segunda-feira, dezembro 27, 2010

Férias...


Aos amigos e demais blogueiros que acompanham o Spa de Idéias:

Sem postagens nesses últimos dias e provavelmente nos próximos também... Estou de férias!

Volto em breve, mas deixo aqui o meu desejo de um ano novo repleto de coisas boas, muita criatividade e grandes descobertas para todos nós... No mais, o de sempre tão desejado: paz, amor, realizações e muito mais!!!


Beijos,


Rê Michelotti

quinta-feira, dezembro 16, 2010

O ópio do trivial (by Rê Michelotti)

Foto by Rui Pajares
Disponível em:http://corbinariaphoto.blogspot.com


Outro dia escutando uma música do Engenheiros, banda gaúcha que adoro e quanto mais escuto, mais me identifico com suas letras e músicas, me deparei com um trechinho que me deixou pensando. Dizia: "[...] A visão do microscópio é o ópio do trivial [...]". Aí, estou há dias com essa frase na cabeça. O que seria o ópio do trivial?

Pensando separadamente nessas duas palavras, temos conceitos distintos, onde se pode definir o ópio como uma substância extraída da papoula sonífera, que provoca euforia, seguida de um sono onírico; ainda que seu uso repetido conduza ao hábito, à dependência física, e a seguir a uma decadência física e intelectual, uma vez que é efetivamente um veneno. Já o trivial nada mais é do que algo comum, banal, descrito como sem grande importância por ser já tão conhecido. Assim, chegamos a duas definições relativamente simples e conhecidas, mas que no entanto, quando postas juntas estas palavras, nos levam a refletir de uma forma mais ampla e nos dizem muito mais do que estes breves conceitos literais.

Em uma entrevista, Umberto Gessinger - vocalista do Engenheiros - comenta, que em geral as pessoas fazem interpretações que talvez nem quem compôs a música havia pensado. Ou seja, música é uma arte e cada um sente a seu modo. Assim, arrisco-me nas linhas seguintes em apresentar que pensamentos/coisas esse ópio do trivial traz a minha mente.

Quanto mais tecnologia a disposição, mais informação. Isso faz com que a disseminação de idéias seja facilitada e outras tantas coisas se multiplicam numa rapidez tremenda. No entanto, esse multiplicar repete sempre mais do mesmo. Pensando no mundo virtual, temos uma infinidade de redes de relacionamentos sociais, que em nome são diferentes, mas em essência ou objetivo são muito parecidas, se não idênticas. Quantos blogs diferentes falando das mesmas coisas... Multiplica-se o mesmo com alguma variação, ou ainda como diria o Engenheiros em outra música sua: "variações de um mesmo tema". Cada um tentando dar a sua versão, tentando encontrar outra identidade para algo que não seja assim tão igual.

Se pensarmos na moda é assim também. O jeans existe desde que me conheço por gente, ou mesmo antes disso, e todo ano ele vem com uma cor diferente, um corte diferente... Mas diferente do que? Do ano passado! Pois ele voltou a ser como já foi há um tempo. Com sapatos a mesma coisa, neste ano são saltos finos, no outro serão grossos. Em um ano são altos, no outro baixos. Se falarmos em relacionamentos, por incrível que parece a linha também segue assim. A moda já foi casar na igrejam no papel bonitinho, depois não mais. Depois, legal era apenas morar junto ou juntar os trapos como costumamos brincar em situações assim. Hoje parece estarem os casamentos voltando de novo. E assim, a multiplicação do mesmo, com alguma pequena variação segue sem parar.

Será que nossa capacidade criativa se esgotou?! Será apenas uma limitação criativa de inovar temporária?! Ou as coisas são assim mesmo e tudo está seguindo o fluxo que deveria?! Vamos levando assim, querendo ou não, me parece que é o jeito de ser das coisas mesmo. Queremos apenas pontos de vista originais e não sermos apenas mais um dos seguidores da massa. Parece-me que quando se pensa sempre igual a todo mundo, no fundo é porque não estamos pensando sobre nada. Estamos apenas seguindo o fluxo. Não seguir o fluxo não significa estar necessariamente errado. Como dizia minha mãe, "não é porque todo mundo vai se jogar da ponte que eu também vou". Queremos acreditar que alguém ainda vai descobrir algo no mesmo que a gente ainda não viu. Desejamos novas versões do mesmo, do igual... Seja na forma de interpretar, abordar ou expressar os pontos de vistas... Ou ainda de contrariar de forma coerênte a repetição.

Assim, o "Ópio do Trivial" me parece estar relacionado com esse bombardeio de repetições ou variações do mesmo tema, mas que de alguma forma ainda nos seduzem pelas sutis diferenças incorporadas por pessoas tão diferentes que nos mostram a seu modo como uma repetição nunca é fiel e sempre se pode apimentar, aliviar, refrescar, mascarar ou simplesmente falar sem floreios sobre qualquer coisa. No final das contas, o quase igual repetido, toma novas texturas até nos convencer de que é novo, ainda que não seja. O ópio que nos alucina esta na busca que uma vez ou outra nos presenteia com um jeito novo de ver ou sentir o mesmo. É tudo aquilo que é simples, cotidiano e rotineiro, mas ainda assim nos proporciona alguma reação ou prazer. É tudo aquilo que poderia ser banal pela repetição e simplicidade da falta de novidade, mas que de alguma forma nos tira do eixo, do centro e mexe com alguma coisa dentro de nós. Que nos causa raiva, alegria, medo, excitação, uma sensação esquecida ou não ainda experimentada.

Que o ópio do trivial possa nos dar o melhor do cotidiano, da rotina que muitas vezes nem é quente, nem é fria. Eu não gosto do morno. Eu não gosto de nada que se diga que é "mais ou menos". Ou é mais ou é menos... De preferência, mais do que esperamos!

Me permito então, sem grandes pretensões de fazer este ou aquele concordar comigo, dizer que muitas vezes ou em muitos momentos nos percebemos todos tão iguais, mas que ainda assim, nossas pequenas diferenças nos tornam seres infinitamente únicos e incomparáveis. A forma como buscamos, encontramos, interpretamos e expressamos o nosso mundo, este é para mim o Ópio do Trivial. Ópio que nos faz suportar a rotina, o cotiano, o dia a dia ... enfim, a vida... Graças a essas tantas variações, dadas por cada um de nós de forma tão particular... A vida e o mundo nos mostram sempre um algo mais.

O ópio em excesso pode ser considerado um veneno, porém, até mesmo o remédio pode tornar-se um, dependendo do quanto ingerimos. Aqui o ópio será ministrado em doses homeopáticas, devidamente medidas e na proporção exata para apenas provocar uma leve euforia, um relaxamento e depois conseguirmos dormir em paz com nós e o nosso mundo. Aqui vou desejar sempre e mais ópio, ainda que do trivial.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Ser brega, eis a questão! (by Rê Michelotti)

Casualmente ou não, nos últimos dias tenho lido repetidamente, e em diferentes lugares, sobre o que é “brega”. Embora esta palavra em geral venha sendo utilizada com o mesmo sentido em todos os lugares, ou seja, com o sentido de algo fora de moda, ridículo, que seja motivo de vergonha ou coisas do gênero... Percebo que a definição do que vem a ser brega, assim como a de outras palavras, depende muito mais dos olhos e dos sentidos de quem está tentando conceituar... No caso aqui, a questão se volta ao que é brega ou não.

Gosto de ler a revista TPM*, onde encontrei o tema “brega” em destaque de forma muito criativa. Os entrevistados da coluna “Baú da Vergonha”, são convidados a listar cinco coisas que adorem, mas que ao mesmo tempo os envergonhem, por ser um gosto brega ou cafona demais. A partir dessas listas, percebi o quanto o conceito de ser Brega é relativo.

Para alguns, ser brega é ter um par de sapatos brancos no armário, guardarem os noivinhos decorativos do bolo de seu casamento ou ainda ter uma coleção de CDs do Bon Jovi. Para outros, ser brega é gostar de ouvir música sertaneja, ver “arquivo confidencial do Domingão do Faustão” ou quem sabe enfeitar a geladeiras com aqueles ímãs coloridos de bichinhos.

Em resumo, ter ou não ter um gosto cafona, ser ou não ser brega é uma questão de gosto pessoal e não necessariamente do que a moda ou a mídia esta ditando no momento como o último grito ou tendência mundial para isso ou aquilo, para este ou aquele tipo de comportamento. O que é brega para um, pode ser muito legal para outro. Tem coisas ditas como bregas e A-DO-RA-MOS e coisas super legais para outros, mas que achamos o último nível do quesito brega!

Já me peguei pensando ou mesmo comentando sobre as cafonices dos outros, mas me dei conta que não costumo pensar nas minhas. Isso se explica pelo que comentei antes, só consideramos Brega o que não gostamos. Dá para concluir que ser brega então não existe, afinal de contas, cada um tem direito a escolher o que melhor lhe convier sem ter que ser taxado como isso ou aquilo. Sinto que o brega e o nosso gosto são inversamente proporcionais. Depende de que lado estamos... Do lado de quem gosta ou de quem não gosta!

Pensando sobre os gostos alheios e os meus próprios, lembrei de algumas coisas que devo confessar: Acho o fim (da picada!) o show de final de ano do Roberto Carlos – Eu não sei como ainda tem alguém que assiste. Parece sempre o mesmo do mesmo! Em compensação, assistindo um filme americano meio água com açúcar outro dia, percebi que uma de minhas cantoras favoritas, no caso Celini Dion, lá fora é tida como super brega. Ela seria uma espécie de Roberto Carlos aqui? Acabei lembrando também de alguém ter me dedicado uma música da Sandy – “ Pés Cansados” no seu blog pessoal, mas com uma frase que dizia mais ou menos assim: “ eu sei, é Sandy, mas a música é bonita e lembrei de você”. Senti que esse comentário foi quase um pedido de desculpas por ter me dedicado a música, como se na verdade falasse... ‘’é meio brega, mas bonita”. Se é bonita, é e pronto. Se gostar de Sandy é cafona, eu sou!
Outra que não posso deixar de registrar... Eu sempre fui totalmente contrária às músicas sertanejas, não sei, nunca me agradavam, mas de repente passei a gostar de uma frase solta aqui outra ali, mas continuava a me policiar dizendo para mim mesma, você não vai gostar disso, não é Rê?! Você gosta de Ana Carolina, Adele, Marisa Monte, David Gray!!! Aqui, cabe um breve comentário, já me disseram que sou brega por gostar de Ana Carolina... E daí?! Amo mesmo assim. E eis que num de seus shows, ela admite ao vivo: ’’não contem para ninguém, mas se eu tivesse que cantar uma música brega seria "...Quando digo que deixei de te amar, é porque eu te amo... quando digo que não quero mais você... é porque eu te quero...". Aí pensei, Estou perdoada! (risos).

Enfim...apenas algumas coisas, entre tantas que fui me lembrando com esse revirar de idéias... Se fosse ficar lembrando aqui, haveria uma lista interminável, como achar brega uma mulher com o sutiã todo aparecendo, seja a alça ou qualquer outra parte dele. Esta peça está classificada como uma peça underware, íntima ou como diria minha vó, uma "roupa de baixo" e, é embaixo que deve ficar. Ainda falando em sutiã, acho horrível aqueles de tiras transparentes de silicone – parece que você está colada com fita adesiva do tipo ‘’durex”- Não dá! Outra coisa que não dá, é homem de sunga... Sei que é coisa de gosto, e eu não gosto! Se posso usar a palavra brochante, eu usaria quando vejo um cara de sunga. Definitivamente não rola! Ainda não sei o que não me agrada, deve ser trauma de infância. Não acho absolutamente nada do que falam: nada provocante ou sensual. Uma bermuda/bermudão me agrada bem mais e me convida a querer saber mais sobre. Apenas um gosto meu que talvez seja diferente do seu!

Todo mundo acha isso ou aquilo cafona, brega ou seja lá como costuma chamar, mas em geral não nos avaliamos nesse quesito, como se tudo que gostássemos fosse o máximo. Vamos combinar, se isso é coisa específica do gosto de cada um, podemos admitir sem medo, que eu e você possamos achar alguns gostos contrários bregas, mas isso são apenas preferências particulares... A amizade continua a mesma! Somos todos um pouco brega aos olhos dos outros... Uns mais, outros menos, mas todos bregas! Portanto... Relaxem, ser brega não assim tão mal, é apenas uma questão de gosto para mim e falta de gosto para você... Ou seria o contrário?! (risos).

*www.revistatpm.uol.com.br

quarta-feira, novembro 24, 2010

Mudanças... (by Rê Michelotti)

Imagem by Google

Não tenho conhecimento de nenhuma descendência Cigana, no entanto, a necessidade constante de mudar de ar, lugar ou situação que trago comigo, me fazem acreditar que ao menos um galhinho deste sangue cigano esteja presente em minha árvore genealógica.

Ainda que eu não tenha de fato algum antepassado cigano, tenho em minha mãe essa característica marcante, de mulher desapegada das coisas materiais e que se deixava seduzir pelos desafios de novos caminhos.

Quando eu era criança, esse jeito cigano e andarilho dela não me agradavam. Sentia-me insegura a cada partida ou recomeço. Muitas vezes mudávamos de escola no meio de um ano letivo, caindo literalmente de pára-quedas em uma nova escola e conseqüentemente em nova turma em pleno junho. Novos lugares a conhecer, pessoas a descobrir e amizades a construir. Era sempre um recomeçar constante!

No entanto, com o passar dos anos fui pouco a pouco aprendendo a apreciar essa vida dividida em muitos lugares, onde não temos outra saída que não encarar o desafio do novo de frente. Tivemos momentos difíceis diversas vezes, mas de uma forma quase mágica ela fazia com que tudo acabasse dando certo de um jeito ou de outro. Ainda que esse outro jeito fosse muitas vezes, uma nova mudança, para outro canto que ela descobria sabe-se lá como.

Porque ela fazia isso? Naquele tempo eu não fazia idéia, mas hoje acredito que provavelmente seja pelos mesmos motivos que tenho agora, a mesma ânsia de estar em movimento. Uma inquietude constante que não se satisfaz com uma paisagem congelada, lugares conhecidos, palavras repetidas ou ainda com um futuro tão previsível quanto à acomodação nos permite ter.

Tenho a necessidade que ela tinha de vislumbrar ao menos uma nova possibilidade, seja ao longo do dia de hoje, de amanhã ou dos dias que ainda virão. Caso contrário, eu me perco um pouco e enfraqueço minha fé ou esperança no que ainda posso esperar. Preciso estar presa por um algo a mais. Preciso estar apaixonada pela vida, ainda que por um pedacinho dela apenas. É essa energia que me move, me impulsiona e me faz querer levantar todas as manhãs.

Não gosto de sentir meu coração batendo tão de leve como se fosse parar. Não gosto de nada em conta-gotas. Gosto da expectativa do antes, da alegria de momentos únicos. Gosto das lembranças daquelas coisas que ousamos fazer e não nos arrependemos depois. Quero o frio gostoso na barriga, rir atoa... Mesmo que não resolva tudo, ajuda a vida melhorar. Quando mudamos, muitas coisas inevitavelmente mudam também!

E essas mudanças nos desafiam a ficar cara-cara com o desconhecido quantas vezes seja preciso e com isso, temos boas oportunidades para melhorarmos nossa segurança e autoconfiança, no sentido de que daremos conta, seja do quer for. O reinicio faz com que tenhamos que reaprender determinadas coisas ou fazer de um jeito diferente. Exercitamos nosso poder de análise para reconhecer o que pode continuar e o que não pode no novo lugar.

Mudar nos faz crescer e ainda nos presenteia com aquela sensação boa de que a vida esta nos dando uma nova oportunidade... Não para mudar o início, pois, o que está feito, está! Mas uma nova chance para escrevermos um outro fim para nossa história e a daqueles que não só partilham com a gente a mesma estrada, mas também suas próprias vidas. Seja até o momento que possamos por um ponto final ou outro ponto qualquer que desejarmos. Eu gosto das reticências... Elas nunca terminam...

terça-feira, novembro 23, 2010

MULHER GATO

Imagem disponível em: http://www.dicafeminina.net


Três mulheres, uma noiva, uma casada e uma amante, estavam conversando sobre seus relacionamentos e decidiram agradar seus homens.
Aquela noite todas as três iriam testar a sensualidade e o poder que exerciam sobre seus companheiros, usando corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto.

Após alguns dias, elas tornaram a se encontrar. Cada uma relatou a sua experiência.

Disse a noiva:
- Naquela noite, quando meu namorado chegou em casa encontrou-me usando o corpete de couro, botas com 12cm de salto e máscara sobre os olhos.
Ele me olhou intensamente e disse: ' Você é a mulher da minha vida, eu te amo'. Então fizemos amor a noite inteira.

A amante contou a sua versão:
- Ah, comigo também foi parecido. Naquela noite encontrei meu amante no escritório. Estava usando um corpete de couro, mega saltos, máscara sobre os olhos e... mais nada! Usava uma capa de chuva para cobrir meu corpo.
Quando eu abri a capa, ele não disse nada... seus olhos me devoraram... me agarrou e tivemos sexo a noite toda.

E aí a casada contou sua história:
- Naquela noite eu mandei as crianças para a casa da minha mãe. Arrumei-me como combinado: corpete de couro, super saltos, máscara sobre os olhos.
Então resolvi incrementar o visual. Aproveitei para inaugurar um perfume novo e um batom vermelho que nunca tinha usado antes.
Lembrei-me de um comentário que meu marido fez sobre a sensualidade da roupa íntima preta e coloquei a que acabara de comprar... um fio dental com um lacinho de cetim em ponto estratégico.
Quando meu marido chegou do trabalho, abriu a porta e me encontrou em pé no meio do quarto fazendo caras e bocas. Olhou-me de cima abaixo e disse:

'E aí, Batman, o que temos para o jantar?'



*********


* Essa piada recebi por email... Não sei quem é o autor da mesma, mas que ele estava muito inspirado no dia, estava! Acho muito engraçada! Fico sempre tentando imaginar a cara meio sarcástica do marido fazendo a tal pergunta...rs

quinta-feira, novembro 18, 2010

O ROMANCE QUE TAMBÉM PODERIA SER MEU (by Rê Michelotti)

Disponível em:http://www.materdeifm.com.br/img/imagensartigos/tattoo_rei_na_barriga.jpg


A letra da música "Romance", do cantor e compositor gaúcho Nei Lisboa sempre me vem à mente, quando em determinados momentos me deparo com pessoas que "se acham" tão espertas e inteligentes, mesmo quando não são. Saem por aí falando, falando... Como se fossem donas da verdade. Pior que isso, sem respeitar a opinão de outras que não sejam identicas às suas.

Partilho essa mesma sensação expressada por Nei Lisboa, pois ''todas as bobagens que eu já disse [também] dariam para encher um caminhão... mas mesmo assim encontro no caminho... Milhares mais otários do que eu..."

Abaixo segue a letra na íntegra...

Romance ( Nei Lisboa)

Todas as bobagens que eu já disse
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder

Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção

Por isso meu amor não pense que é brinquedo
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não

Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção...

sexta-feira, novembro 12, 2010

QUAIS SÃO OS LIMITES? (by Rê Michelotti)


Hoje desde cedo, muitos canais de mídia noticiaram a agressão de um aluno contra sua professora em uma escola técnica particular de Porto Alegre/RS, onde após receber uma nota baixa, o aluno acabou por atacá-la com violência.

Como também sou professora, o assunto mexeu mais uma vez com meus pensamentos e desta vez também com meus nervos. Fico estarrecida ao ver nosso cotidiano invadido cada dia mais por notícias desse nível acontecendo dentro de instituições educacionais.

Neste momento volto a questão sempre gritante da falta de limites do ser humano. Aí me pergunto: A que ponto será necessário chegar à falta de respeito aos profissionais de educação, para que alguma atitude seja tomada para mudar de vez este cenário?!

Se a educação vive hoje um dos melhores e mais ricos momentos de apropriação e disseminação do conhecimento possibilitado pelo avanço tecnológico, por outro lado, vive também um momento delicado no que se refere as interações humanas (aluno-professor) nas instituições de ensino de todo o nosso país, independente do grau escolar que estejamos falando.

Por décadas vivenciamos aquela educação castradora e punitiva, onde aluno não tinha voz ou vez dentro de uma sala de aula, e ao professor cabia repassar os conhecimentos com severidade. Severidade que lhe dava inclusive o direito a castigar os alunos quando este considerasse necessário. Uma educação extremamente rígida e pouco apropriada quando se pensa na questão do desenvolvimento do afeto, respeito mútuo ou ainda da falta de incentivo a participação do aluno na construção de seu próprio saber.

No mundo de hoje, alunos e professores buscam sintonizar esse relacionamento de forma mais equitativa, agregando valor ao diálogo como meio para construção de um ambiente de aprendizado fértil, interessante e que funcione como fonte de inspiração para ambos continuarem aprendendo e ensinando respectivamente. O professor não é mais mero repassador de conhecimentos, mas sim um intermediador, que questiona, instiga ao pensamento criativo e crítico. Em contrapartida, temos alunos que exigem seu espaço e querem formar suas próprias opiniões.

Bem, até aqui tudo certo, concluímos que houve uma evolução positiva na relação aluno-professor ou professor-aluno, como queiram, quando se faz uma breve retrospectiva, ainda que superficial, de como foi e de como esta a educação hoje. No entanto, com olhos de educadora penso também no peso das modificações na estrutura familiar, nitidamente transformada se compararmos o ontem e o hoje.

Na minha prática diária em educação, na convivência com os alunos, sejam eles adultos ou adolescentes, os sinto em constante aflição. Não há muitos momentos de tranqüilidade, de amparo e orientação no núcleo familiar. Os alunos adultos - muitos já pais - se prendem ao fato de ter de prover a família como uma justificativa de sua ausência e atenção ao filho. Os adolescentes que ainda mantém a posição de filhos, mostram-se pessoas solitárias, inseguras e sem um norte certo de como devem continuar sua caminhada.


Este desencontro entre pais e filhos traz uma série de conseqüências sentidas especialmente dentro das escolas e que às vezes culminam em cenas tão tristes como a da professora que foi agredida em seu ambiente de trabalho. Pois a questão não é só a ausência simples e pura, mas o que tudo isso implica na vida de tantos pais, filhos e também professores.

Os pais trabalham muito para conseguir dar conta de sua família e até mesmo de coisas por vezes supérfluas ou perfeitamente dispensáveis, mas que ficam gravadas a ferro e fogo pela mídia, como uma necessidade de vida ou morte. O trabalho consome pais, e estes não conseguem mais dar apoio aos seus filhos, tampouco alguma orientação. Um pouco por falta de tempo, outro por se sentirem de certa forma culpados por sua própria ausência, ainda que justificada em termos. Assim, quando estão juntos, evitam cobrar ou exigir do filho algo. O contrário também acontece. Alguns esquecem de dar afeto e só cobram o tempo todo, sem ao menos dar algum suporte. Desta forma, educar passa a ser algo única e exclusivamente de responsabilidade da escola e dos educadores que dela fazem parte. Complicado, não?! Muito!

Chegam a escola cheios de vontades, mimados, achando muitas vezes que podem tudo - sem nenhum limite - e totalmente revoltados com o mundo. Outras vezes carentes e inseguros, que quase da mesma forma os atinge negativamente, comprometendo sua integração com o grupo e com seu aprendizado como um todo. Faltam limites para aproveitarem o que é bom. Faltam limites para evitarem o ruim, ou mesmo o que não é tão bom assim. Faltam limites para organizar suas vidas dentro daquilo que é realmente bom para eles, para o grupo com que convivem e para sua própria família.

Escola e família devem trabalhar em conjunto, falando a mesma língua ou o mais próximo que isso seja possível. No entanto, precisamos ressaltar que os jovens passam uma fração muito pequena dentro da escola, comparado ao tempo que ficam com a familia ou em convivio social. Assim sendo, não há como esperar que a escola sozinha, se responsabilize pela educação global desses alunos.

É preciso ajustar nossos objetivos e responsabilidades como pais e como educadores. Juntos podemos auxiliar e fortalecer as coisas boas que desejamos que estes jovens desenvolvam. Agora, se ficarmos separando pais de um lado, escola e educadores do outro, vai ser apenas mais um jogo de empurra-empurra que não vai ajudar a ninguém. A soma de nossos esforços podem dar novo rumo a educação e ainda banir do nosso noticiário situações como as presenciadas por nós e sofridas por mais uma professora hoje.

Juntos, pais e educadores podemos continuar. Separados, muito díficil. Infelizmente muitos professores estão mudando de profissão, estão cansados de uma luta muitas vezes solitária frente a tantos problemas, e isso me preocupa especialmente como mãe... Afinal, podem existir ex-professores, mas ex-mãe ou ex-pai não... Ainda que não tenhamos mais professores para nos ajudar na educação de nossos filhos, teremos que seguir de qualquer jeito. Sozinhos!

Todo mundo precisa de limite, mas alguém precisa dizer qual é!!!

P.S: Este texto é apenas um desabafo, onde as idéias expressam nada mais que uma opinião particular minha frente as coisas que vejo, e como vejo na educação.

terça-feira, novembro 09, 2010

DE MÃOS DADAS COM A RAZÃO & A EMOÇÃO (by Rê Michelotti)

Imagem diponível:http://2.bp.blogspot.com/_C4dIJJBXuyU/SNZIfFD19gI/AAAAAAAAABg/-RXhFQh5DCM/s320/nuvem%5B1%5D.JPG


Alguns dias atrás, enquanto aguardava que o sono nosso de cada noite desse o ar de sua graça por aqui, caí na tentação de passar aleatoriamente por algumas páginas da web, assim como quem vira a página de um livro mesmo. Sinceramente, não suporto a idéia de ir para cama e ficar naquele rolar incessante que parece fazer o sono só ir para mais longe ainda.

Bem, eu realmente alcancei meu objetivo, pelo menos o de evitar o vira-vira na cama. Mas, como não é raro, acabei por me perder na web noite afora. Perdi-me de forma prazerosa e intensamente positiva, e posso afirmar ter tido um proveitoso encontro comigo mesma. A essa altura, se alguém me perguntasse: E o sono? Era provável que eu respondesse: Sono? Quem está com sono? Estava deliciosamente envolvida em leituras tão interessantes que sentia minha alma alimentada, preenchida. Momentos de Plenitude onde o sono não me fazia falta alguma. Sentia-me feliz!

Eis então que me rendi à interatividade de uma rede de relacionamentos, e entre um clique e outro, um link levou-me ao perfil de Eugênio Mussak, Educador e Escritor - E como escreve! Identifiquei-me instantaneamente e não consegui mais parar de lê-lo. Posso dizer que fui conquistada a primeira leitura, pois sua maneira de escrever, de expressar o que pensa de forma clara e simples, possibilita-nos o entendimento e compreensão independente do que ele esteja discutindo em seus textos. Um brinde a didática, a quem a domina e, mais que isso, faz dela o melhor uso possível: Ensina!

Esta noite de encontro comigo mesma certamente foi possibilitado em especial por meio da reflexão e diálogo entre a abordagem de Eugênio Mussak e os meus questionamentos dos últimos dias, que divagavam sobre o porquê razão e emoção algumas vezes estão em direções tão diferentes ou até mesmo opostas.
No texto “O amor é racional?” de Eugênio Mussak (Revista Vida Simples nº 97 – 01/10/2010), o autor nos faz pensar e questionar a possibilidade de racionalizar os atos relacionados ao amor. Uma provocante pergunta. No entanto, naquele momento fixei-me nas definições e explanações acerca das vilãs de minha noite: razão e emoção.
Questionei-me por dias sobre as possíveis razões de estar me sentindo especialmente insatisfeita atualmente, mesmo quando observo minha vida pessoal no detalhe e consigo perceber que tenho muito mais motivos para me alegrar e comemorar do que para reclamar. Racionalmente, tudo em ordem e seguindo conforme o plano. No entanto, de alguma forma o lado da emoção está mais complexo e a sensação de vazio permanece insistente.

Esses temas são sempre recorrentes nas conversas entre amigas, mesmo nos finais de semana de aulas na pós-graduação, onde eu e as demais colegas costumamos almoçar juntas, após o almoço seguem-se longas conversas filosóficas sobre nossas vidas, o que desejamos e o que certamente não queremos. Nossos sonhos e aspirações divididos algumas vezes de coração aberto, outras nem tanto. Nem sempre somos bons em admitir nossos medos e fraquezas frente aos desafios que nos são propostos ou até mesmo impostos. Mas são sem dúvidas conversas despreocupadas, divagações que nos servem como uma terapia em grupo que aliviam um final de semana intenso de aulas bastante técnicas de como administrar/gerenciar isso ou aquilo...

No último final de semana, conversamos sobre o que acontece para termos tantos momentos de inconstância emocional, e o quanto esta nos tira do centro e bagunça tudo. É como se as emoções às vezes pusessem nossas vidas viradas de cabeça para baixo. E olha, concluímos que nem sempre é culpa daqueles hormônios que nos fazem surtar durante a famosa TPM. Aí eu pergunto, onde anda a razão à uma hora dessas que não ampara e nem orienta nossa emoção?! Tomando um suco de laranja na esquina! Deve haver uma linha muito tênue entre nossa emoção e razão, onde a qualquer instante uma domina ou se sobrepõe a outra. Percebo que é preciso estar atenta para isso, ou nos perdemos mesmo sem querer!

Mas continuando sobre a leitura citada anteriormente... Deparei-me com uma possível explicação que justifica ou sugere algo que me leve a entender melhor a sensação de vazio ou insatisfação, mesmo quando vejo tudo racionalmente em ordem. Tal explicação aponta que para nos sentirmos plenamente realizados ou felizes, precisamos estar em equilíbrio com nossa razão e nossa emoção simultaneamente. Ambas precisam estar vivenciando situações confortáveis, agradáveis para então termos a sensação de sentirmo-nos completos: FELIZES! Isso explica muita coisa, aliás, muitas coisas. Agora, análise a partir dessa reflexão passa a focar-se na minha pessoa propriamente dita.

Se com a vida está tudo bem, em ordem e onde deveria estar, algo não está necessariamente em ordem ou onde deveria, dentro ou até mesmo fora de mim?! Bingo!!! Inconscientemente talvez já tivesse a resposta que buscava, mas estava tentando ignorar ou esconder de mim mesma. Aquela estória, quando você sabe o que tem que fazer e que atitudes tomar, não tem mais desculpas, precisa agir! Espero que mudanças de algumas atitudes tragam-me novamente o equilíbrio e alguns outros instantes de plena felicidade.

Quando me refiro no parágrafo anterior a “instantes de felicidade”, não estou reclamando ou choramingando. Definitivamente, não! Refiro-me a felicidade plena ou absoluta definida como sendo possível apenas quando razão e emoção estão em situações boas e equilibradas entre si. Saber da dificuldade desse equilíbrio, de certa forma nos leva a aceitar a felicidade possível e não apenas aquela felicidade plena. Aceitar, não no sentido de nos acomodar com qualquer coisa, mas de nos permitir aproveitar mais e melhor pequenas alegrias colhidas aqui e ali, em diferentes momentos ou situações da nossa vida.

A Isa sempre diz que penso demais, racionalizo demais e talvez por isso acabe me sentindo doida ou até insatisfeita demais. Quero respostas ou até mesmo perguntas que me façam entender o quê ou o porquê determinadas coisas são deste ou daquele jeito. Tenho receio das decisões ou atitudes baseadas na emoção. Não sou o tipo de pessoa que costuma se arrepender das coisas que faz, mas nas vezes que isso aconteceu, certamente foram situações que me deixei levar sem o norte da razão.
Ainda durante minha conversa com Isa, ela me aconselhou humoradamente a algo do tipo: “Deixa a vida te levar Rê... Sem se preocupar tanto!” Respondi com humor também, dizendo que este poderia ser um conselho muito perigoso! (desse ponto em diante passamos só a nos divertir, rir com as coisas possíveis e impossíveis se deixássemos a vida simplesmente nos levar – Impublicáveis... Só rimos!!).

Deixar a vida nos levar, de certa forma pressupõe deixar a emoção nos levar... Afinal, quem sempre nos alucina é a emoção, que nos provoca o entusiasmo e este nos faz motivados a fazer mil e uma coisas. Ao passo que a razão não nos impede, mas nos freia fazendo com que pensemos antes de agir. Ela nos alerta para o fato de que para tudo que fizermos ou decidirmos, teremos que enfrentar e responder as conseqüências destas. Apenas mais um dos mil e um motivos para razão e emoção tão discordantes por vezes, andarem sempre de mãos bem dadas. Sem nos impedir de viver e fazer algumas coisas até mesmo não tão certinhas às vezes, mas dando-nos ciência plena de nossa responsabilidade única sobre nossas próprias escolhas, sejam elas quais forem!

sexta-feira, outubro 29, 2010

ESPELHO* (by Sylvia Plath)

"Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro".

*Fragmento de um poema belíssimo de Sylvia Plath... Pode-se fazer boa reflexão deste!

segunda-feira, outubro 18, 2010

VOCAÇÃO: PROFESSOR (by Rê Michelotti)

Imagem produzida no mywebface a partir de uma foto minha.

Hoje logo cedo, me deparei com um recado deixado no orkut pela Isa, me parabenizando pelo dia 15 de outubro, ou melhor, nos parabenizando! O recado dizia: "Parabéns pelo nosso dia!" Por um momento tive que pensar que dia era esse... Meu Deus, a que ponto chegamos! Eu, uma professora de alma e coração tendo que pensar sobre que data comemorativa era 15 de outrubro.
Certamente a mídia de massa me atingiu esse ano e acabei me apegando mesmo sem querer a data mais importante deste mês: o dia da criança - uma data mais que comercial, diga-se de passagem. Afinal de contas, para que mais serve o dia da criança se não para o comércio motivar as pessoas a comprar mais e mais?!

Adoro crianças, e essa razão me basta para achá-las especiais sempre, independente da data. É nosso dever cuidar, dar carinho, atenção e tudo que elas precisarem... Isso obviamente inclui também um brinquedo ou outro. Faz parte do desenvolvimento da criança o brincar, criar e fantasiar com seus brinquedos... Pena é ter que haver uma data específica para que lembrem disso. Será que alguém daria brinquedos se não houvesse o dia da criança?! Não vamos generalizar, alguns dariam sim, mas nem todos...Uma pena!

Enfim, fixei-me no dia da criança e esqueci meu dia, nosso dia caros colegas de vocação... Isso faz com me sinta uma traidora de mim mesma. Mas aí fico aqui tentando achar algo que ao menos tente justificar essa falha, em especial comigo mesma e me pego fazendo um "remember" dos dias anteriores, onde em momento algum ouvi falar sobre o dia dos professores. Pasmem, não foi só a mídia que não focou seus holofotes nesse dia, muitas escolas também não! Pense o quanto nós professores estamos em alta nas instituições Brasil a fora.

Acabo por ter uma tristeza momentânea com o descaso por uma profissão que considero tão valiosa; por uma profissão que está diretamente ligada a formação de tantos outros profissionais, e tudo que consigo observar dessa última data de teórica comemoração, é o esquecimento.

Não se pode viver apenas de elogios a nossa grande dedicação e entrega como professores - e de fato não se vive. Mas ouvir ou relembrar uma vez ou outra que nosso trabalho é importante para futuro de nossos jovens, para as instituições de educação a que fazemos parte, teria sido no mínimo um breve incentivo a continuar na luta... Mas enfim, sonhar não custa nada mesmo!
O professor que deveria ser um intermediador do conhecimento, hoje em dia pode correr o risco de não passar de um intermediador de "negócios educacionais''. Onde na verdade me vem um pensamento um tanto grosseiro, mas infelizmente bem real, que fala mais ou menos assim: ''hoje em dia a escola está interessada em vender diplomas, o aluno em comprar, e o professor é apenas aquele que atrapalha a negociação". Que país é esse?! Tem mesmo que se rir para não chorar! (Será?!)

Acabei por voltar ao início do texto e reler o que tinha escrito até aqui... melhor parar logo, antes que eu fale além do que devo neste momento. E outra, chega de reclamar né?! Já desabafei através dessas breves linhas, já renovei meu ar. Estou pronta para outra!

Ser professor não é profissão apenas, mais que isso, é vocação. Para continuar na busca pelo que acreditamos e nos faz realmente felizes e realizados profissionalmente, apesar de, ainda que... Mesmo assim, em um país como o nosso, que pouco se importa com a educação, a motivação para seguir nosso destino tem que partir de nós mesmos. Somos nós que devemos criar interesses próprios, curiosidades particulares, motivações que nos impulsionem... Como já citou Paulo Freire "Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino".
Deixo aqui registrado os meus sinceros ''parabéns'' e profunda admiração por todos aqueles que vivem sua vocação de ser professor e são verdadeiramente felizes com esta escolha, apesar de... Apesar de tudo!

sexta-feira, setembro 10, 2010

DIVAGAÇÕES: VIVER & MORRER (by Rê Michelotti)

Imagem disponível em:http://suefb.blog.uol.com.br/images/alicinamil_homens_flor.jpg

Em momentos assim, é difícil definir exatamente o que se sente, o que nos vai na alma verdadeiramente. É um misto de sentimentos que demoram a sair do labirinto da nossa mente, para que finalmente possamos ao menos tentar racionalizar o que é possível.

Acreditamos que a possibilidade da antecipação de determinados fatos não tão bons da vida, nos darão condições de estarmos ou de nos sentirmos mais preparados para quando estes se concretizarem. Que estaremos mais fortes para enfrentar cada momento difícil e que de alguma forma já havia sido previsto. Grande ilusão!

Para determinadas coisas da vida, a gente pode pensar mil vezes, buscar racionalizar outras mil e uma vezes... Mas nunca o que supostamente acreditamos saber, pode ser comparado com o que realmente é!

Encontrá-la sem mais nenhuma possibilidade de vida, causou-me uma dor muito grande. A dor da certeza que se materializa frente a prova incontestável da verdade absoluta que se pode até tocar. O fim de sua passagem aqui nesta vida... E talvez, o reínicio em outra dimensão. Sinceramente, procuro apenas pensar que será um lugar melhor do que este em que vivemos. Isso me basta.

Cada um tem seu jeito de expressar sua dor, sua perda, sua falta... e quem sou eu para julgar ou comparar os sentimentos dos outros. No entanto, em momento algum eu pude me desligar daquele que fez da minha mãe sua maior motivação de viver, lutar e crescer. Daquele que com ela partilhou coisas boas, ruins, tristes ou alegres. Daquele que foi seu companheiro de todas as horas durante 20 anos em que dividiram não só a mesma cama, mas o mesmo teto, a mesma família. Que dividiram vidas e experiências únicas que só a eles pertenceu.

Todos sentiram e vão continuar ainda sentindo por muito tempo a ausência, a saudade da presença, da fala, do riso e até mesmo do choro que lhe era tão presente, por ter sido sempre uma mulher ''a flor da pele''. É sempre muito triste perder aqueles que nos são tão próximos, mais que isso, nos são tão especiais e a nossa maneira amamos profundamente. Mas eles se vão e nós temos que continuar... E para ele, a tarefa vai ser com certeza muito pesada. Daqui pra frente, ele continua sua caminhada sem a mulher com quem ele vivia todos os momentos de sua vida. Essa é a parte mais triste que se pode vivenciar.

Após os atos funebres, o levavamos para casa... A casa que era "deles", agora configura-se apenas como a casa "dele". Tenho certeza que meus olhos assistiram neste momento a uma cena breve, mas que eu jamais vou esquecer: Ele desceu do carro, se despediu com um leve sorriso de quem agradece a gentileza de o ter deixado em casa e começa dar os primeiros passos em direção a casa. Casa que daqui pra frente será apenas ''dele''... Não mais que meia dúzia de passos o afastam do carro e na mesma proporção o aproxíma da casa... Observo ele caminhando lentamente, como quem reza para que demore a chegar lá... Põe a mão no bolso e tira um pequeno lenço amassado... Leva aos seus olhos e seca as lágrimas que insistem em cair. A dor da separação, da perda e do início de uma longa saudade que sabemos jamais será satifeita aqui nesta vida.

Fiquei eu então tentando me aproximar do que ele pensava naquele breve instante... Tantas coisas devem ter vindo a mente dele. Como sempre dizem, um filme deve ter passado a vida dos dois inteira num momento tão pequeno. Quantos questionamentos de como ele poderá seguir agora sem a presença e companhia dela. E aí, recordei-me de um texto que li certa vez, que era justamente sobre esses momentos tristes que vem com a morte de alguém tão próximo, da morte do nosso amor... Texto supostamente escrito por um homem, que o tempo todo diz desejar que sua mulher morra antes dele... E somente no final ele declara exatamente as razões desse desejo. Pelo desejo de poupar sua mulher da dor da perda, da solidão e da saudade. Ele não queria que ela passasse por algo que para ele era tão doloroso só de pensar... E que então fosse ela a primeira a morrer, para que ele sentisse todas essas dores e aflições que vem com a perda de um amor que se vai assim, desse jeito...

Isso tudo foi imensamente forte e marcante pra mim... Não foi minha primeira perda significativa, pois já tive outras: meu pai, uma irmã, alguns irmãos e uma tia muito especial. Isso sempre mexe muito com a gente, mas por outro lado nos faz rever conceitos e como vivemos nossa própria vida. Aí fiquei aqui divagando sobre a vida e a morte....

Quando adolescente pensava na morte de maneira bastante egoísta... Porque basicamente a minha morte me assustava. O medo do desconhecido, do não saber como ou para onde seriamos levados quando nossa vida aqui na terra fosse encerrada definitivamente. Saber da morte de alguém automaticamente me levava ao encontro dos meus próprios medos.

Mas o tempo passa, a gente cresce, aprende e amadurece tantas coisas em nossa cabeça, inclusive as tão misteriosas e incertas quanto a morte. Se estabelecemos um conceito certo ou errado acerca disso, não sei... Mas que estabelecemos algumas verdades particulares, estabelecemos!

Nossa vida aqui é uma passagem, não mais que isso. Uma passagem que se molda e toma a forma e o gosto dos lugares em que estivemos, das pessoas que conhecemos, das emoções e sentimentos que nos fizeram sentir ou que nós mesmos nos permitimos vivenciar.

Pensar nessa breve passagem me faz perceber o quanto o tempo é precioso... E mais do que isso, que todo tempo gasto não se recupera mais. Não podemos desperdiçar nosso tempo com pequenas experimentações ou tentativas. Não podemos desperdiçar nosso tempo com longos projetos elaborados e incertos. Entendo que rascunhos são sempre uma forma de tentar encontrar uma certeza, uma segurança de que tudo vai dar certo. No entanto, nem sempre conseguimos que o nosso rascunho seja passado a limpo!

Não se precisa pensar viver cada dia como se fosse o nosso último, isso soaria um tanto dramático demais. Mas viver como esse fosse mais um dia especial e fazer dele mais um dos tantos "melhores dias" de nossas vidas. Viver com intensidade, vontade... Lembrando que para isso, não precisamos ser impulsivos, imprudentes ou inconsequentes. Precisamos apenas de um pouco mais de coragem.

Não vamos perder a sensatez, mas vamos tentar viver de maneira mais corajosa... Como quem tem nas mãos um rolo de formulário contínuo, que não nos permite saber exatamente onde o papel vai acabar ao final do rolo... E para escrever, uma caneta daquelas antigas, de quatro cores... Onde podemos uma vez ou outra ressaltar algum acontecimento colorindo com cor diferente, sublinhando ou desenhando umas estrelinhas... Mas que no entanto, como outra caneta, não é a ideia para rascunhos, pois não podemos apagar sem deixar uma grande rasura... Passar a limpo?! Talvez dê tempo, talvez não...

segunda-feira, agosto 23, 2010

DESSE JEITO (by Rê Michelotti)

Quando falam sobre nossa personalidade, temperamento ou simples jeito de ser e encarar a vida, as pessoas em geral, maneram para dizer como nos veêm. Ficam com receio de nos chatear ou magoar. Mas penso que quem nos conhece de verdade, pode emitir com precisão como realmente somos, sem nos causar nenhum desconforto. Quem nos conhece, não vai inventar algo, vai apenas descrever o que nosso jeito tem de mais evidente, e que no fundo nós também sabemos e não podemos discordar.

Durante uma conversa (quase) filosófica no msn... O amigo M. Fossa comenta como percebe o meu jeito. Embora não sejam apenas rosas, esta descrição revela sim, parte de mim. Não posso negar! Mas, apenas parte!

"Você é mandona e as coisas tem que ser do seu jeito... Então, quando não é você quem toma uma decisão, em geral, você não gosta!
Esse é o seu jeito... E quem gosta de você de verdade, tem que aprender a lidar com isso. Você é assim meu anjo... Mas tem muitas qualidades que superam esse seu jeito difícil. Como seu amigo, acredito que posso dizer o quanto você vale a pena." (M. Fossa)

Nossas qualidades devem se sobressair aos nossos defeitos, mas nem por isso estes deixam de existir ou ter pouca importância na construção de quem somos. Devemos reconhecer nossas falhas, não para mantermos nosso modo de ser, com aquela idéia de apenas afirmar que "É meu jeito. Eu sou assim!", mas para podermos, quem sabe, vir a nos transformar naquela pessoa que realmente desejamos ser.

quinta-feira, agosto 19, 2010

ALIMENTE SENTIMENTOS, NÃO DÚVIDAS (by Rê Michelotti)

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Não tenho razões para meias palavras. Prefiro preto no branco, pois não gosto da dúvida! Ainda que banir a dúvida seja algo utópico, quero distanciar-me o máximo possível dela.

A dúvida não é boa companhia. Ela não vem só...Traz consigo o medo e a incerteza. E se existe algo a ser construído, que seja por inteiro, de verdade; Sem espaços a dúvida!

E para isso, só tem um jeito...
Responda, explique-se, faça-se entender e elimine as dúvidas. Da mesma forma, pergunte, questione, se é sim, ou se é não... Faça com que sejam transparentes com você também.

As coisas não vão ser assim eternamente, mas serão até que as dúvidas sejam esclarecidas, e estas deêm lugar para que a segurança e a confiança se alicercem entre dois. Não se constrói nada realmente sólido sem a presença do diálogo e algum esforço recíproco, no sentido de ajustar a ordem natural das coisas e dos dois!

Cada pessoa tem um jeito de ser e de demonstrar o que sente ou gosta. Mas, mais do que demonstrar ou dizer o que se sente, é importante termos a sensibilidade e empatia para nos colocar no lugar do outro. Quando se trata de nossos sentimentos, será que somos tão claros quanto supomos ser?

Se deseja demonstrar o quanto gosta de alguém, não adianta fazer isso do seu jeito, como você gosta ou do jeito que você acha serve. O seu jeito é diferente, e por isso, talvez insuficiente para que o outro sinta, com a intesidade que você gostaria que sentisse.

Como seres únicos em nossas diferenças, não recebemos e nem decodificamos as mensagens exatamente da mesma forma. É preciso saber qual é o jeito, a maneira mais direta e certeira para que nos entendam, percebam e principalmente, sintam da forma mais plena que seja possível. Sintam nosso carinho, sintam nossa amizade... Paixão... Amor... Desejo... Prazer... Sem deixar dúvida. Nenhuma dúvida!
O que precisamos alimentar são os sentimentos, não as dúvidas!!!

terça-feira, agosto 17, 2010

QUEM É MESMO QUE COMPLICA?! (*)



Se a gente se insinua, é uma mulher atirada.
Se a gente fica na nossa, ta dando uma de difícil.
Se a gente aceita transar logo de cara, é uma mulher fácil.
Se a gente ainda não quer, está fazendo doce.

Se a gente põe limitaçõs no namoro, é autoritária.
Se concorda com tudo que ele diz, é uma tonta, sem opinião.
Se a mulher batalha por estudos e profissões é uma ambiciosa.
Se não está nem aí pra isso, é dondoca.
Se a gente adora conversar sobre política e economia é feminista.
Se não liga para estes assuntos é alienada.
Se a mulher corre para matar uma barata, não é feminina.
Se corre de uma barata, é uma medrosa.
Se a gente aceita tudo na cama é vagabunda. Se não aceita é fresca.
Se a mulher ganhar menos do que o homem, tá querendo ser sustentada... Se ganhar mais, tá querendo humilhá-lo.
Se a gente adora roupas e cosméticos, é narcisista. Se não gosta é sapatão, ou no mínimo desleixada.
Se sai mais cedo do trabalho é folgada... Se sai mais tarde, esta dando para o chefe.
Se gosta de TV, é fútil. Se gosta de livros, tá dando uma de intelectual.
Se a mulher quer ter cinco filhos, é uma louca inconsequente. Mas se só quer ter um, é uma egoísta que não tem instinto maternal.
Se a gente se aborrecer com certas atitudes dele, é uma mulher dominadora.
Se aceitar tudo que ele faz, é submissa.
Se a gente gosta de Rock, é uma doida chapada!
Se gosta de música romântica, é brega.
Se gosta de música eletrônica é porra louca.
Se a gente faz uma cena de ciúme, certamente é neurótica. Mas se não faz, não sabe defender seu amor!
Se a gente fala mais alto que ele, é uma descontrolada. Se a gente fala mais baixo, é subserviente!
Pô...E depois ainda dizem que mulher é que é complicada...


(*) Recebi este texto de uma amiga via email e infelizmente não sei quem o escreveu. Se alguém que passar por aqui souber o verdadeiro autor, por favor, me deixe um post. Thank's.

segunda-feira, agosto 16, 2010

CRASH - NO LIMITE (by Rê Michelotti)


Neste último final de semana, recomendada pelo amigo e jornalista Ricardo Labajos, assisti ao filme Crash. Ele não só recomendou o filme como também gentilmente emprestou-me o DVD.

O filme Crash do diretor Paul Haggis, traz uma coletânea de histórias que inteligentemente se inter-relacionam e nos mostram diferentes visões das complexas questões raciais que acontecem atualmente na América. Os personagens envolvidos nesse emocionante filme têm suas vidas abaladas por diferentes dramas, todos estes provenientes de alguma situação de preconceito vivida; e que fazem, de repente, com que suas vidas acabem colidindo.

Mais do que falar sobre o preconceito, demonstra por meio das várias histórias que este ainda esta presente em nossa sociedade e mesmo aquele que se diz uma pessoa sem nenhum preconceito, se analisar mais profundamente poderá encontrar algum resquício preconceituoso, seja ele da ordem que for.

Infelizmente não estamos imunes ao preconceito, mas precisamos começar a desmitificar este assunto, abordá-lo, discutí-lo para que este seja entendido, e quem sabe um dia, consigamos exterminá-lo de vez de nossa sociedade. Utopia talvez, mas preciso acreditar que isso um dia venha ser possível de verdade!

Como sempre escrevo aqui no blog, eu realmente acredito que não existam pessoas melhores ou piores que as outras, somos apenas diferentes. E nas histórias vividas no filme, onde, diga-se de passagem, nenhuma é mais ou menos importante ou interessante que a outra. Bem como, percebemos também o quanto o ser humano é uma mistura de sentimentos, de virtudes, de bondade e maldade. Ninguém é totalmente bom, tampouco se pode dizer que alguém é mal em sua totalidade. Bondade e maldade andam juntas.

O meio em que vivemos e as influências que sofremos durante a vida nos fazem ir mais para um lado ou mais para outro. Fica claro que são nossas opções ou escolhas que nos fazem ser assim diferentes uns dos outros. E tudo isso faz com que cada pessoa passe a lidar de forma única com seus problemas e dramas, partindo de suas próprias referências construídas.

É preciso de uma vez por todas abandonar os rótulos, e entender que a primeira impressão que temos de alguém não necessariamente é a que deve ficar. Nem tudo que parece é! Nem tudo que parece bom, se faz verdadeiramente bom na prática; assim como nem tudo que parece ruim, se materializa em forma de maldade. Como diz Clarice Lispector: "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar".

A nossa vida é construída de pequenos instantes e cada um deles nos exige um comportamento específico, assim, as circunstâncias em que conhecemos alguém, pode não ser o retrato fiel daquela pessoa, mas apenas uma pequena parte dela.

Outro aspecto abordado nesse filme e que também se deve refletir, é o quanto nós nos conhecemos, em especial quando estamos em uma encruzilhada, num beco sem saída ou em uma situação de real apuro. Quando algumas situações da vida nos colocam contra a parede, quem sabe nossas atitudes/ações podem surpreender ou chocar não apenas aos outros, mas à nós mesmos. Gostaríamos de nos conhecer, mas de fato, não temos certeza!

Neste filme não há uma história contada que se possa dizer mais interessante que a outra... São situações, momentos e sentimentos diferentes, mas todos eles vividos de corpo e alma pelos atores. No entanto, deixo aqui um comentário especial sobre a pequena Karina Arroyave - que dá vida à personagem Elizabeth, que mesmo tão pequena soube traduzir com muita emoção e realismo o momento da cena em que ela protege seu pai com sua incrível capa invisível. Momento intenso, que mistura ingenuidade, fantasia e amor de verdade.

Crash não é um documentário, não é um filme literalmente baseado em uma história real, mas com certeza você vai perceber e sentir que é um filme que poderia retratar a vida de muitas pessoas que você conhece, quem sabe até mesmo a sua. Um filme com histórias que podem causar inúmeros sentimentos, mas jamais indiferença!

Sei que gostar ou não das histórias do filme como um todo, é algo bem particular... Mas aqui deixo o meu depoimento superpositivo sobre Crash, pois este foi com certeza, o melhor filme que eu já tive a oportunidade de assistir.

Ricardo, obrigada pela dica especial... Você agora tem mais alguns créditos comigo!

“Isso é o senso do toque. Numa cidade real, você anda, sabe? Você esbarra nas pessoas, as pessoas esbarram em você. Em L.A, ninguém toca você. Estamos sempre atrás de metal e vidro. Eu penso que perdemos tanto esse toque, que batemos uns nos outros, só para sentirmos alguma coisa”. (Crash - No Limite)

quinta-feira, julho 22, 2010

ADORO GATO PRETO (by Rê Michelotti)




O que é superstição? Segundo o Dicionário Aurélio online, a palavra superstição esta descrita literalmente como: "s.f. Desvio do sentimento religioso, fundado no temor ou na ignorância, e que empresta caráter sagrado a certas práticas destituídas de qualquer transcendência; crendice. / Presságio infundado e vão, tirado de acontecimentos meramente fortuitos (como de uma vasilha emborcada, do número 13 etc.). / Excesso de zelo; dedicação exagerada: ter a superstição do passado”.

Já pelo Dicionário Informal da internet, elege-se como definição de superstição a "Crença sobre relações de causa e efeito que não se adéquam à lógica formal, ou seja, são contrárias à racionalidade. Como a crença comum, no Brasil, de que quebrar um espelho causa sete anos de azar".

Com base nessas duas definições e tantas outras coisas que já li sobre superstição, concluo que não sou uma pessoa a quem se possa chamar de supersticiosa. Minha racionalidade supera essas crenças sem nenhuma lógica. Eu passo embaixo de escada, viajo na poltrona de número 13, e tampouco acredito que quebrar um espelho possa me causar sete anos de azar. Sete anos de azar? Com base em que vou acreditar nisso? Diz ainda à superstição que cruzar com gato preto é azar na certa... Adoro gatos, inclusive os pretos!!!

Em nome de superstições relacionadas ao gato preto, muitos desses bichinhos sofrem maus tratos e até mesmo são sacrificados, tudo por alguns acreditarem que estes são sinônimos de azar ou mau agouro. Isso é muita crueldade. Tenha a santa paciência com pensamento de tamanha ignorância. Esqueçam esses preconceitos insensatos e deixem os gatos pretos viverem suas sete vidas!

Perdoem-me os supersticiosos, eu não estou aqui para criticá-los e respeito quem de fato tem superstições, seja lá no que for. Cada um, cada um! Mas preciso pedir que também respeitem os que não tem e que, por favor, parem de repassar por email, ou qualquer outra forma eletrônica existente, essas correntes que dizem que se você não ler ou não repassar a mensagem para mais dez, quinze, vinte amigos, não terá o desejo atendido ou o desejo vai acontecer ao contrário do que você pediu. Não tem como, isso já é forçar demais a amizade!

Essas correntes sem lógica só lotam nossos emails de lixo, nos fazem perder tempo e a paciência com a repetição diárias dos mesmos. Sim, alguns são tops: um amigo manda para você e para outros dez amigos em comum, e estes dez reencaminham a mesma mensagem para você... Não demora muito, nem se faz necessário abrir os demais emails, é só clicar e deletar. Logo, se a corrente precisa andar, evoluir, crescer, "não parar" como na maioria delas está escrito... Please, não mandem para mim, pois não quero ser a pessoa que vai fazer o algo tão importante da vida de alguém não acontecer porque a corrente parou... Parou entre os excluídos na minha lixeira!

Gosto de receber textos que tenham um conteúdo legal, uma crônica, uma crítica de cinema, uma bonita poesia, uma música e até mesmo uma piada espirituosa. É bom podermos dividir coisas interessantes com nossos amigos, mas antes de dar um “Encaminhar”, tente peneirar, reciclar o que vai enviar. Não mande tudo que receber a todos os seus contatos indiscriminadamente. Nem todo mundo aprecia correntes eletrônicas supersticiosas e afins. Pense nisso!

segunda-feira, julho 05, 2010

Quase Privado (by Rê Michelotti)



Toda quinta-feira o ritual se repete. Os passos apressados e intensos do vizinho do apartamento de cima denunciam sua chegada por volta das 19h. Ele não me parece muito sutil/delicado para suas atividades cotidianas, a exemplo dos sapatos que ao retirá-los dos pés, ele parece enterrar o mesmo no piso do apartamento, tamanho barulho se escuta ao jogá-los no chão.

Os passos apressados se seguem num vai e vem meio frenético, até que o chuveiro é ligado fortemente e água escorre pelo ralo por um bom tempo. Após, breve sossego! Creio que nessa hora ele aproveite para relaxar. Mas não demora muito e o abre e fecha de gavetas, bater e fechar de portas dos armários continua. Nesse meio tempo, ele fala repetidas vezes ao telefone. Por volta de 21h ele esta pronto. Escuta-se os pés calçados novamente caminhando até a porta da sala que é fechada com vigor. Ufa, ele saiu!

Apenas para que você entenda o porquê desse ritual da quinta-feira, faço aqui literalmente um parêntese: (Nesta cidade, eu poderia dizer que quinta-feira não é o dia “D”, mas sim o dia “C”. Dia “C”... De “Caça”!!!). Continuando...

Por volta de uma ou duas da manhã ele retorna, só que desta vez, acompanhado. E mais uma vez o barulho recomeça. Acredito que a essa altura o álcool já está acima dos níveis aceitáveis, logo, faz com que ele acredite que é o único morador do condomínio. Declara o verbo, solta o riso e quase quebra a cama. Enfim, parece voltar à primeira infância. Pega-pega, gato e rato são suas brincadeiras favoritas! Um surto na madrugada!

A pessoa que o acompanha no retorno da “night” pelos saltos irritantes e risinhos bobos é definitivamente do sexo feminino. Assim como o anfitrião, ela também segue acreditando/despreocupada se todo fusuê acorda/incomoda alguém no meio da madrugada!

Passada a fase de reconhecimento do ambiente e o quebrar de gelo entre as partes, seguem-se barulhos mais específicos, como os risos incontroláveis da “amiga” que está com ele. Às vezes me pergunto... Será que ele porventura utilizaria alguma fantasia? Palhaço, Power Ranger, Superman. Do que seria? Sei lá, ela ri tanto, que só pode ser algo neste estilo! Ou pensando bem, talvez ele tenha problemas para usar com propriedade o que deveria, e ao invés de prazer ele só consiga causar cócegas! (Me perdoem, não poderia perder a piada... Risos).

Voltando a falar sério agora, se é que tudo isso pode ser considerado algo sério... Eu não estou aqui para difamar a vida sexual do pobre advogado baladeiro de quinta. Calma, quando falo de quinta, é de quinta-feira só! Ele até que dá umas dentro. Literalmente! Tanto é verdade, que ele agora até firmou os encontros com uma única alma feminina. Os risos atuais são sempre os mesmos das semanas anteriores, ao que me parece.

Como falava antes, talvez o tal “quebrar o gelo” entre as partes, seja algo do tipo engraçado e que se estenda um pouco, por isso tantos risos. Até porque um encontro caliente também pode ter seu lado mais “happy” vamos assim dizer! Ainda que eu particularmente prefira o que há de mais intenso em momentos como esses. Mas enfim, o fato é que depois de quebrar o gelo, ele consegue também quebrar outras coisas, como a cama por exemplo. A moça também faz sua parte para deixar claro que ele causa mais que risos. A menos que ela estivesse fingindo, o que não creio. Ela não voltaria repetidas vezes apenas para testar suas aptidões de representar! Deve estar valendo a pena para ela, ou melhor, para eles!

É... Morar em apartamento tem disso, se você mora ou já morou em um, deve saber do que estou falando. Querendo ou não, muitas vezes você vai participar de coisas como essas!

Sorte dele que a vizinha de baixo sou eu, e muitas vezes ainda estou acordada quando todo o "auê" acontece. E mesmo que já dormindo, consigo me isolar da “festa no Ap.” de cima e continuar no meu décimo sono... Ou, na melhor das hipóteses, me divertir um pouco com tudo isso. É bom saber que mesmo enquanto alguns dormem, outros se divertem ou acreditam que são felizes, ainda que por breves momentos... São Felizes!

Creio que já acostumei ao esquema de toda quinta-feira... Mas fico pensando se ele sonha que nem tudo na vida dele é tão privado quando possa acreditar que seja. Tudo é apenas “quase” privado!

quarta-feira, maio 12, 2010

A ÉTICA NO AMOR JÁ NÃO É MAIS A MESMA PARA TODOS. CADA UM ELABORA A SUA (by Nahman Armony*)

Imagem disponível no Google

O código individual é construído a partir da educação, dos próprios desejos e de determinados sentimentos. Para alguns, ser ético é obedecer aos instintos e não se reprimir, por exemplo, diante de uma forte atração sexual, ainda que ela surja fora da relação amorosa. Para outros, a infidelidade é inadmissível. Quando duas pessoas assim se amam, o confronto é inevitável.

Os pensadores da atualidade chamam a atenção para uma mudança fundamental na mentalidade humana. No passado, acreditava-se em princípios universais que, mesmo transgredidos, eram aceitos por todos em uma cultura. A pessoa, ao transgredir, sabia estar indo de encontro à Verdade de seu grupo.

Hoje temos uma dispersão da Verdade. Cada um constrói sua ética e tenta agir de acordo com ela. A elaboração dessa ética varia de pessoa para pessoa. Nela se misturam mandatos advindos da educação, da realização dos desejos próprios e de um cuidado com os outros, seja por amor, seja por convicção filosófica. Não estou falando de elaboração consciente, que pode existir, ou se manifestar em algum instante, mas de uma forma não-consciente de agir.

Muitas vezes a ética explícita não é a mesma do inconsciente, o que provoca mal-estar e sentimento de culpa em algumas situações. Por exemplo: a ética de uma pessoa lhe diz que a infidelidade não é reprovável, mas ela se sente culpada quando acontece. Vamos pensar em um caso concreto: um jovem adulto, criado em ambiente religioso e repressor, apresenta dificuldades sexuais, as quais o desvalorizam e revoltam. Ele se rebela contra a educação recebida e elabora uma ética própria, em que a sexualidade é um direito de todos. Algo importante está ocorrendo. O rapaz desafia, a partir de seus instintos e desejos, a força dos mandatos parentais, que, à sua revelia, se tornaram parte deleo. E sua elaboração ética vai além. Para ele, é possível haver infidelidade na relação amorosa, pois esta não deve impedir que um intenso desejo sexual seja realizado. Sua ética está no respeito ao impulso. Pode-se pensar que este fragmento ético tem sua origem afetiva no desejo de experimentação e variedade (não quero repetir o argumento biológico darwiniano da máxima transmissão dos caracteres hereditários).

Pois bem, esta é a ética que ele apresenta à namorada: ambos teriam o direito a aventuras sexuais. Talvez peça a ela discrição, pois se vier a saber da infidelidade sofrerá. A moça, porém, tem outra ética. Para ela a fidelidade sexual é um princípio cuja quebra é inaceitável. Se o namorado tiver uma aventura, terminará o namoro. Temos aqui duas éticas em confronto, o que não acontecia no tempo em que havia apenas uma Verdade: para o rapaz o ético é não impedir a realização de um forte impulso; para a moça o ético é preservar a fidelidade a qualquer custo. Uma diferença de ajuizamento e um impasse.

O mais coerente seria terminarem o namoro antes que um aprofundamento da relação viesse a fazê-los sofrer na eventualidade de uma traição. Acontece que os dois se amam. Um deles irá ceder. Mas será uma frágil renúncia. Ou ela se sentirá ofendida se houver infidelidade ou ele se sentirá cerceado por não poder se entregar a um desejo intenso. A situação poderá dar origem à dubiedade. Mantendo-se fiel a sua ética, à qual não pode renunciar já que se trata de um princípio básico, ele "sabe" que em situações excepcionais cederá ao desejo. Mas como está interessado na namorada, não deixa claros, nem para si nem para ela, seus sentimentos. Ela aceita esse estado ambíguo porque não quer um rompimento. Ambos concordam em manter uma semimentira e uma semiverdade. Está criado o cenário para sofrimento futuro.



* Nahman Armony, médico psicanalista, é membro da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (Spid), do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro e da Federação Internacional das Sociedades Psicanalíticas. Publicou, entre outros livros, Borderline: Uma Outra Normalidade. E-mail: nahman@uol.com.br

terça-feira, março 16, 2010

ESCOLHAS DE UMA VIDA (by Pedro Bial)

Imagem disponível em: www.wordpress.com


A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

CONQUISTAR (by Pedro Mago)



No começo da adolescência, lendo um catálogo de livros, fiquei encantado com um título: Como conquistar mulheres sem fazer força.
Com certeza não resisti e comprei: Poderia haver coisa melhor, eu pensava, à época? Se “dar” bem com um monte de mulheres.
Evidente que era uma “bobagem só”. Algo equivalente poderia ser: como aprender a dirigir lendo um livro apenas e sem aula prática nenhuma. Bastaria lê-lo, e “tchan”, como que por magia você sairia dirigindo.
Acho que a gente precisa de tempos assim...Ingênuos e simplórios.
Mas passam se algumas tantas estações, e quando a gente se lembra de fatos assim, percebe o quão superficiais eram as idéias da época.
O que pode haver de melhor que encontrar alguém que efetivamente atende, ou até transborda às nossas expectativas? Alguém que não é só uma conquista de uma Noite ou duas.
É uma pessoa assim que faz valer o dia, os meses e os anos que passam. Que é amiga, companheira, cúmplice, amada. Alguém que dá conselhos, afagos, broncas e carinhos.
No entanto é preciso ter “olhos” para ver, e coração pra sentir. Consciência e percepção para se perceber o que de fato se precisa, e o que se tem diante de si.
É fácil hoje encontrar pessoas que “não crescem”. Ficam paralisadas naquela visão imatura. Presas na superficialidade, focadas na exterioridade, no consumismo e na individualidade, no ciúme e na falta de cumplicidade.
Incapazes de perceber o verdadeiro valor de si e dos outros. Incapazes de serem felizes e de fazerem alguém feliz também.
Não apenas aquela felicidade fugaz e passageira do sexo casual. Mas aquele encontro que “sacia” mais do que a carne e atinge a plenitude da alma e do espírito. Aquilo que completa.
Por que só conquistar, se eu posso amar?
Portanto, um brinde, a quem ama e outro a quem sabe valorizar um grande amor..

terça-feira, fevereiro 23, 2010

UM A REFLEXÃO SOBRE "O AMOR QUE A VIDA NOS TRAZ" DE MARTHA MEDEIROS (by Rê Michelotti)

Imagem disponível em: www.webartigos.com

Ler tornou-se algo tão importante como respirar... Não consigo passar muito tempo sem ler algo novo, sobre alguma coisa que ainda não tenha tido a oportunidade de pensar sobre. Assim, sempre que posso arrumo um tempo para pescar na net ou mesmo em algum livro antigo abandonado, algumas linhas que me tragam algo a mais, que me façam remexer em assuntos/temas esquecidos... Ou apenas me apossar de algumas palavras que me preencham de forma positiva e me entusiasmem de novo. Que acalmem a minha alma e a alimentem com coisas boas.


Não poderia deixar passar em branco a leitura do texto da Martha Medeiros " O Amor Que A Vida Traz".

É bem verdade que nem sempre o amor que nos é entregue faz mesmo jus a tudo que um dia descrevemos em nossa solicitação de amor ideal - aquela solicitação de amor descrita por nós como O AMOR PERFEITO... Mas como bem disse a escritora, o amor que temos é o que nos foi entregue e ponto final. Este é amor que temos, e cabe a nós aproveitarmos o máximo possível ele. Este foi o amor sorteado para nós, é nosso!


Não adianta ficar correndo de um lado para outro, nos debatendo, procurando um novo amor que corresponda mais exatamente ao que um dia pedimos. A hora é agora e nosso amor já esta entregue, basta que aceitemos. A partir daí é com a gente, viver este amor em sua totalidade, mesmo não sendo nada daquilo que especificamos, ou então continuar sendo infelizes... na busca incessante do amor perfeito, que como bem lembrou a Martha Medeiros, já pode ter sido entregue a porta de um outro alguém. Vamos deixar de nos lamentar, e amar o que nos foi entregue.


É como as vezes que saimos de casa meio que empurrados, obrigados... E no fim, são os melhores passeios de nossas vidas! Esse talvez não fosse o amor dos seus sonhos, mas agora é o é tudo que você tem de real e verdadeiro. Esse amor é tudo o que você tem. Pare de chorar e aproveite o amor que é só seu!

O AMOR QUE A VIDA TRAZ (by Martha Medeiros)



Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence.
Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça
e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.