terça-feira, novembro 09, 2010

DE MÃOS DADAS COM A RAZÃO & A EMOÇÃO (by Rê Michelotti)

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Alguns dias atrás, enquanto aguardava que o sono nosso de cada noite desse o ar de sua graça por aqui, caí na tentação de passar aleatoriamente por algumas páginas da web, assim como quem vira a página de um livro mesmo. Sinceramente, não suporto a idéia de ir para cama e ficar naquele rolar incessante que parece fazer o sono só ir para mais longe ainda.

Bem, eu realmente alcancei meu objetivo, pelo menos o de evitar o vira-vira na cama. Mas, como não é raro, acabei por me perder na web noite afora. Perdi-me de forma prazerosa e intensamente positiva, e posso afirmar ter tido um proveitoso encontro comigo mesma. A essa altura, se alguém me perguntasse: E o sono? Era provável que eu respondesse: Sono? Quem está com sono? Estava deliciosamente envolvida em leituras tão interessantes que sentia minha alma alimentada, preenchida. Momentos de Plenitude onde o sono não me fazia falta alguma. Sentia-me feliz!

Eis então que me rendi à interatividade de uma rede de relacionamentos, e entre um clique e outro, um link levou-me ao perfil de Eugênio Mussak, Educador e Escritor - E como escreve! Identifiquei-me instantaneamente e não consegui mais parar de lê-lo. Posso dizer que fui conquistada a primeira leitura, pois sua maneira de escrever, de expressar o que pensa de forma clara e simples, possibilita-nos o entendimento e compreensão independente do que ele esteja discutindo em seus textos. Um brinde a didática, a quem a domina e, mais que isso, faz dela o melhor uso possível: Ensina!

Esta noite de encontro comigo mesma certamente foi possibilitado em especial por meio da reflexão e diálogo entre a abordagem de Eugênio Mussak e os meus questionamentos dos últimos dias, que divagavam sobre o porquê razão e emoção algumas vezes estão em direções tão diferentes ou até mesmo opostas.
No texto “O amor é racional?” de Eugênio Mussak (Revista Vida Simples nº 97 – 01/10/2010), o autor nos faz pensar e questionar a possibilidade de racionalizar os atos relacionados ao amor. Uma provocante pergunta. No entanto, naquele momento fixei-me nas definições e explanações acerca das vilãs de minha noite: razão e emoção.
Questionei-me por dias sobre as possíveis razões de estar me sentindo especialmente insatisfeita atualmente, mesmo quando observo minha vida pessoal no detalhe e consigo perceber que tenho muito mais motivos para me alegrar e comemorar do que para reclamar. Racionalmente, tudo em ordem e seguindo conforme o plano. No entanto, de alguma forma o lado da emoção está mais complexo e a sensação de vazio permanece insistente.

Esses temas são sempre recorrentes nas conversas entre amigas, mesmo nos finais de semana de aulas na pós-graduação, onde eu e as demais colegas costumamos almoçar juntas, após o almoço seguem-se longas conversas filosóficas sobre nossas vidas, o que desejamos e o que certamente não queremos. Nossos sonhos e aspirações divididos algumas vezes de coração aberto, outras nem tanto. Nem sempre somos bons em admitir nossos medos e fraquezas frente aos desafios que nos são propostos ou até mesmo impostos. Mas são sem dúvidas conversas despreocupadas, divagações que nos servem como uma terapia em grupo que aliviam um final de semana intenso de aulas bastante técnicas de como administrar/gerenciar isso ou aquilo...

No último final de semana, conversamos sobre o que acontece para termos tantos momentos de inconstância emocional, e o quanto esta nos tira do centro e bagunça tudo. É como se as emoções às vezes pusessem nossas vidas viradas de cabeça para baixo. E olha, concluímos que nem sempre é culpa daqueles hormônios que nos fazem surtar durante a famosa TPM. Aí eu pergunto, onde anda a razão à uma hora dessas que não ampara e nem orienta nossa emoção?! Tomando um suco de laranja na esquina! Deve haver uma linha muito tênue entre nossa emoção e razão, onde a qualquer instante uma domina ou se sobrepõe a outra. Percebo que é preciso estar atenta para isso, ou nos perdemos mesmo sem querer!

Mas continuando sobre a leitura citada anteriormente... Deparei-me com uma possível explicação que justifica ou sugere algo que me leve a entender melhor a sensação de vazio ou insatisfação, mesmo quando vejo tudo racionalmente em ordem. Tal explicação aponta que para nos sentirmos plenamente realizados ou felizes, precisamos estar em equilíbrio com nossa razão e nossa emoção simultaneamente. Ambas precisam estar vivenciando situações confortáveis, agradáveis para então termos a sensação de sentirmo-nos completos: FELIZES! Isso explica muita coisa, aliás, muitas coisas. Agora, análise a partir dessa reflexão passa a focar-se na minha pessoa propriamente dita.

Se com a vida está tudo bem, em ordem e onde deveria estar, algo não está necessariamente em ordem ou onde deveria, dentro ou até mesmo fora de mim?! Bingo!!! Inconscientemente talvez já tivesse a resposta que buscava, mas estava tentando ignorar ou esconder de mim mesma. Aquela estória, quando você sabe o que tem que fazer e que atitudes tomar, não tem mais desculpas, precisa agir! Espero que mudanças de algumas atitudes tragam-me novamente o equilíbrio e alguns outros instantes de plena felicidade.

Quando me refiro no parágrafo anterior a “instantes de felicidade”, não estou reclamando ou choramingando. Definitivamente, não! Refiro-me a felicidade plena ou absoluta definida como sendo possível apenas quando razão e emoção estão em situações boas e equilibradas entre si. Saber da dificuldade desse equilíbrio, de certa forma nos leva a aceitar a felicidade possível e não apenas aquela felicidade plena. Aceitar, não no sentido de nos acomodar com qualquer coisa, mas de nos permitir aproveitar mais e melhor pequenas alegrias colhidas aqui e ali, em diferentes momentos ou situações da nossa vida.

A Isa sempre diz que penso demais, racionalizo demais e talvez por isso acabe me sentindo doida ou até insatisfeita demais. Quero respostas ou até mesmo perguntas que me façam entender o quê ou o porquê determinadas coisas são deste ou daquele jeito. Tenho receio das decisões ou atitudes baseadas na emoção. Não sou o tipo de pessoa que costuma se arrepender das coisas que faz, mas nas vezes que isso aconteceu, certamente foram situações que me deixei levar sem o norte da razão.
Ainda durante minha conversa com Isa, ela me aconselhou humoradamente a algo do tipo: “Deixa a vida te levar Rê... Sem se preocupar tanto!” Respondi com humor também, dizendo que este poderia ser um conselho muito perigoso! (desse ponto em diante passamos só a nos divertir, rir com as coisas possíveis e impossíveis se deixássemos a vida simplesmente nos levar – Impublicáveis... Só rimos!!).

Deixar a vida nos levar, de certa forma pressupõe deixar a emoção nos levar... Afinal, quem sempre nos alucina é a emoção, que nos provoca o entusiasmo e este nos faz motivados a fazer mil e uma coisas. Ao passo que a razão não nos impede, mas nos freia fazendo com que pensemos antes de agir. Ela nos alerta para o fato de que para tudo que fizermos ou decidirmos, teremos que enfrentar e responder as conseqüências destas. Apenas mais um dos mil e um motivos para razão e emoção tão discordantes por vezes, andarem sempre de mãos bem dadas. Sem nos impedir de viver e fazer algumas coisas até mesmo não tão certinhas às vezes, mas dando-nos ciência plena de nossa responsabilidade única sobre nossas próprias escolhas, sejam elas quais forem!

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