quarta-feira, novembro 24, 2010

Mudanças... (by Rê Michelotti)

Imagem by Google

Não tenho conhecimento de nenhuma descendência Cigana, no entanto, a necessidade constante de mudar de ar, lugar ou situação que trago comigo, me fazem acreditar que ao menos um galhinho deste sangue cigano esteja presente em minha árvore genealógica.

Ainda que eu não tenha de fato algum antepassado cigano, tenho em minha mãe essa característica marcante, de mulher desapegada das coisas materiais e que se deixava seduzir pelos desafios de novos caminhos.

Quando eu era criança, esse jeito cigano e andarilho dela não me agradavam. Sentia-me insegura a cada partida ou recomeço. Muitas vezes mudávamos de escola no meio de um ano letivo, caindo literalmente de pára-quedas em uma nova escola e conseqüentemente em nova turma em pleno junho. Novos lugares a conhecer, pessoas a descobrir e amizades a construir. Era sempre um recomeçar constante!

No entanto, com o passar dos anos fui pouco a pouco aprendendo a apreciar essa vida dividida em muitos lugares, onde não temos outra saída que não encarar o desafio do novo de frente. Tivemos momentos difíceis diversas vezes, mas de uma forma quase mágica ela fazia com que tudo acabasse dando certo de um jeito ou de outro. Ainda que esse outro jeito fosse muitas vezes, uma nova mudança, para outro canto que ela descobria sabe-se lá como.

Porque ela fazia isso? Naquele tempo eu não fazia idéia, mas hoje acredito que provavelmente seja pelos mesmos motivos que tenho agora, a mesma ânsia de estar em movimento. Uma inquietude constante que não se satisfaz com uma paisagem congelada, lugares conhecidos, palavras repetidas ou ainda com um futuro tão previsível quanto à acomodação nos permite ter.

Tenho a necessidade que ela tinha de vislumbrar ao menos uma nova possibilidade, seja ao longo do dia de hoje, de amanhã ou dos dias que ainda virão. Caso contrário, eu me perco um pouco e enfraqueço minha fé ou esperança no que ainda posso esperar. Preciso estar presa por um algo a mais. Preciso estar apaixonada pela vida, ainda que por um pedacinho dela apenas. É essa energia que me move, me impulsiona e me faz querer levantar todas as manhãs.

Não gosto de sentir meu coração batendo tão de leve como se fosse parar. Não gosto de nada em conta-gotas. Gosto da expectativa do antes, da alegria de momentos únicos. Gosto das lembranças daquelas coisas que ousamos fazer e não nos arrependemos depois. Quero o frio gostoso na barriga, rir atoa... Mesmo que não resolva tudo, ajuda a vida melhorar. Quando mudamos, muitas coisas inevitavelmente mudam também!

E essas mudanças nos desafiam a ficar cara-cara com o desconhecido quantas vezes seja preciso e com isso, temos boas oportunidades para melhorarmos nossa segurança e autoconfiança, no sentido de que daremos conta, seja do quer for. O reinicio faz com que tenhamos que reaprender determinadas coisas ou fazer de um jeito diferente. Exercitamos nosso poder de análise para reconhecer o que pode continuar e o que não pode no novo lugar.

Mudar nos faz crescer e ainda nos presenteia com aquela sensação boa de que a vida esta nos dando uma nova oportunidade... Não para mudar o início, pois, o que está feito, está! Mas uma nova chance para escrevermos um outro fim para nossa história e a daqueles que não só partilham com a gente a mesma estrada, mas também suas próprias vidas. Seja até o momento que possamos por um ponto final ou outro ponto qualquer que desejarmos. Eu gosto das reticências... Elas nunca terminam...

terça-feira, novembro 23, 2010

MULHER GATO

Imagem disponível em: http://www.dicafeminina.net


Três mulheres, uma noiva, uma casada e uma amante, estavam conversando sobre seus relacionamentos e decidiram agradar seus homens.
Aquela noite todas as três iriam testar a sensualidade e o poder que exerciam sobre seus companheiros, usando corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto.

Após alguns dias, elas tornaram a se encontrar. Cada uma relatou a sua experiência.

Disse a noiva:
- Naquela noite, quando meu namorado chegou em casa encontrou-me usando o corpete de couro, botas com 12cm de salto e máscara sobre os olhos.
Ele me olhou intensamente e disse: ' Você é a mulher da minha vida, eu te amo'. Então fizemos amor a noite inteira.

A amante contou a sua versão:
- Ah, comigo também foi parecido. Naquela noite encontrei meu amante no escritório. Estava usando um corpete de couro, mega saltos, máscara sobre os olhos e... mais nada! Usava uma capa de chuva para cobrir meu corpo.
Quando eu abri a capa, ele não disse nada... seus olhos me devoraram... me agarrou e tivemos sexo a noite toda.

E aí a casada contou sua história:
- Naquela noite eu mandei as crianças para a casa da minha mãe. Arrumei-me como combinado: corpete de couro, super saltos, máscara sobre os olhos.
Então resolvi incrementar o visual. Aproveitei para inaugurar um perfume novo e um batom vermelho que nunca tinha usado antes.
Lembrei-me de um comentário que meu marido fez sobre a sensualidade da roupa íntima preta e coloquei a que acabara de comprar... um fio dental com um lacinho de cetim em ponto estratégico.
Quando meu marido chegou do trabalho, abriu a porta e me encontrou em pé no meio do quarto fazendo caras e bocas. Olhou-me de cima abaixo e disse:

'E aí, Batman, o que temos para o jantar?'



*********


* Essa piada recebi por email... Não sei quem é o autor da mesma, mas que ele estava muito inspirado no dia, estava! Acho muito engraçada! Fico sempre tentando imaginar a cara meio sarcástica do marido fazendo a tal pergunta...rs

quinta-feira, novembro 18, 2010

O ROMANCE QUE TAMBÉM PODERIA SER MEU (by Rê Michelotti)

Disponível em:http://www.materdeifm.com.br/img/imagensartigos/tattoo_rei_na_barriga.jpg


A letra da música "Romance", do cantor e compositor gaúcho Nei Lisboa sempre me vem à mente, quando em determinados momentos me deparo com pessoas que "se acham" tão espertas e inteligentes, mesmo quando não são. Saem por aí falando, falando... Como se fossem donas da verdade. Pior que isso, sem respeitar a opinão de outras que não sejam identicas às suas.

Partilho essa mesma sensação expressada por Nei Lisboa, pois ''todas as bobagens que eu já disse [também] dariam para encher um caminhão... mas mesmo assim encontro no caminho... Milhares mais otários do que eu..."

Abaixo segue a letra na íntegra...

Romance ( Nei Lisboa)

Todas as bobagens que eu já disse
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder

Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção

Por isso meu amor não pense que é brinquedo
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não

Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção...

sexta-feira, novembro 12, 2010

QUAIS SÃO OS LIMITES? (by Rê Michelotti)


Hoje desde cedo, muitos canais de mídia noticiaram a agressão de um aluno contra sua professora em uma escola técnica particular de Porto Alegre/RS, onde após receber uma nota baixa, o aluno acabou por atacá-la com violência.

Como também sou professora, o assunto mexeu mais uma vez com meus pensamentos e desta vez também com meus nervos. Fico estarrecida ao ver nosso cotidiano invadido cada dia mais por notícias desse nível acontecendo dentro de instituições educacionais.

Neste momento volto a questão sempre gritante da falta de limites do ser humano. Aí me pergunto: A que ponto será necessário chegar à falta de respeito aos profissionais de educação, para que alguma atitude seja tomada para mudar de vez este cenário?!

Se a educação vive hoje um dos melhores e mais ricos momentos de apropriação e disseminação do conhecimento possibilitado pelo avanço tecnológico, por outro lado, vive também um momento delicado no que se refere as interações humanas (aluno-professor) nas instituições de ensino de todo o nosso país, independente do grau escolar que estejamos falando.

Por décadas vivenciamos aquela educação castradora e punitiva, onde aluno não tinha voz ou vez dentro de uma sala de aula, e ao professor cabia repassar os conhecimentos com severidade. Severidade que lhe dava inclusive o direito a castigar os alunos quando este considerasse necessário. Uma educação extremamente rígida e pouco apropriada quando se pensa na questão do desenvolvimento do afeto, respeito mútuo ou ainda da falta de incentivo a participação do aluno na construção de seu próprio saber.

No mundo de hoje, alunos e professores buscam sintonizar esse relacionamento de forma mais equitativa, agregando valor ao diálogo como meio para construção de um ambiente de aprendizado fértil, interessante e que funcione como fonte de inspiração para ambos continuarem aprendendo e ensinando respectivamente. O professor não é mais mero repassador de conhecimentos, mas sim um intermediador, que questiona, instiga ao pensamento criativo e crítico. Em contrapartida, temos alunos que exigem seu espaço e querem formar suas próprias opiniões.

Bem, até aqui tudo certo, concluímos que houve uma evolução positiva na relação aluno-professor ou professor-aluno, como queiram, quando se faz uma breve retrospectiva, ainda que superficial, de como foi e de como esta a educação hoje. No entanto, com olhos de educadora penso também no peso das modificações na estrutura familiar, nitidamente transformada se compararmos o ontem e o hoje.

Na minha prática diária em educação, na convivência com os alunos, sejam eles adultos ou adolescentes, os sinto em constante aflição. Não há muitos momentos de tranqüilidade, de amparo e orientação no núcleo familiar. Os alunos adultos - muitos já pais - se prendem ao fato de ter de prover a família como uma justificativa de sua ausência e atenção ao filho. Os adolescentes que ainda mantém a posição de filhos, mostram-se pessoas solitárias, inseguras e sem um norte certo de como devem continuar sua caminhada.


Este desencontro entre pais e filhos traz uma série de conseqüências sentidas especialmente dentro das escolas e que às vezes culminam em cenas tão tristes como a da professora que foi agredida em seu ambiente de trabalho. Pois a questão não é só a ausência simples e pura, mas o que tudo isso implica na vida de tantos pais, filhos e também professores.

Os pais trabalham muito para conseguir dar conta de sua família e até mesmo de coisas por vezes supérfluas ou perfeitamente dispensáveis, mas que ficam gravadas a ferro e fogo pela mídia, como uma necessidade de vida ou morte. O trabalho consome pais, e estes não conseguem mais dar apoio aos seus filhos, tampouco alguma orientação. Um pouco por falta de tempo, outro por se sentirem de certa forma culpados por sua própria ausência, ainda que justificada em termos. Assim, quando estão juntos, evitam cobrar ou exigir do filho algo. O contrário também acontece. Alguns esquecem de dar afeto e só cobram o tempo todo, sem ao menos dar algum suporte. Desta forma, educar passa a ser algo única e exclusivamente de responsabilidade da escola e dos educadores que dela fazem parte. Complicado, não?! Muito!

Chegam a escola cheios de vontades, mimados, achando muitas vezes que podem tudo - sem nenhum limite - e totalmente revoltados com o mundo. Outras vezes carentes e inseguros, que quase da mesma forma os atinge negativamente, comprometendo sua integração com o grupo e com seu aprendizado como um todo. Faltam limites para aproveitarem o que é bom. Faltam limites para evitarem o ruim, ou mesmo o que não é tão bom assim. Faltam limites para organizar suas vidas dentro daquilo que é realmente bom para eles, para o grupo com que convivem e para sua própria família.

Escola e família devem trabalhar em conjunto, falando a mesma língua ou o mais próximo que isso seja possível. No entanto, precisamos ressaltar que os jovens passam uma fração muito pequena dentro da escola, comparado ao tempo que ficam com a familia ou em convivio social. Assim sendo, não há como esperar que a escola sozinha, se responsabilize pela educação global desses alunos.

É preciso ajustar nossos objetivos e responsabilidades como pais e como educadores. Juntos podemos auxiliar e fortalecer as coisas boas que desejamos que estes jovens desenvolvam. Agora, se ficarmos separando pais de um lado, escola e educadores do outro, vai ser apenas mais um jogo de empurra-empurra que não vai ajudar a ninguém. A soma de nossos esforços podem dar novo rumo a educação e ainda banir do nosso noticiário situações como as presenciadas por nós e sofridas por mais uma professora hoje.

Juntos, pais e educadores podemos continuar. Separados, muito díficil. Infelizmente muitos professores estão mudando de profissão, estão cansados de uma luta muitas vezes solitária frente a tantos problemas, e isso me preocupa especialmente como mãe... Afinal, podem existir ex-professores, mas ex-mãe ou ex-pai não... Ainda que não tenhamos mais professores para nos ajudar na educação de nossos filhos, teremos que seguir de qualquer jeito. Sozinhos!

Todo mundo precisa de limite, mas alguém precisa dizer qual é!!!

P.S: Este texto é apenas um desabafo, onde as idéias expressam nada mais que uma opinião particular minha frente as coisas que vejo, e como vejo na educação.

terça-feira, novembro 09, 2010

DE MÃOS DADAS COM A RAZÃO & A EMOÇÃO (by Rê Michelotti)

Imagem diponível:http://2.bp.blogspot.com/_C4dIJJBXuyU/SNZIfFD19gI/AAAAAAAAABg/-RXhFQh5DCM/s320/nuvem%5B1%5D.JPG


Alguns dias atrás, enquanto aguardava que o sono nosso de cada noite desse o ar de sua graça por aqui, caí na tentação de passar aleatoriamente por algumas páginas da web, assim como quem vira a página de um livro mesmo. Sinceramente, não suporto a idéia de ir para cama e ficar naquele rolar incessante que parece fazer o sono só ir para mais longe ainda.

Bem, eu realmente alcancei meu objetivo, pelo menos o de evitar o vira-vira na cama. Mas, como não é raro, acabei por me perder na web noite afora. Perdi-me de forma prazerosa e intensamente positiva, e posso afirmar ter tido um proveitoso encontro comigo mesma. A essa altura, se alguém me perguntasse: E o sono? Era provável que eu respondesse: Sono? Quem está com sono? Estava deliciosamente envolvida em leituras tão interessantes que sentia minha alma alimentada, preenchida. Momentos de Plenitude onde o sono não me fazia falta alguma. Sentia-me feliz!

Eis então que me rendi à interatividade de uma rede de relacionamentos, e entre um clique e outro, um link levou-me ao perfil de Eugênio Mussak, Educador e Escritor - E como escreve! Identifiquei-me instantaneamente e não consegui mais parar de lê-lo. Posso dizer que fui conquistada a primeira leitura, pois sua maneira de escrever, de expressar o que pensa de forma clara e simples, possibilita-nos o entendimento e compreensão independente do que ele esteja discutindo em seus textos. Um brinde a didática, a quem a domina e, mais que isso, faz dela o melhor uso possível: Ensina!

Esta noite de encontro comigo mesma certamente foi possibilitado em especial por meio da reflexão e diálogo entre a abordagem de Eugênio Mussak e os meus questionamentos dos últimos dias, que divagavam sobre o porquê razão e emoção algumas vezes estão em direções tão diferentes ou até mesmo opostas.
No texto “O amor é racional?” de Eugênio Mussak (Revista Vida Simples nº 97 – 01/10/2010), o autor nos faz pensar e questionar a possibilidade de racionalizar os atos relacionados ao amor. Uma provocante pergunta. No entanto, naquele momento fixei-me nas definições e explanações acerca das vilãs de minha noite: razão e emoção.
Questionei-me por dias sobre as possíveis razões de estar me sentindo especialmente insatisfeita atualmente, mesmo quando observo minha vida pessoal no detalhe e consigo perceber que tenho muito mais motivos para me alegrar e comemorar do que para reclamar. Racionalmente, tudo em ordem e seguindo conforme o plano. No entanto, de alguma forma o lado da emoção está mais complexo e a sensação de vazio permanece insistente.

Esses temas são sempre recorrentes nas conversas entre amigas, mesmo nos finais de semana de aulas na pós-graduação, onde eu e as demais colegas costumamos almoçar juntas, após o almoço seguem-se longas conversas filosóficas sobre nossas vidas, o que desejamos e o que certamente não queremos. Nossos sonhos e aspirações divididos algumas vezes de coração aberto, outras nem tanto. Nem sempre somos bons em admitir nossos medos e fraquezas frente aos desafios que nos são propostos ou até mesmo impostos. Mas são sem dúvidas conversas despreocupadas, divagações que nos servem como uma terapia em grupo que aliviam um final de semana intenso de aulas bastante técnicas de como administrar/gerenciar isso ou aquilo...

No último final de semana, conversamos sobre o que acontece para termos tantos momentos de inconstância emocional, e o quanto esta nos tira do centro e bagunça tudo. É como se as emoções às vezes pusessem nossas vidas viradas de cabeça para baixo. E olha, concluímos que nem sempre é culpa daqueles hormônios que nos fazem surtar durante a famosa TPM. Aí eu pergunto, onde anda a razão à uma hora dessas que não ampara e nem orienta nossa emoção?! Tomando um suco de laranja na esquina! Deve haver uma linha muito tênue entre nossa emoção e razão, onde a qualquer instante uma domina ou se sobrepõe a outra. Percebo que é preciso estar atenta para isso, ou nos perdemos mesmo sem querer!

Mas continuando sobre a leitura citada anteriormente... Deparei-me com uma possível explicação que justifica ou sugere algo que me leve a entender melhor a sensação de vazio ou insatisfação, mesmo quando vejo tudo racionalmente em ordem. Tal explicação aponta que para nos sentirmos plenamente realizados ou felizes, precisamos estar em equilíbrio com nossa razão e nossa emoção simultaneamente. Ambas precisam estar vivenciando situações confortáveis, agradáveis para então termos a sensação de sentirmo-nos completos: FELIZES! Isso explica muita coisa, aliás, muitas coisas. Agora, análise a partir dessa reflexão passa a focar-se na minha pessoa propriamente dita.

Se com a vida está tudo bem, em ordem e onde deveria estar, algo não está necessariamente em ordem ou onde deveria, dentro ou até mesmo fora de mim?! Bingo!!! Inconscientemente talvez já tivesse a resposta que buscava, mas estava tentando ignorar ou esconder de mim mesma. Aquela estória, quando você sabe o que tem que fazer e que atitudes tomar, não tem mais desculpas, precisa agir! Espero que mudanças de algumas atitudes tragam-me novamente o equilíbrio e alguns outros instantes de plena felicidade.

Quando me refiro no parágrafo anterior a “instantes de felicidade”, não estou reclamando ou choramingando. Definitivamente, não! Refiro-me a felicidade plena ou absoluta definida como sendo possível apenas quando razão e emoção estão em situações boas e equilibradas entre si. Saber da dificuldade desse equilíbrio, de certa forma nos leva a aceitar a felicidade possível e não apenas aquela felicidade plena. Aceitar, não no sentido de nos acomodar com qualquer coisa, mas de nos permitir aproveitar mais e melhor pequenas alegrias colhidas aqui e ali, em diferentes momentos ou situações da nossa vida.

A Isa sempre diz que penso demais, racionalizo demais e talvez por isso acabe me sentindo doida ou até insatisfeita demais. Quero respostas ou até mesmo perguntas que me façam entender o quê ou o porquê determinadas coisas são deste ou daquele jeito. Tenho receio das decisões ou atitudes baseadas na emoção. Não sou o tipo de pessoa que costuma se arrepender das coisas que faz, mas nas vezes que isso aconteceu, certamente foram situações que me deixei levar sem o norte da razão.
Ainda durante minha conversa com Isa, ela me aconselhou humoradamente a algo do tipo: “Deixa a vida te levar Rê... Sem se preocupar tanto!” Respondi com humor também, dizendo que este poderia ser um conselho muito perigoso! (desse ponto em diante passamos só a nos divertir, rir com as coisas possíveis e impossíveis se deixássemos a vida simplesmente nos levar – Impublicáveis... Só rimos!!).

Deixar a vida nos levar, de certa forma pressupõe deixar a emoção nos levar... Afinal, quem sempre nos alucina é a emoção, que nos provoca o entusiasmo e este nos faz motivados a fazer mil e uma coisas. Ao passo que a razão não nos impede, mas nos freia fazendo com que pensemos antes de agir. Ela nos alerta para o fato de que para tudo que fizermos ou decidirmos, teremos que enfrentar e responder as conseqüências destas. Apenas mais um dos mil e um motivos para razão e emoção tão discordantes por vezes, andarem sempre de mãos bem dadas. Sem nos impedir de viver e fazer algumas coisas até mesmo não tão certinhas às vezes, mas dando-nos ciência plena de nossa responsabilidade única sobre nossas próprias escolhas, sejam elas quais forem!