segunda-feira, maio 23, 2011

Algumas Faces da Separação (by Rê Michelotti)

Ilustração de Lô Michelotti - Maio 2011

Sempre que entro em assuntos de separação, divórcio e afins, e que tem uma criança envolvida no meio, eu sempre, SEMPRE acabo de certa forma me estressando, chateando, incomodando e tudo mais de ruim que se puder imaginar.

Sei que existem pessoas civilizadas, que embora passem por um momento de rompimento familiar assim, conseguem não ser tomadas pelo sentimento de raiva e mágoas acumuladas ao longo de uma relação. No entanto, o que mais se observa ainda é a emoção se apossando do casal e estes ainda que com filhos, muitas vezes esquecem que os mesmos fazem parte desse rompimento também, mas com muito menos maturidade e nehum "dever" de se manter racionais - isso é para os pais.

Sei que às vezes não resta outra saída que não cada um seguir seu rumo, pois não se pode às vezes mudar as coisas entre um casal... Seja por imaturidade, seja por temperamento ou um simples comportamento que incomoda um ou outro, independente de ser algo que venha do homem ou da mulher. Se não há mais o que fazer para reconstruir um relacionamento e casal saudável... Ok, que venha a separação, que venha o divórcio, mas pelo amor de Deus, se há crianças ou adolescentes neste meio, que se tenha um pingo de noção, de que estes não querem outra coisa a não ser ver pai e mãe juntos. Não os cobre que entendam que o pai é um doido aventureiro, ou então que a mãe é uma desvairada ciumenta. Isso é entre o par e os filhos com o passar do tempo podem até entender como um motivo para separação, mas ainda assim se pudessem escolher, desejariam ver pai e mãe sempre juntos. Eu sei disso, pois vivi isso na pele quando meus pais não estavam juntos. E quem se arrisca a dizer que pai não faz falta, que mãe é que faz, se engana redondamente. Assim como a mãe, o pai faz falta sim, e muita.

Durante o relacionamento estável e amigável do casal, ambos partilham alegrias e tristezas desta relação e também de seus filhos. Partilham responsabilidades, sejam estas de ordem emocional, física ou financeira... Tudo como deve ser! Mas eis que a tal separação chega como algo inevitável e de repente, tudo muda de figura. Pai e mãe só sabem jogar toda e qualquer culpa um no outro, seja sobre culpas ou irresponsabilidades na relação propriamente dita do casal, seja em relação ao comprometimento e atenção aos filhos. Os dois nessa loucura frenética para culpar o mais rápido possível o outro, não se dão conta de que isso se configura numa tremenda tortura para seus filhos, que as vezes assistem isso tudo mais de perto do que seria bom para eles.

Passada essa fase dramática do rompimento e do stress de quem vai morar onde? Quem vai morar com quem? Quem vai pagar o quê? Quem vai ficar nos feriados com as crianças e quem vai ficar nas férias? E assim por diante... Entra-se inevitávelmente em outras infindáveis discussões. É impressionante como o ato de separar duas pessoas afasta mais do que fisicamente e emocionalmente filhos de pais e mães...Mas afasta a possibilidade de saber que tem e pode contar com os dois independente do final da historia dos pais.

O casal pode se separar e culpar ao outro o quanto quiserem pelo término de uma relação... No entanto,  jamais podem sacrificar seus filhos no meio disso tudo. Por muitas e muitas vezes entrei em discussão com várias pessoas por conta disso, e por isso estou aqui hoje escrevendo para desabafar, talvez para mim mesma!

Vejo mães que na impossibilidade de ficar com seu amor, usam os filhos para enlouquecer o ex-marido – estou me referindo aqui a ex-marido, mas leia-se apenas ex-amor, ex-namorado, ex-companheiro, ex-namorido  ou o que cada um achar mais conveniente para si. Isso é uma guerra sem fim, pois aí elas dificultam ao máximo a questão da visita dos filhos ao pai e vice-versa, como se isso afetasse apenas o ''ex''. No entanto, antes de mais nada, está afetando seu próprio filho. Quando não tenta minar as visitas e momentos de pais e filhos, algumas mãe atucanam a vida do ex pedindo dinheiro, dinheiro e dinheiro... O pai deve sim continuar sendo responsável financeiramente pelos filhos, mas o fato da mãe estar com eles não a libera do pagamento de suas contas também. Sei que educar um filho deve continuar sendo tarefa dos dois e manter um filho na linha, não deve mudar porque pai e mãe se separaram... Mas não só de dinheiro vive uma criança ou adolescente, é preciso bem mais do que isso. 

Por outro lado, os pais também fazem das suas... Acham que como se separaram da "fulana", ela não receberá mais nada, nem um centavo, pois senão vai usar para ela mesma ou ainda que vai usar para para quem sabe se arrumar para outros, o que o deixa maluco. Mas aí deixa também de ajudar seus filhos. Mais ainda, julga que tudo que acontece de não muito bom na vida do filho é sempre culpa da mãe, pois é com ela que o filho mora. Pensa que porque compra uma vez ou outra um livro, um tênis ou algo assim para o filho, está isento de pagar a pensão do mesmo... Ou ainda pior, porque estão com a pensão em dia, a mãe que se vire com algum gasto extra que por ventura possa existir. 

Conheço pessoas que pagam pensões absolutamente simbólicas, já que na prática não paga nem o que filho come durante um mês inteiro. Efim, aí entra também a consciência de cada um. Para os filhos parece não ter mais nada sobrando, mas para as mil viagens de final de semana, para o carro novo e mais tantas outras coisas, parece que tem uma árvore. E isso se aplica tanto ao pai que não cumpre, quanto a mãe, pois embora seja ainda minoria, existem sim muitos pais que na separação tomam conta de seus filhos... Nessa hora, nada da mãe se esquivar com a velha desculpa de ue o pai ganha melhor do que ela. O filho é dos dois, é preciso deixar o egoísmo de lado!!!

A guerra parece não acabar nunca, e os filhos continuam no meio do tiroteio, as vezes se quer com a chance de tentar se defender também. Uma separação pode acabar definitivamente com a relação de um casal, mas jamais deveria acabar com a relação entre pais e filhos, mães e filhos. Se temos filhos foi porque assim o desejamos, ou ao menos deveria ser... Logo, nós pais somos os primeiros a ter o dever de lutar pelo bem estar dos nossos filhos como prioridade máxima na nossa própria vida.

Sei que as relações entre homens e mulheres são complexas, e as vezes não se chega a um denominador comum e cada um deve seguir seu caminho até mesmo para o bem de todos, pois uma casa em conflito constante nenhum filho merece também. Ninguem pode dizer: "Fiquem juntos de qualquer jeito, é assim que tem que ser porque vocês tem filhos". Mas eu aqui, posso ao menos tentar uma reflexão com algumas pessoas, como alguém que viveu na prática um cotidiano de "filha sem pai"... Alertar para que sejamos mais tolerantes, mais compreensivos, mas que acima de tudo, seja lá o que venha acontecer com nossos relacionamentos, não nos esqueceremos,  que quando decidimos ter nossos filhos, foi algo pensado em conjunto e como um desejo realizado, temos que manter nossos filhotes protegidos das coisas que não foram suficientemente boas para alguns como casais.
Um relacionamento amoroso pode acabar, mas jamais a relação com nossos filhos, nosso comprometimento com eles, responsabilidades e tudo mais que assumimos quando os decidimos ter. Não interessa o quão dura ou quão fácil a vida ficou para um ou para outro após a separação, todos continuamos tendo o dever de dar prioridade aos filhos, que são sem dúvida o melhor amor que vida pode nos dar... A gente os escolhe, os recebemos e apenas devemos amá-los mais que tudo, só isso!

Um comentário:

  1. Olá querida !!!

    Maravilhosa a sua postagem !!!
    Ahhh se todos tivessem esta consciência... o mundo seria bem melhor e os adultos também !
    Como vejo situações onde os adultos é que parecem crianças, se envolvendo em picuinhas ridículas, guerras por motivos irrelevantes e é lógico, no meio do fogo cruzado das vaidades e interesses..lá estão os filhos...
    Meu pai deixou minha mãe aos meus 8 anos e sumiu, e hoje sei que me tornei uma adulta saudável porque em momento algum minha mãe sequer mencionou nada a respeito de forma agressiva, ela simplesmente se empenhou em me dar o dobro de amor e deixou que um dia, quando eu reencontrasse meu pai, eu agisse de acordo com meu coração sabendo da verdade. Ela sempre foi imparcial, sem jogar culpas ou fazer dramas e isso me ajudou muito !
    É muito difícil crescer sem um dos pais, por isso é importantíssimo que se tenha bom senso para não piorar a situação ainda mais com estas atitudes egoístas...
    Parabéns pelo post, incrível !!

    Um beijo

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