sexta-feira, novembro 28, 2008

CADA UM NA SUA (by Rê Michelotti)


"Se você não contar a verdade sobre si mesmo, não pode contar a verdade sobre as outras pessoas." (Virginia Woolf)

Este pensamento serve apenas para refletirmos sobre algo tão recorrente: o Julgamento.

A todo o momento as pessoas julgam umas as outras, e não se dão conta do quanto esses julgamentos podem ser levianos e não necessariamente corresponder à verdade vivenciada pelo outro. É tão fácil apontar o dedo na cara de alguém, dizendo o quanto esta pessoa esta certa, errada, o quanto acertou ou deixou de acertar.

A gente pode pensar muita coisa sobre uma determinada pessoa, nem por isso temos o direito de jogar nossas impressões e julgamentos sobre ela. Se nós mesmos não nos mostramos por inteiro, temos nossas falhas, defeitos, fraquezas e até mesmo nossos segredos... Isso significa que não contamos toda verdade aos outros sobre nós mesmos. E sinceramente, não precisamos oferecer nossa verdade a todos, pois poucos são realmente merecedores dela. Mas, se não contamos a nossa verdade a todos, que propriedade temos nós para falar sobre a verdade dos outros?

Precisamos ter certo "desconfiometro" e nos afastar de pessoas assim. Infelizmente percebe-se que estas, que se dizem desprovidas de preconceito, são as primeiras a levantar um julgamento ou apontar uma falha. São as primeiras a estabelecer os rótulos. Não reverencio, tão pouco acredito em rótulos, pois pessoas não devem ser comparadas a coisas. Pessoas são únicas, merecem respeito e não rótulos. Deixemos os rótulos as “coisas” necessariamente e não aos indivíduos que tem todo o direito de fazer suas próprias escolhas e caminhos.

Durante essas reflexões, lembrei de uma pessoa que sempre diz: “Não gosto de rótulos”. No entanto, basta olhar para uma pessoa, que no mesmo instante acredita ter liberdade e direito de dizer toda a verdade sobre esta, mesmo que ela apenas tenha visto uma simples foto... Sem movimento, sem fala e sem emoção. Sem que conheça esta pessoa de fato. Imagina se ela gostasse de rótulos, como seria?!

Precisamos nos conscientizar, nos policiar... Ninguém é assim tão perfeito a ponto de se achar acima de toda a verdade plena e julgar quem quer que seja. A hipocrisia esconde tanta coisa. Não sejamos hipócritas... Cada um na sua, e talvez, porque não? Sem nada em comum. Seja como você deseja ser, deixe que outros sejam o que bem desejarem. Viva sua vida! Pois como já disse Jacinto Benavente: “Às vezes procura-se parecer melhor do que se é. Outras vezes, procura-se parecer pior. Hipocrisia por hipocrisia, prefiro à segunda.

Se estivermos bem com nós mesmos, a opinião alheia não pode ter efeito sobre nós... Não precisamos parecer bons aos olhos dos outros, precisamos ser suficientemente bons de acordo com nossos próprios critérios e concepções. A propósito, existe o certo e o errado? O bom e o ruim?

Penso que na vida, tudo é no mínimo questionável! O que é certo pra você, pode não ser para outro... Então, vale à pena discutir? Precisamos apenas respeitar a individualidade e deixar viver cada um suas próprias experiências. Como disse antes, cada um na sua, e se for para ser sem nada em comum, que assim seja, desde que sejamos nós mesmos!!!

terça-feira, novembro 18, 2008

SERES (DES) HUMANOS (by Rê Michelotti)


Impaciência...
Nestes últimos tempos tenho tido dias cheios, pesados, tensos e intensos. Não consigo mais entender a palavra paciência, pois a cada dia ela me parece mais estranha. Estou intolerante ao extremo e, por vezes, até eu me espanto como tenho reagido a determinadas coisas e atitudes alheias.

Pretensão...
É incrível como as pessoas não mudam e continuam insistindo que os seus problemas são infinitamente maiores do que os do resto do mundo. Quanta pretensão! Problemas são sempre problemas... Grandes ou pequenos, a intensidade dos problemas e a dor que eles causam, cabe única e exclusivamente a quem sente definir. Portanto, não façamos dos nossos o centro do mundo, afinal de contas, como diz a música “everybody hurts”.

Problemas...
Um empresário que tem em suas mãos um título de alto valor protestado tem um sério problema. Um agricultor que vê a sua lavoura devastada pela chuva de granizo tem um sério problema. A seca no nordeste brasileiro é muito séria e afeta centenas de pessoas. Um grande problema social. Um adolescente que não consegue se relacionar com o grupo mais popular da turma tem um grande problema. Um aluno do Jardim que ouve seu amigo de classe dizer aquela famosa frase de criança: “Não sou mais seu amigo!” – Isso é um mega problema.

Comparações...
Isto tudo vem servir de exemplo ao que dizia antes, todo mundo tem problemas. E o problema é suficientemente grande para quem o vive. Não comparemos nossos problemas e dores, mas, mais do que isso, não sejamos pretensiosos achando que sofremos mais do que o resto da humanidade. Se a gente parar para analisar, sempre tem alguém em condição melhor do que a nossa, isso é verdade. Mas pense no número gigante de pessoas que vivem com tantos outros problemas e em condição bem menos favorável, e nem por isso ficam entregues ao seu próprio sofrimento.

Chantagens...
Tenho traumas de infância relacionados à chantagens emocionais, não há coisa mais triste de se vivenciar, seja sentindo na pele a chantagem, seja vendo o ser que chantageia em ação. Em muitos momentos torna-se patético o que se faz para ter atenção dos outros. Isso é tão injusto. Isto é ser mau com requintes de crueldade, usar a emoção para causar dor ou pena em outra pessoa. Muito triste. Triste em especial porque o chantagista pensa ser recompensado com a atenção, mas não se dá conta do quanto essa atenção é falsamente conquistada, ou seja, perde seu valor real. Quero que gostem de mim pelo que sou, pelo que tenho de bom, não pela coitada que eu possa ser.

Justiça...
Acredito que a justiça seja o melhor para todos. Gostaria que a justiça estivesse ao alcance de todos. E talvez neste ponto se encontre todo meu mal estar atual. Vejo muita injustiça, onde ganha quem grita mais, quem tem mais subsídios para convencer. Ganha quem sabe mentir, quem sabe fingir. Ganha sempre quem for melhor ator/atriz. Faz-se justiça com igualdade de direitos e deveres. Não importa se você vai poder pagar a conta, se você adquiriu uma dívida ela é de sua responsabilidade. Se você prometeu, cumpra. Mas jamais prometa por alguém, você não deve se responsabilizar por algo que depende de outra pessoa. Por que o justo é algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil de ser conquistado?

Desacomodar...
E com todas essas coisas vou me irritando, perdendo a paciência com justificativas vazias que não provam nada... Vou pondo a boca no mundo. Por muito tempo calei-me pelo bem estar de todos. Calei-me para não criar caso, para não me incomodar. No entanto hoje, vejo que muita coisa que não é legal só acontece porque nos calamos frente a tantas barbaridades. Não nos damos ao trabalho de lutar pela igualdade de direitos, pelo justo para todos. Cada um luta por si... Uma luta solitária, e que acaba não tendo o mesmo efeito que poderia caso fosse em nome de um grupo.

Coletivo...
Falta solidariedade, seriedade, competência... e sobram tantas outras bobagens! Quero acreditar que ainda é tempo para se conseguir mudar um pouco o estado atual do todo... Quero acreditar que um dia vamos acordar em situação melhor, onde lutaremos por um grupo e não por um mundinho medíocre e individualista.

Buscas...
Divagações de Rê Michelotti... Momentos de reflexões noturnas, tempestades mentais... Insatisfação com o que vejo. Apenas mais um instante a sós com meus próprios pensamentos. Talvez só eu entenda o que sinto ou falo agora. Talvez eu apenas esteja externando coisas que me sufocam quando permanecem guardadas dentro de mim. Como diz a descrição do meu blog, escrevo mais do que para outros, escrevo na tentativa de também me entender um pouco mais. Para buscar a interpretação de alguns sentimentos: ilusões, desilusões ou breves reflexões... Sempre com um inicio, nem sempre com um fim definitivo.

sexta-feira, novembro 14, 2008

ALÉM DA MÁSCARA (by Humberto Gessinger)


Agora que a terra é redonda
e o centro do universo é outro lugar
é hora de rever os planos
o mundo não é plano, não pára de girar
agora que o tempo é relativo
não há tempo perdido, não há tempo a perder
num piscar de olhos tudo se transforma
tá vendo? já passou!
mas ao mesmo tempo fica o sentimento
de um mundo sempre igual
igual ao que já era
de onde menos se espera
dali mesmo é que não vem
agora que tudo está exposto
a máscara e o rosto trocam de lugar
tô fora se esse é o caminho
se a vida é um filme, eu não conheço diretor
tô fora, sigo o meu caminho
às vezes tô sozinho, quase sempre tô em paz
num piscar de olhos tudo se transforma
tá vendo? já passou!
mas ao mesmo tempo esse mundo em movimento
parece não mudar
é igual ao que já era
de onde menos se espera
dali mesmo é que não vem
visão de raio-x
o x dessa questão
é ver além da máscara
além do que é sabido, além do que é sentido
ver além da máscara