segunda-feira, setembro 05, 2011

Falta... (by Rê Michelotti)

Imgem: aquivo pessoal Rê Michelotti/2011

Queria ter o poder de deixar para trás o passado, enterrar as coisas ruins, esquecer os momentos difíceis e perdoar as pessoas que me magoaram, seja pelos excessos ou por suas omissões. Queria ter o poder de fazer tudo de novo, para de alguma forma tentar fazer melhor do que foi possível até aqui.

Queria ter tido uma família que fosse meu esteio, meu exemplo. Uma família que tivesse tido a competência de me dar à orientação do melhor rumo a seguir. Mas quando olho para trás, vejo uma família em pedaços, com pessoas tão desorientadas e perdidas como jamais alguém desejaria ver.

Se eu os culpo?! Não, apenas sinto falta de algo que nunca tive: base, sustentação, alicerce, ou seja lá o nome que se pode dar a isso. Quando penso na família – pai e mãe – vejo um homem e uma mulher lutando para encontrar o melhor caminho para suas vidas, mas antes disso, errando muito, sem rumo e desnorteados pelas suas escolhas iniciais.

As pessoas vivem em busca da felicidade, tranqüilidade e acima de tudo do equilíbrio. Infelizmente poucos encontram e com eles não foi diferente, pois ambos morreram sem realizar o que mais desejavam: se amar em paz. Um amor sem culpa, sem dor, sem mágoa, sem ressentimentos.

Acredito que todos os problemas pelos quais eles passaram e talvez por muitos que eu e tantas outras pessoas passemos hoje tem uma mesma origem: a falta. A falta de orientação, de apoio, de amparo. Essas faltas criam pessoas de certa forma frágeis, mas que teimam em criar uma casca para se proteger. Assim, quem as vê de fora não consegue perceber nada além da força, mas que é apenas uma máscara de proteção para não se mostrar ainda mais frágil do que se é.

Mas de alguma forma a vida vai ensinando a sermos um tanto mais fortes mesmo. Vai nos dando o rumo, ainda que aleatoriamente. E na luta diária se acredita estar indo bem, o que nem sempre vai além do nosso desejo, o que nem sempre é verdade.

Sucessões de falhas e faltas passadas de pai para filho ao longo de muitos anos e de algumas gerações. Volto à questão da culpa... Alguém tem culpa?! Penso que não! Na maioria das vezes não se pode e nem deve culpar alguém por algo assim. Se isso é uma sucessão de falhas e faltas que vem de longa data, não dá para dizer quem errou. E também que a questão fundamental não é quem errou, afinal não temos mais como mexer no passado. Ele aconteceu e isso é fato. Não podemos mudar o passado. Dizem que podemos sim é mudar o futuro, a partir do presente... Espero que seja verdade, pois não gostaria de repetir os mesmos erros. Eu acredito que possamos mudar o futuro... Eu só ainda não sei como.

Na vida encontramos facilmente quem nos aponte nossas falhas, nossos defeitos e tudo mais... Porém, voltamos à velha estória: criticar o que está feito é sempre mais fácil. Difícil é dizer como fazer diferente. Ninguém gosta de ser criticado, e isso é normal, afinal quando somos criticados, significa que estão apontando nossos defeitos e falhas. Comigo não é diferente, em especial se a crítica vem só com a descrição do que está errado. Como sabemos, dizer o que está errado é fácil, difícil mesmo é ter alguém comprometido o suficiente com a gente para além da crítica, apontar algumas possíveis saídas e as melhores formas de resolvermos as coisas.

As mudanças, os consertos, estes dependem de nós, não tem jeito Ninguém vai mudar nossa vida e transformá-la da noite para o dia para gente. Seria ótimo, mas não é assim... Mudar o que não desejamos isso sempre corre por nossa conta, mas claro, uma ajuda, um conselho, isso sempre cai bem.

Hoje a falta se faz presente. Sinto falta da minha mãe... Talvez não necessariamente da mãe que tive, mas da mãe que gostaria de ter tido. Uma mãe que me ouvisse, que pudesse escutar meus sonhos, meus desejos. Uma mãe com a qual eu pudesse partilhar meus segredos. Uma mãe que pudesse dar o melhor conselho. Hoje eu preciso de um conselho, de um bom conselho, pois não sei se estou no caminho certo ou não... Mas eu não preciso de qualquer conselho. Eu preciso de um conselho forte, que eu acredite nele de verdade; que eu me sinta segura para decidir o que devo fazer e faça.

Mãe, poderia ser você mesma... Do seu jeito, porque eu sei que suas faltas ou omissões não foram propositais, mas o que você conseguiu aprender com a vida. Sei que mesmo quando errou, foi tentando acertar e não vou te culpar... Queria ter podido contigo contar, não apenas para me ajudar... Mas especialmente para te ajudar. Eu quis tanto te fazer melhor... Não só pra mim, mas acima de tudo pra ti mesmo. Sinto sua falta, muita falta! Fica com Deus, é só isso que posso dizer agora!






















4 comentários:

  1. Anônimo6:09 PM

    Sei que meu comentario eh pobre de realidade pois nao posso dizer que vivi uma grande perda ateh esse momento em minha vida, entao falar algo serah certamente soh para elogiar esse teu belissimo texto que expoe profundos sentimentos que te tornam uma pessoa verdadeiramente humana e plena de sentimentos e emocoes, Bjus Al

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  2. Pensei que eu fosse a única a passar por este problema até ler seu blog.
    Família realmente é tudo em nossa vida, como vc falou é a base, a construção, o alicerce.
    A minha família infelizmente continua perdida. Prefiro me manter longe deles.
    Dou graças a Deus por não ter me tornado um deles.

    Hoje estou construindo a minha própria família e isso me deu uma enorme felicidade, talvez até maior do que uma pessoa que teve uma boa família.

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  3. Me identifiquei, principalmente com o segundo parágrafo! Parece que descreveu exatamente como eu vejo a minha família.
    Parabéns!!! É difícil falar sobre isso, é uma coisa muito profunda.

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  4. Anônimo10:47 PM

    Conseguisse escrever o que eu nunca consegui falar...

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