sábado, setembro 20, 2008

QUANTO VALE UMA AMIZADE? (by Rê Michelotti)

Imagem de meu arquivo pessoal

Ontem, como em quase toda a sexta-feira a noite, mais uma vez nos reunimos em família para assistir ao Globo Repórter, que trazia como tema a AMIZADE. Fazia tempo que não traziam este assunto como ponto principal de um programa, o que eu obviamente adorei.

Aí fiquei pensando sobre o tema em questão, no quanto uma amizade pode fazer a diferença em nossa vida; seja em bons momentos ou não.

Algumas pessoas conseguem lidar melhor com a solidão, mas outras nem tanto... eu faço parte desse último grupo. Preciso da companhia dos meus amigos como o ar que eu respiro. Sou movida pela companhia das pessoas, pela troca, pelo compartilhamento da minha própria vida.
Tem um pensamento que diz que nos contentamos em ter muitos amigos porque às vezes não temos "um bom amigo", pois se assim fosse, não teríamos a necessidade de ter tantos. Concordo que um bom amigo nos preenche, nos completa...mas a diversidade nas amizades também é importante. Cada pessoa tem um jeito de ver a vida e de se portar diante dos percalços que ela nos impõe. Assim, na diversidade das amizades, vamos aprendendo o melhor jeito de lidar com cada coisa, do melhor jeito que cada um de nossos amigos nos ensina.

Eu não estou descartando aqui a necessidade de termos UM grande amigo, aquele para o qual contamos absolutamente tudo; a pessoa que às vezes (ou sempre) sabe mais sobre a gente do que até nós mesmos. Isso é o que de mais pleno pode existir em uma amizade: o conhecer um ao outro, o entender antes mesmo que o outro nos peça.

Desta forma, penso que UM grande amigo é tão necessário quanto os outros tantos que vamos fazendo mundo afora, pois é a diversidade, é o diferente que sempre nos ensina, nos acrescenta. Até porque, tirando aquele amigo '"número um" (esse raro AMIGO Nº 1), que consegue ter todas as qualidades que desejamos, os demais sempre nos conquistam por uma característica em especial. Cada um dá sempre o melhor de si aos seus amigos, aos que nos cercam, aos que amamos... assim, nossos amigos e nós, na condição de amigos, conquistamos por uma característica nossa em especial.

Alguns amigos são para dar risada, contar piada, são aqueles que nos fazem rir, brincar, falar besteiras literalmente. E, convenhamos, mesmo as mais certinhas das pessoas precisam de momentos assim... do descompromisso, do riso, da alegria de estar falando "abobrinhas".

Alguns amigos são do tipo intelectuais, com eles gostamos de falar de nossos planos para o futuro, para eles pedimos opinião, auxílios e ensinamentos. É o amigo que sempre ajuda a sanar dúvidas que não alcançamos. Aí me vem à cabeça uma frase meio "batida", mas que parece se encaixar nessa situação: "Eu não sei sempre a resposta, mas tenho o telefone de quem sabe." (risos).

Alguns amigos são filósofos, com esses tecemos teorias, umas boas, outras puramente viagens de nossas cabeças... falamos da vida, do futuro, do ser humano e das dúvidas sobre a existência. São sempre conversas longas, mas ótimos momentos de reflexão sobre pensamentos e divagações sobre o mundo... e principalmente sobre nós: seres humanos sempre tão incompletos, sempre em busca de melhorararmos e evoluirmos como pessoas.

Poderia ainda descrever inúmeros outros amigos e suas peculiaridades, suas especialidades, mas cada um de nós, se pararmos para pensar, poderemos assim os enumerar em nosso círculo de amizades. E então, é ou não necessária essa diversidade nas amizades? Uma deliciosa diversidade que nos completa, complementa e preenche de forma especial e única de ser.

Estudos apontam que os solitários sofrem mais de problemas de saúde do que aqueles que convivem mais com outras pessoas, entre amigos. Quanto a isso, penso que não é regra, mas faz sentido, pois todos nós sabemos o quanto é bom termos alguém com quem dividir um problema, uma alegria do momento. Um amigo preenche isso com excelência, sempre pronto a nos ouvir. Se o motivo do desabafo não é tão bom, alivia nossa dor esse compartilhar... e se o motivo é bom, multiplicamos a alegria, pois nossos amigos de verdade sempre se alegram com nossas alegrias e conquistas.

No entanto, quanto à escolha de viver só, acredito que essa escolha não decreta o estar bem, ou o estar mal. Não se pode dizer que todos aqueles que escolhem uma vida mais reservada, mais solitária, serão acometidos de dores e doenças, pois algumas pessoas não sentem essa necessidade de compartilhar tudo, o tempo todo. De certa forma, algumas pessoas por si só se bastam, se preenchem. Confesso, sinto até mesmo uma pontinha de inveja disso (risos). Eu, como dizia no inicio do texto, sou extremamente ligada às pessoas e às trocas maravilhosas que podemos ter com as mesmas.

Alguns momentos a sós nos fazem bem, mas não sempre, apenas alguns (poucos, de preferência). Não sou pessoa de estar só, pois é o movimento e as conversas que me fazem mais feliz, ou menos. O convívio com outros me estimula o viver!

A reportagem trouxe à tona também a questão do casamento como uma forma de abrandar a solidão, de nos sentirmos bem. O casamento como uma forma de AMIZADE, e penso que indiscutivelmente é. Ou você partilharia sua vida com alguém que não fosse também alguém que você considerasse um grande amigo?! Eu não! (risos).

Segundo discussão sobre o assunto, o casamento difere-se de uma outra grande amizade apenas por alguns detalhes... No casamento temos uma forte amizade que nos uni, que nos faz conviver em harmonia (é para ser assim); no entanto, ao contrário da amizade, não somos necessariamente confidentes de nossos pares.

Penso que isso se deve a inúmeras questões... só para exemplificar meus pensamentos - pense um falando para o outro que no trabalho agora entrou um gato/gata nova na equipe, ou você está em dúvida de seus próprios sentimentos em relação a ele/ela. Isso deveria ser falado sim, mas não é facil. Não penso que isso não possa acontecer, vai depender muito do tipo de relação que cada casal estabeleceu... mas é claro que, de alguma forma isso sempre acabaria complicando um pouquinho, pois entrariam aí as inseguranças/desconfianças reais ou imaginárias que poderiam vir à tona, assim como muitas outras coisas.

Um outro ponto destacado é que na amizade, embora dividindo muitas coisas, não dividimos nossos travesseiros (Hum... ponto importante a ser pensado...risos). Ou seja, não confidenciamos aos nossos companheiros porque dividimos nossos travesseiros... ou seja, não compartilhar o travesseiro com nossos amigos, nos dá o aval para falarmos de tudo... As múltiplas questões que envolvem um casal deixam de existir.

Então, se associarmos uma coisa com a outra, poderíamos pensar então que uma relação plena é aquela em que partilhamos nossas vidas por inteiro, com confissões e tudo mais...e ainda dividimos nossos travesseiros?! É então o caso de transformar o amigo especial também em marido? ou o marido também em amigo especial?! (risos). Isso está ficando muito complexo, mas que a gente começa a tentar uma forma de unir isso tudo num só, ah! isso começa!!!

Seja como for, uma grande amizade é sempre muito importante, até mesmo aqueles que se reservam o direito de viver mais isolados, mais solitários, uma vez ou outra abrem as portas para seus amigos, ou para aquele amigo especial. Somos potencialmente seres sociais e esta condição nos propicia esse estado de desejar a companhia de outros a nossa volta. Se estes forem merecedores de serem chamados de AMIGOS...tanto melhor pra todos!!!

Penso que a amizade é algo sublime, que dispensa grandes explicações. Sabemos o quanto um amigo pode fazer por nós, mais do que ninguém, o AMIGO está com a gente, na alegria e na tristeza... Rezemos para que possamos com ele dividir sempre mais e mais ALEGRIAS.

Um comentário:

  1. Belíssima reflexão! A amizade é sublime e essencial! O que seria de nós, nessa breve passagem, cheia de aventuras das mais diversas, se não fossem os amigos, esses incríveis companheiros dessa jornada! Não seríamos quase nada...tenho certeza! A nossa história, por exemplo, tem coisa mais interessante, como é lindo esse mistério de amar sem medida, sem obrigação...só porque é da família, mas estar ligados por laços reais, esses que estão acima de qualquer explicação ou lógica! Um beijão, sempre, sempre...Isa.

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