segunda-feira, dezembro 27, 2010

Férias...


Aos amigos e demais blogueiros que acompanham o Spa de Idéias:

Sem postagens nesses últimos dias e provavelmente nos próximos também... Estou de férias!

Volto em breve, mas deixo aqui o meu desejo de um ano novo repleto de coisas boas, muita criatividade e grandes descobertas para todos nós... No mais, o de sempre tão desejado: paz, amor, realizações e muito mais!!!


Beijos,


Rê Michelotti

quinta-feira, dezembro 16, 2010

O ópio do trivial (by Rê Michelotti)

Foto by Rui Pajares
Disponível em:http://corbinariaphoto.blogspot.com


Outro dia escutando uma música do Engenheiros, banda gaúcha que adoro e quanto mais escuto, mais me identifico com suas letras e músicas, me deparei com um trechinho que me deixou pensando. Dizia: "[...] A visão do microscópio é o ópio do trivial [...]". Aí, estou há dias com essa frase na cabeça. O que seria o ópio do trivial?

Pensando separadamente nessas duas palavras, temos conceitos distintos, onde se pode definir o ópio como uma substância extraída da papoula sonífera, que provoca euforia, seguida de um sono onírico; ainda que seu uso repetido conduza ao hábito, à dependência física, e a seguir a uma decadência física e intelectual, uma vez que é efetivamente um veneno. Já o trivial nada mais é do que algo comum, banal, descrito como sem grande importância por ser já tão conhecido. Assim, chegamos a duas definições relativamente simples e conhecidas, mas que no entanto, quando postas juntas estas palavras, nos levam a refletir de uma forma mais ampla e nos dizem muito mais do que estes breves conceitos literais.

Em uma entrevista, Umberto Gessinger - vocalista do Engenheiros - comenta, que em geral as pessoas fazem interpretações que talvez nem quem compôs a música havia pensado. Ou seja, música é uma arte e cada um sente a seu modo. Assim, arrisco-me nas linhas seguintes em apresentar que pensamentos/coisas esse ópio do trivial traz a minha mente.

Quanto mais tecnologia a disposição, mais informação. Isso faz com que a disseminação de idéias seja facilitada e outras tantas coisas se multiplicam numa rapidez tremenda. No entanto, esse multiplicar repete sempre mais do mesmo. Pensando no mundo virtual, temos uma infinidade de redes de relacionamentos sociais, que em nome são diferentes, mas em essência ou objetivo são muito parecidas, se não idênticas. Quantos blogs diferentes falando das mesmas coisas... Multiplica-se o mesmo com alguma variação, ou ainda como diria o Engenheiros em outra música sua: "variações de um mesmo tema". Cada um tentando dar a sua versão, tentando encontrar outra identidade para algo que não seja assim tão igual.

Se pensarmos na moda é assim também. O jeans existe desde que me conheço por gente, ou mesmo antes disso, e todo ano ele vem com uma cor diferente, um corte diferente... Mas diferente do que? Do ano passado! Pois ele voltou a ser como já foi há um tempo. Com sapatos a mesma coisa, neste ano são saltos finos, no outro serão grossos. Em um ano são altos, no outro baixos. Se falarmos em relacionamentos, por incrível que parece a linha também segue assim. A moda já foi casar na igrejam no papel bonitinho, depois não mais. Depois, legal era apenas morar junto ou juntar os trapos como costumamos brincar em situações assim. Hoje parece estarem os casamentos voltando de novo. E assim, a multiplicação do mesmo, com alguma pequena variação segue sem parar.

Será que nossa capacidade criativa se esgotou?! Será apenas uma limitação criativa de inovar temporária?! Ou as coisas são assim mesmo e tudo está seguindo o fluxo que deveria?! Vamos levando assim, querendo ou não, me parece que é o jeito de ser das coisas mesmo. Queremos apenas pontos de vista originais e não sermos apenas mais um dos seguidores da massa. Parece-me que quando se pensa sempre igual a todo mundo, no fundo é porque não estamos pensando sobre nada. Estamos apenas seguindo o fluxo. Não seguir o fluxo não significa estar necessariamente errado. Como dizia minha mãe, "não é porque todo mundo vai se jogar da ponte que eu também vou". Queremos acreditar que alguém ainda vai descobrir algo no mesmo que a gente ainda não viu. Desejamos novas versões do mesmo, do igual... Seja na forma de interpretar, abordar ou expressar os pontos de vistas... Ou ainda de contrariar de forma coerênte a repetição.

Assim, o "Ópio do Trivial" me parece estar relacionado com esse bombardeio de repetições ou variações do mesmo tema, mas que de alguma forma ainda nos seduzem pelas sutis diferenças incorporadas por pessoas tão diferentes que nos mostram a seu modo como uma repetição nunca é fiel e sempre se pode apimentar, aliviar, refrescar, mascarar ou simplesmente falar sem floreios sobre qualquer coisa. No final das contas, o quase igual repetido, toma novas texturas até nos convencer de que é novo, ainda que não seja. O ópio que nos alucina esta na busca que uma vez ou outra nos presenteia com um jeito novo de ver ou sentir o mesmo. É tudo aquilo que é simples, cotidiano e rotineiro, mas ainda assim nos proporciona alguma reação ou prazer. É tudo aquilo que poderia ser banal pela repetição e simplicidade da falta de novidade, mas que de alguma forma nos tira do eixo, do centro e mexe com alguma coisa dentro de nós. Que nos causa raiva, alegria, medo, excitação, uma sensação esquecida ou não ainda experimentada.

Que o ópio do trivial possa nos dar o melhor do cotidiano, da rotina que muitas vezes nem é quente, nem é fria. Eu não gosto do morno. Eu não gosto de nada que se diga que é "mais ou menos". Ou é mais ou é menos... De preferência, mais do que esperamos!

Me permito então, sem grandes pretensões de fazer este ou aquele concordar comigo, dizer que muitas vezes ou em muitos momentos nos percebemos todos tão iguais, mas que ainda assim, nossas pequenas diferenças nos tornam seres infinitamente únicos e incomparáveis. A forma como buscamos, encontramos, interpretamos e expressamos o nosso mundo, este é para mim o Ópio do Trivial. Ópio que nos faz suportar a rotina, o cotiano, o dia a dia ... enfim, a vida... Graças a essas tantas variações, dadas por cada um de nós de forma tão particular... A vida e o mundo nos mostram sempre um algo mais.

O ópio em excesso pode ser considerado um veneno, porém, até mesmo o remédio pode tornar-se um, dependendo do quanto ingerimos. Aqui o ópio será ministrado em doses homeopáticas, devidamente medidas e na proporção exata para apenas provocar uma leve euforia, um relaxamento e depois conseguirmos dormir em paz com nós e o nosso mundo. Aqui vou desejar sempre e mais ópio, ainda que do trivial.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Ser brega, eis a questão! (by Rê Michelotti)

Casualmente ou não, nos últimos dias tenho lido repetidamente, e em diferentes lugares, sobre o que é “brega”. Embora esta palavra em geral venha sendo utilizada com o mesmo sentido em todos os lugares, ou seja, com o sentido de algo fora de moda, ridículo, que seja motivo de vergonha ou coisas do gênero... Percebo que a definição do que vem a ser brega, assim como a de outras palavras, depende muito mais dos olhos e dos sentidos de quem está tentando conceituar... No caso aqui, a questão se volta ao que é brega ou não.

Gosto de ler a revista TPM*, onde encontrei o tema “brega” em destaque de forma muito criativa. Os entrevistados da coluna “Baú da Vergonha”, são convidados a listar cinco coisas que adorem, mas que ao mesmo tempo os envergonhem, por ser um gosto brega ou cafona demais. A partir dessas listas, percebi o quanto o conceito de ser Brega é relativo.

Para alguns, ser brega é ter um par de sapatos brancos no armário, guardarem os noivinhos decorativos do bolo de seu casamento ou ainda ter uma coleção de CDs do Bon Jovi. Para outros, ser brega é gostar de ouvir música sertaneja, ver “arquivo confidencial do Domingão do Faustão” ou quem sabe enfeitar a geladeiras com aqueles ímãs coloridos de bichinhos.

Em resumo, ter ou não ter um gosto cafona, ser ou não ser brega é uma questão de gosto pessoal e não necessariamente do que a moda ou a mídia esta ditando no momento como o último grito ou tendência mundial para isso ou aquilo, para este ou aquele tipo de comportamento. O que é brega para um, pode ser muito legal para outro. Tem coisas ditas como bregas e A-DO-RA-MOS e coisas super legais para outros, mas que achamos o último nível do quesito brega!

Já me peguei pensando ou mesmo comentando sobre as cafonices dos outros, mas me dei conta que não costumo pensar nas minhas. Isso se explica pelo que comentei antes, só consideramos Brega o que não gostamos. Dá para concluir que ser brega então não existe, afinal de contas, cada um tem direito a escolher o que melhor lhe convier sem ter que ser taxado como isso ou aquilo. Sinto que o brega e o nosso gosto são inversamente proporcionais. Depende de que lado estamos... Do lado de quem gosta ou de quem não gosta!

Pensando sobre os gostos alheios e os meus próprios, lembrei de algumas coisas que devo confessar: Acho o fim (da picada!) o show de final de ano do Roberto Carlos – Eu não sei como ainda tem alguém que assiste. Parece sempre o mesmo do mesmo! Em compensação, assistindo um filme americano meio água com açúcar outro dia, percebi que uma de minhas cantoras favoritas, no caso Celini Dion, lá fora é tida como super brega. Ela seria uma espécie de Roberto Carlos aqui? Acabei lembrando também de alguém ter me dedicado uma música da Sandy – “ Pés Cansados” no seu blog pessoal, mas com uma frase que dizia mais ou menos assim: “ eu sei, é Sandy, mas a música é bonita e lembrei de você”. Senti que esse comentário foi quase um pedido de desculpas por ter me dedicado a música, como se na verdade falasse... ‘’é meio brega, mas bonita”. Se é bonita, é e pronto. Se gostar de Sandy é cafona, eu sou!
Outra que não posso deixar de registrar... Eu sempre fui totalmente contrária às músicas sertanejas, não sei, nunca me agradavam, mas de repente passei a gostar de uma frase solta aqui outra ali, mas continuava a me policiar dizendo para mim mesma, você não vai gostar disso, não é Rê?! Você gosta de Ana Carolina, Adele, Marisa Monte, David Gray!!! Aqui, cabe um breve comentário, já me disseram que sou brega por gostar de Ana Carolina... E daí?! Amo mesmo assim. E eis que num de seus shows, ela admite ao vivo: ’’não contem para ninguém, mas se eu tivesse que cantar uma música brega seria "...Quando digo que deixei de te amar, é porque eu te amo... quando digo que não quero mais você... é porque eu te quero...". Aí pensei, Estou perdoada! (risos).

Enfim...apenas algumas coisas, entre tantas que fui me lembrando com esse revirar de idéias... Se fosse ficar lembrando aqui, haveria uma lista interminável, como achar brega uma mulher com o sutiã todo aparecendo, seja a alça ou qualquer outra parte dele. Esta peça está classificada como uma peça underware, íntima ou como diria minha vó, uma "roupa de baixo" e, é embaixo que deve ficar. Ainda falando em sutiã, acho horrível aqueles de tiras transparentes de silicone – parece que você está colada com fita adesiva do tipo ‘’durex”- Não dá! Outra coisa que não dá, é homem de sunga... Sei que é coisa de gosto, e eu não gosto! Se posso usar a palavra brochante, eu usaria quando vejo um cara de sunga. Definitivamente não rola! Ainda não sei o que não me agrada, deve ser trauma de infância. Não acho absolutamente nada do que falam: nada provocante ou sensual. Uma bermuda/bermudão me agrada bem mais e me convida a querer saber mais sobre. Apenas um gosto meu que talvez seja diferente do seu!

Todo mundo acha isso ou aquilo cafona, brega ou seja lá como costuma chamar, mas em geral não nos avaliamos nesse quesito, como se tudo que gostássemos fosse o máximo. Vamos combinar, se isso é coisa específica do gosto de cada um, podemos admitir sem medo, que eu e você possamos achar alguns gostos contrários bregas, mas isso são apenas preferências particulares... A amizade continua a mesma! Somos todos um pouco brega aos olhos dos outros... Uns mais, outros menos, mas todos bregas! Portanto... Relaxem, ser brega não assim tão mal, é apenas uma questão de gosto para mim e falta de gosto para você... Ou seria o contrário?! (risos).

*www.revistatpm.uol.com.br