quarta-feira, outubro 22, 2008

OSCILAÇÕES TEMPESTIVAS ( by Rê Michelotti )


Da alegria à tristeza.
Do bem ao mal estar.
Do sono à insônia.

Da segurança à dúvida.
Da coragem ao medo.
De fora para dentro.

De cabeça erguida ou de cabeça para baixo.
Num momento nas nuvens, em outro sem chão.
Desejando tudo, e não querendo mais nada.

Subindo pelas paredes ou indo ao fundo do poço.
Linha reta ontem e incruzilhada hoje.
Certeza ontem, dúvida hoje.

Oscilações...
Tempestades...
Confusões...

Procurando o caminho.
Encontrando o rumo .
Construindo o futuro.

E mesmo que motivações não existam,
que a vontade da busca persista.
Uma linha reta, uma curva... a luz no fim do túnel.

Mesmo que hoje apenas o NADA,
que a fé cresça
e a ESPERANÇA permaneça.

EU TE AMO NÃO DIZ TUDO! (by Arnaldo Jabor*)



Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,
Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.
Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,
É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.
Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.
Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
* Amo Arnaldo Jabor, escreve como poucos, com uma verdade e sensibilidade que engrandece tudo que cria!

segunda-feira, outubro 20, 2008

QUANDO O AMOR...(by Gibran Khalil Gibran)


Quando o amor acenar, siga-o,
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem,
renda-se a ele,
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,
assim como o vento norte devasta o jardim.
Pois, se o amor o coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais
tenros que tremem ao sol, também o faz descer às raízes
e abala a sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixa-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torna-lo branco.
Amassa-o, até deixa-lo macio;
e então submete ao fogo para que se transforme
em pão no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer para que
você conheça os segredos do seu coração,
e com esse conhecimento se torne um fragmento
do coração, da vida.

domingo, outubro 19, 2008

DEIXAR MORRER (by Rê Michelotti)


Às vezes é melhor deixar morrer.
Nada de morte lenta, é preciso que seja breve.
E se preciso for, que se mate em um único golpe.

Persistir em sentimentos pela metade não faz sentido.
Um sentimento que não contenta nem a um, nem a outro.
Se não for pra ser inteiro, este sentimento perde a razão de ser.
Tentar manter apenas partes, não convence, não ajuda.

Piora a dor da saudade, que se mata sempre pela metade, nunca inteira.
Pioram os sentimentos a cada dia mais revirados, e ainda assim, sem resposta.
Aumenta a dor de não saber mais o que é certo, ou o que é errado.
O que se deseja, e o que realmente se precisa fazer.

Sentimentos assim precisam de um fim.
Chega de tentar enganar o próprio coração.
Isso não vai levar ninguém a lugar algum.
O fim não precisa ter tom de drama.

Talvez o melhor seja ficar por aqui mesmo.
Um sentimento pode não ser suficientemente grande para ser amor...
Mas também não se pode admitir que depois de tantos momentos
Ele simplesmente seja reduzido. Reduzido a dor.

Reduzido a palavras avessas e frases mal interpretadas.
Talvez parar por aqui seja o melhor.
Agora quem fala é o coração, não é a razão.

Assim, ainda se podem guardar algumas páginas.
Páginas encantadoras desse breve-longo encontro.
E não quebrar o encanto dessa história.

O encanto deve permanecer no coração.
E para isto, hoje mais uma tentativa.
Um último ponto deve ser colocado.
O ponto final.

Apostar na morte de um sentimento
Para a esperança da construção de um novo.
De novo... Em um próximo capítulo dessa vida ainda!

sexta-feira, outubro 17, 2008

AMORES (NÃO) CORRESPONDIDOS (by Rê Michelotti)

Imagem disponível em:ideiascomimagem.no.sapo.pt/.../118_pierrot.jpg

AMOR, esta palavra tão pequenina, mas que sem dúvidas muitos suspiros já causaram, mesmo dos mais rudes homens. Uma palavra de certa forma simples, com um formato mínimo, no entanto tão repleta de significados. E estes significados são daqueles imensuráveis, não podemos definir esse sentimento em palavras, ele é algo pra ser sentido apenas por nossos corações.

O amor é sempre tema recorrente nas rodas de conversas, nos textos, nos livros, nas músicas, filmes e por aí vai. Mas não tem amor mais lembrado do que aquele não correspondido. Ah, esse dá voltas ao mundo, e parece que quanto menos correspondido, mais inspiração é capaz de causar. Seria uma veia dramática nossa, que se rende e vive aos extremos tudo que esse amor não correspondido pode nos causar? Ou talvez aquela necessidade de deixar a ferida aberta para tentar cicatrizar, deixando exposta toda a nossa dor? Será que assim curamos essa dor?

Um amor não correspondido causa dor, talvez a mais profunda que cada um de nós já pode experimentar... Não há quem tenha sido sempre amado! Em algum momento esta dor bate a nossa porta - a porta de nosso coração. Se você ainda não conhece esta dor, lamento, mas ainda vai conhecer. Mas não se preocupe, você irá sobreviver, e saíra talvez até mais forte dessa experiência. É uma dor grande, forte, mas que sempre nos ensina e nos força a talvez compreender o incompreensível.

Quando se ama de verdade, com intensidade de todo coração, a gente demora a aceitar que este nosso amor tão grande, tão imenso, tão cheio do nosso melhor não seja igualmente nos dado de volta. Mas infelizmente, as vezes ele simplesmente não retorna, não obedece necessariamente aquela ordem de que tudo que vai, volta. O amor às vezes pode ser uma via de mão única. Você ama e ponto. Ou ainda, o outro te ama e ponto. Fica-se por aí. Nem por isso é menos amor, nem por isso não vale. Todo amor é presente!

Você pode presentear quem você quiser, quem você achar que merece esse sentimento tão lindo. No entanto, quem o recebe não terá a obrigação de retribuir a você, de devolver. Para quem ama e não esta sendo correspondido, isto pode ser muito difícil de ouvir, ler, enfim... De tentar entender - mas a vida é assim. Ás vezes os lindos cupidos estão lá em cima brincando distraidamente e flecham você. E neste momento, você cai de amores por ela/ele... Poxa vida, logo esta pessoa?! Vai saber!!!

Essa certamente é mais uma das coisas incompreensíveis que lutamos tanto a compreender... Muitos já procuraram esta resposta, outros tantos ainda procuram, mas não conheço ainda um que tenha realmente encontrado as reais razões do por que amamos este, e não aquele, esta e não aquela. É um conjunto de coisas que atrai e encanta, que nos deixa em êxtase. E isso é tudo!

O amor é uma sensação única, maravilhosa, mas que quando não correspondido vem acompanhado de uma dor enorme: a dor do vazio, a dor da rejeição - não ser correspondido não entendo como rejeição, mas sei que este sentimento também toma conta de quem não recebe de volta. Enfim, o amor com acompanhamentos que certamente dispensaríamos se fosse apenas uma questão de escolha nossa.

Penso que o princípio de todo amor verdadeiro, é levar tudo as ultimas consequências, ou seja, invista todas as suas fichas, jogue todo o seu charme, encante o outro com o que você tem de melhor, use seus melhores artifícios, mas se ainda assim você sentir que o amor do outro não está vindo na medida em que você desejaria... Não gostaria de dizer desista! Mas enfim, se você já tentou de tudo, nada mais resta do que deixar as coisas acontecerem como o destino disser que tem que ser. Assim já disse Clarice Lispector, que não se devem fazer esforços inúteis, pois "o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição".

Não acredito que se possa amar por dois, tampouco que este amor por maior que seja te faça feliz amando por você e por outra pessoa... Uma pessoa não pode amar por dois, mas pode sim, com seu amor nos prender a ele de certa forma. Quando nos é oferecido um amor de verdade, aquele que não cobra, que apenas nós dá...isso é algo único, e ficamos de alguma maneira ligados a essa outra pessoa que nos escolheu para amar...E esta será para nós eternamente especial.

Ser amado, mesmo que por aquele que não necessariamente amamos igualmente, de forma a corresponder todos os seus sentimentos, ainda assim é um lindo presente. Saber que somos especial pra alguém é sempre um presente... Amor é sempre amor, e independente de quem venha, o mínimo que devemos fazer, é agradecer e respeitar esse nobre sentimento que nos é oferecido.

Se você ama alguém e não sente este amor correspondido, pense numa coisa: você pode ser imensamente importante para esta pessoa, ela te respeita, te quer bem ...Talvez agora você pense que isso é pouco para tudo que você deseja, mas o mundo dá voltas...muitas inclusive. E quem sabe, numa esquina da vida vocês não se reencontrem e vivam tudo isso que hoje por tantas razões não é possível.

Cultive o carinho, a amizade a compreensão entre você... e se esta pessoa hoje não te ama tanto quanto você desejaria, não se desespere, não crie uma tempestade em seu coração. Continue vivendo da melhor forma que você conseguir. Pois como já escreveu tão lindamente Clarice Lispector - "os sentimentos são sempre uma surpresa...Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés".

Faça sua parte, procure conquistar seu amor... Mas quando você já tiver feito tudo, simplesmente deixe acontecer. Quem sabe o amor não se renda aos seus pés também!

sábado, outubro 04, 2008

QUANTA CRIATIVIDADE*...



Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Obs.: Agora, leia o poema de baixo para cima.
*Este poema circula na internet como sendo da escritora Clarice Lispector, no entanto, não se sabe ao certo se foi mesmo escrito por ela... mas todo caso...vale a leitura, é bem criativo!

O CONTRÁRIO DO AMOR (by Martha Medeiros)


O contrário do Amor.O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

quarta-feira, outubro 01, 2008

AS MULHERES DE 30 (by Mário Prata)


O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram "A Mulher de Trinta", de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe.

A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40.

E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.

A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.

A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer.

Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas, têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40.

Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.

Ponto. Pra elas.

A LUCIDEZ PERIGOSA (by Clarice Lispector)


Estou sentindo uma clareza tão grande, que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito, do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer, vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
Além do que: que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez pode se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes.

RIFA-SE UM CORAÇÃO (by Clarice Lispector)

Imagem disponível no Google

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu..."...não quero dinheiro,
eu quero amor sincero,é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos, que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta