mas melancia tem cheiro de melancia, e ele me causa enjôo. (risos).

Não gosto de gente egoísta. Egoísta a ponto de numa conversa, só saber falar de seus próprios assuntos: sejam suas alegrias ou tormentos. Não tente dividir suas histórias com um egoísta, pois este se mostra incapaz de dar-nos alguns segundos que seja de sua atenção sincera. Digo sincera, pois não adianta fazer de conta que se está ouvindo, e quando você conclui o assunto ele fala: "pois é". Isso revela que não escutou com a devida atenção, pois é incapaz sequer de um breve comentário, concordando ou discordando. Ou seja, apenas se mostra indiferente! Tem jeito mais horroroso de se mostrar egoísta?! (claro que tem...mas este é o tipo que tem me incomodado mais ultimamente).

Não gosto de carne. Para uma gaúcha sei que parece um tanto contraditório, mas enfim, prova também que ser gaúcho não é sinônimo de ser carnívoro! Existem apenas aqueles que tem um gosto a mais pelos churrascos e afins. E quando como carne, deixo muitos revoltados, pois como exatamente as partes que ninguém acha graça - a parte de fora, que está mais que passada, até mesmo seca. Essa parte me atrevo a comer uma vez ou outra.

Não gosto de ver ninguém sofrendo. A empatia dizem ser uma grande virtude em dias de tanta individualidade, no entanto, nos colocarmos no lugar de outros, também nos causa algumas dores. Mas isso não é o pior, pior é não ter o poder para ajudar a resolver a questão que esta provocando tamanha dor.

Nunca vou esquecer um dia de minha infância, onde vi um homem jogado ao chão: bêbado, faminto, sujo e abandonado. Chorei muito, mesmo sem entender exatamente porque aquilo tinha me causado tanto sentimento. Acho que ali se manisfestou em mim a tal "empatia" que tanto se ouve falar hoje em dia. Hoje sou adulta, obviamente sei lidar melhor com essas situações, mas ainda assim, não posso negar que fico, hoje ainda, muito triste com tamanha desigualdade entre todos nós.

Não gosto de atrasos, nem meus, nem dos outros. Pra mim, promessa é dívida. Do tipo: Combinou, está combinado! Claro que eventualmente acontecem imprevistos de última hora, daí também é perdoável. Mas em hipótese alguma isso deve ser uma prática constante. Confesso que já fui mais pontual, no entanto cobrava demais isso dos outros. Resolvi que devia ser menos exigente com outro em relação a horários, mas aí acabei por me perder um pouco nessa questão. Mas estou me policiando para voltar a velha forma - sempre pontual. Dificil vai ser para os meus pares, voltarei a cobrar ferozmente deles.

Não gosto de ir ao supermercado, penso que nosso tempo é tão valioso e convenhamos, toda semana é a mesma coisa, ficamos pelo menos uma hora lá dentro e pior ainda, comprando praticamente as mesmas coisas. Lamento que boa parte da tecnologia da informação não seja ainda uma realidade nos supermercados daqui. Uma compra virtual, é meu desejo maior. Prática e eficiente. Não morreremos de tédio com as idas ao supermercado, nem de fome por não ir com a frequência que deveria. Aguardo ansiosa por essa "velha novidade" virtual.

Não gosto de reuniões de pais na escola. Amo crianças, mas os pais me dão nos nervos. Na ânsia de saber tudo e fazer o máximo que acreditam ser "super-importante" aos seus filhos, criam crianças inseguras - que têm medo de tomar qualquer atitude, até mesmo para uma simples ação, como de tirar o casaco por exemplo. Ou ainda, criam pequenos tiranos, que acreditam ser os melhores da face da terra - já que os pais fazem exatamente TUDO para eles, independente de qualquer coisa ou situação. Resumindo... existe uma linha muito tênue entre o bom e saudável e o ruim e patogênico.

E tem também a parte que me causa verdadeiro pavor, que é quando a professora, na maior das boas intenções, abre a conversa para críticas e sugestões. Adivinhe qual é, inevitávelmente, a primeira observação de uma mãe ou pai?! Ganha um doce quem acertar. E lá vem a observação: "A professora não acha que está dando muita tarefa para fazer em casa? Não é melhor reduzir um pouco, pois a minha filha(o) está ficando muito cansada!!!!"

Gente, convenhamos...seria mais sincero da parte deste pai ou mãe, falar: "eu não aguento mais fazer a tarefa do meu filho!". A tarefa pode ser um momento muito agradável de estudo, de aprendizado, que podemos partilhar com entusiasmo com nossos filhos, não como tortura. As crianças acharem ou não bom a hora da tarefa de casa, tem muito mais a ver com nossas atitudes do que qualquer outra coisa.

Não sou uma mãe perfeita (este é meu sonho...risos), mas meus filhos fazem com prazer todo trabalho proposto como estudo de casa. Precisamos estimular para que isso seja visto como bom...como de fato é: uma oportunidade a mais para aprender e descobrir o novo!

Continuaria falando agora das coisas que adoro, mas já me prolonguei demais por hoje... fica este trecho como parte I. Quando tiver vontade, dou continuidade às coisas que odeio, adoro e, é claro, as coisas que AMO. Ainda virão as partes II, III, IV... afinal, tudo é uma questão de gosto, ou não!!!


2 comentários:

  1. Rê, bem interessante teu texto...concordo plenamente no quesito melância...hehehe...teus escritos são muito bons! E se são viagens, afinal o que somos senão viajantes nesse mundão maluco, não é mesmo?
    Um beijão,Isa.

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