segunda-feira, agosto 16, 2010

CRASH - NO LIMITE (by Rê Michelotti)


Neste último final de semana, recomendada pelo amigo e jornalista Ricardo Labajos, assisti ao filme Crash. Ele não só recomendou o filme como também gentilmente emprestou-me o DVD.

O filme Crash do diretor Paul Haggis, traz uma coletânea de histórias que inteligentemente se inter-relacionam e nos mostram diferentes visões das complexas questões raciais que acontecem atualmente na América. Os personagens envolvidos nesse emocionante filme têm suas vidas abaladas por diferentes dramas, todos estes provenientes de alguma situação de preconceito vivida; e que fazem, de repente, com que suas vidas acabem colidindo.

Mais do que falar sobre o preconceito, demonstra por meio das várias histórias que este ainda esta presente em nossa sociedade e mesmo aquele que se diz uma pessoa sem nenhum preconceito, se analisar mais profundamente poderá encontrar algum resquício preconceituoso, seja ele da ordem que for.

Infelizmente não estamos imunes ao preconceito, mas precisamos começar a desmitificar este assunto, abordá-lo, discutí-lo para que este seja entendido, e quem sabe um dia, consigamos exterminá-lo de vez de nossa sociedade. Utopia talvez, mas preciso acreditar que isso um dia venha ser possível de verdade!

Como sempre escrevo aqui no blog, eu realmente acredito que não existam pessoas melhores ou piores que as outras, somos apenas diferentes. E nas histórias vividas no filme, onde, diga-se de passagem, nenhuma é mais ou menos importante ou interessante que a outra. Bem como, percebemos também o quanto o ser humano é uma mistura de sentimentos, de virtudes, de bondade e maldade. Ninguém é totalmente bom, tampouco se pode dizer que alguém é mal em sua totalidade. Bondade e maldade andam juntas.

O meio em que vivemos e as influências que sofremos durante a vida nos fazem ir mais para um lado ou mais para outro. Fica claro que são nossas opções ou escolhas que nos fazem ser assim diferentes uns dos outros. E tudo isso faz com que cada pessoa passe a lidar de forma única com seus problemas e dramas, partindo de suas próprias referências construídas.

É preciso de uma vez por todas abandonar os rótulos, e entender que a primeira impressão que temos de alguém não necessariamente é a que deve ficar. Nem tudo que parece é! Nem tudo que parece bom, se faz verdadeiramente bom na prática; assim como nem tudo que parece ruim, se materializa em forma de maldade. Como diz Clarice Lispector: "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar".

A nossa vida é construída de pequenos instantes e cada um deles nos exige um comportamento específico, assim, as circunstâncias em que conhecemos alguém, pode não ser o retrato fiel daquela pessoa, mas apenas uma pequena parte dela.

Outro aspecto abordado nesse filme e que também se deve refletir, é o quanto nós nos conhecemos, em especial quando estamos em uma encruzilhada, num beco sem saída ou em uma situação de real apuro. Quando algumas situações da vida nos colocam contra a parede, quem sabe nossas atitudes/ações podem surpreender ou chocar não apenas aos outros, mas à nós mesmos. Gostaríamos de nos conhecer, mas de fato, não temos certeza!

Neste filme não há uma história contada que se possa dizer mais interessante que a outra... São situações, momentos e sentimentos diferentes, mas todos eles vividos de corpo e alma pelos atores. No entanto, deixo aqui um comentário especial sobre a pequena Karina Arroyave - que dá vida à personagem Elizabeth, que mesmo tão pequena soube traduzir com muita emoção e realismo o momento da cena em que ela protege seu pai com sua incrível capa invisível. Momento intenso, que mistura ingenuidade, fantasia e amor de verdade.

Crash não é um documentário, não é um filme literalmente baseado em uma história real, mas com certeza você vai perceber e sentir que é um filme que poderia retratar a vida de muitas pessoas que você conhece, quem sabe até mesmo a sua. Um filme com histórias que podem causar inúmeros sentimentos, mas jamais indiferença!

Sei que gostar ou não das histórias do filme como um todo, é algo bem particular... Mas aqui deixo o meu depoimento superpositivo sobre Crash, pois este foi com certeza, o melhor filme que eu já tive a oportunidade de assistir.

Ricardo, obrigada pela dica especial... Você agora tem mais alguns créditos comigo!

“Isso é o senso do toque. Numa cidade real, você anda, sabe? Você esbarra nas pessoas, as pessoas esbarram em você. Em L.A, ninguém toca você. Estamos sempre atrás de metal e vidro. Eu penso que perdemos tanto esse toque, que batemos uns nos outros, só para sentirmos alguma coisa”. (Crash - No Limite)

Um comentário:

  1. Este filme é maravilhoso! É a cara do nosso tempo, ou uma das mtas caras q ele tem...

    Ótimo post!

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