sábado, fevereiro 05, 2011

Sentido Contrário (by Rê Michelotti)

Imagem disponívelm em: www.areaintegracao.blogspot.com

De tanto ler, estudar, divagar sobre o verdadeiro sentido da felicidade, cheguei num ponto em que não conseguia mais ver a felicidade como algo conquistável de forma plena e real. A felicidade vendida no comercial de margarina era mais uma pegadinha do marketing de consumo, que nos instiga a desejar, até mesmo o impossível.

Tudo bem, assim como descobri bem cedo que Papai Noel não existe, descobri também que a felicidade não está ao nosso alcance do jeito que um dia nos fizeram acreditar que seria possível. Mas não há mais dor, não em mais essa desilusão, pois me resta a certeza de que embora a plenitude da felicidade não aconteça em todos os momentos da minha vida eu posso ainda assim colecionar um infindável número de cenas, instantes e tantas pequenas alegrias cotidianas para ser feliz fracionadamente. Uma felicidade feita ao longo da vida e que nos é administrada a conta-gota em dias e horários alternados de nossa existência. Mas que somando todas essa gotas de alegrias eu posso sim ter lembranças muito boas de várias coisas de minha vida, afirmando inclusive que fui feliz por instantes que pareceram uma eternidade.


Mas hoje refletindo sobre essa minha descoberta conquistada em 2010, penso que já de chegada 2011 vem me presenteando com uma nova... Ou ao menos me dando a possibilidade de refletir como fazer mais e mais momentos de felicidade para mim e para aqueles que amo.

Sempre ouvi dizer que para amar de verdade alguém a gente precisa primeiro se amar, pois só assim a gente será genuíno em nosso amor pelo outro. Porém, varias situações me mostram que fazer o outro feliz em muitos momentos é nos privarmos de nossa própria felicidade. É como se tivéssemos que ser felizes apenas com a felicidade do outro. Não sei se acho isso muito justo.

O amor como tantos outros sentimentos para ser bem vivido deveria ser uma troca, uma via de mão dupla e não uma via única onde apenas um lado ganha. Ainda que estes lados se alternem, porque é tão difícil o equilíbrio? Porque é tão complicado encontrarmos um caminho que seja bom para nós e para o outro ao mesmo tempo?
Acredito que isso seja possível, desde que nos desfaçamos de alguns preconceitos impostos e não questionados. Se o seu amor quer ir para Londres e conquistar o mundo e você quer viver sua vidinha boba aqui num cantinho qualquer do Brasil, vivendo uma vida simples e sem grandes sonhos... Porque os dois não podem se respeitar e se deixar viver isso? Porque estar comprometido com alguém significa viver inevitavelmente sob o mesmo teto e sob mesma condição sem poder negociar nada? Porque a sociedade ou nossa família não acha correto ou louvável esta atitude?

E a gente continua vendo por aí afora pessoas vivendo infelizes, tristes e cheias de mágoas, mas juntas, até que a morte os separe – já que tudo isso não justifica a separação - porque alguém disse que Deus não quer o divórcio/separação. Porque ainda continuam a falar em nome de Deus para coisas que talvez no tempo que Deus escreveu este ou aquele livro ele nem tinha pensando que chegaríamos a isso?

Convenhamos, o mundo é sim o que sempre foi, mas e as pessoas, elas são as mesmas ainda? Claro que não. Tivemos boas e más influências nesse meio tempo. E aí eu me pergunto se Deus não se entristece vendo ou ouvindo tantos conselhos que nos dão, onde temos que passar por cima de tudo e qualquer coisa para manter uma relação que não tem mais para onde crescer. E não tem mais para onde crescer, não por falta de amor, mas por duas pessoas que se amam terem chegado num ponto onde os caminhos se cruzam em sentidos contrários. Será que quando um quer ir para o lado A e o outro para o lado B, Deus ainda assim ia dizer... “Não, continue meu filho, o mais forte vai dar o rumo e você deve seguir sem questionar!”. Será?

Será que Deus prefere o inferno instaurado dentro de uma casa, entre pais e filhos a separação do que não é melhor para todos daquele lugar? Os filhos têm que pagar a conta de um relacionamento dilacerado que vive à custa de não se desfazer para não ter que prestar contas a sociedade altamente hipócrita e sem nenhuma noção real do que é bem estar familiar? Matam-se no núcleo familiar, mas ainda tiram fotos juntos e sorrindo para que todos acreditem que esta tudo bem e não questionem os motivos disso ou daquilo. Acredito que não devemos pensar tanto nos outros, muito menos no que vamos dizer caso isso, ou caso aquilo. Quando falamos numa separação, o real motivo desta só cabe ser questionado ou entendido por aqueles que desta fazem parte.

Não estou aqui defendendo a separação e a dissolução da família, mas para se ter o privilégio de ser chamada FAMÍLIA, é preciso antes de tudo, de se ter respeito entre aqueles que fazem parte dela. Marido e mulher devem estar afinados, devem buscar um equilíbrio bom para todos, levando sempre em conta os desejos e vontades da maioria sempre que possível. Se for família, é coletivo e assim devem ser resolvidas as coisas, com todos envolvidos. Um não pode decidir por todos, pois nunca será a representação do desejo ou vontade da maioria, ainda que a decisão esteja cheia de boas intenções. Vivem sob o mesmo teto e partilham um cotidiano próximo, logo o diálogo deve ser base para tudo. Use a proximidade a seu favor para tomar a melhor decisão, a melhor escolha.
Eu sou a favor da construção diária do carinho, do afeto, da compreensão e tolerância entre todos. No entanto não se pode apenas exigir tolerância sempre sem fazer o mesmo pelos outros quando for necessário. Não se pode apenas ver e apontar os defeitos e falhas dos outros, mas em alguns momentos refletir sobre nossos próprios.
Sou a favor da não desistência no primeiro golpe de falta de compreensão ou daquele ataque inesperado. Sou a favor dos relacionamentos saudáveis, baseados na liberdade de expressão e da clareza de sentimentos e expectativas frente ao outro. Mas acima de tudo, sou a favor do equilíbrio, da igualdade de direito de escolhas e totalmente contra a opressão e a obrigação de se fazer isso ou aquilo apenas pelo outro ou para o outro.

Sou a favor de relacionamento de amor, de respeito e de diálogo que chegue ao entendimento pleno das expectativas um do outro. Amor, maturidade, respeito e o desejo de tudo de melhor para o outro, esse é meu lema, desde que este mostre claramente que é também o seu desejo, não em sua fala, mas em suas atitudes. A gente tem que amar quem nos ama, e não apenas aquele que se ama e se esquece de perguntar o que desejamos ou precisamos. O amor não pode estar em sentido contrário da realização de nossos desejos coletivos e pessoais... O amor sendo um sentimento natural, ele deve apenas acompanhar os nossos demais desejos e vontades, sem podar ou reprimir... Apenas amar.

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