quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Tolerância (by Rê Michelotti)


Imagem disponível em: Google Image

Parece que a palavra tolerância vem perdendo o sentido para muitas pessoas. Tudo vira um jogo do tipo: Ou você joga do meu lado ou joga contra mim. Ou você acredita no mesmo que eu acredito ou não podemos nos relacionar. Onde fica a tolerância? E principalmente, onde fica o respeito pelo outro?

A cada dia, sinto as pessoas mais ansiosas e preocupadas em pertencer a um grupo, a uma classe, segmento, ou seja lá o que for. Acredito que isso tenha sua importância, de convivermos com outros e partilharmos nossas experiências num grupo de afinidades. Porém, em hipótese alguma, devemos nos isolar nesse grupo e nos tornarmos extremamente fechados ou até mesmo preconceituosos e intolerantes com demais... Com aqueles que nem sempre partilham das mesmas idéias, mas que nem por isso merecem menos respeito de nossa parte.

A vida vai tornando-se meio mecânica, segmentada: pessoas com quem eu só me relaciono no trabalho, muitas vezes porque sou obrigada. Pessoas com quem me relaciono na faculdade ou em cursos de formação ou qualificação profissional. O meu grupo de amigos maravilhosos, que eu adoro e que sem nos darmos conta, são na verdade estranhos amigos, porque deles só sabemos o lado bom de suas histórias. Porque deles, só recebemos elogios e sorrisos. Porque deles recebemos sempre aquela passadinha básica de mãozinha na cabeça e nunca um puxão de orelhas, que, é o que de fato vai nos dar a chance de nos conhecer e tentar melhorar, amadurecer e crescer enquanto pessoa.

Percebo amores infinitos por estranhos amigos e tanta intolerância para os mais próximos, para os familiares. Repito-me neste ponto: é muito mais fácil gostar de quem não conhecemos de verdade...  E este outro tão pouco nos conhece também. Mas é mais cômodo. Sem dúvida é, nem precisamos encarar nossos defeitos de frente, pois esse estranho amigo que acreditamos ser íntimo, no fundo só quer poder dizer e se fazer mais um amigo. As vezes mais um amigo de pura conveniência.

Difícil é gostar dos mais próximos, daqueles com quem convivemos junto todos os dias, que conhecemos cada defeito e sabemos apontar um por um sem esquecer nenhum. Difícil é ouvir a verdade daqueles que realmente gostam de nós e não nos falam ou criticam por mal, mas querem que nossos erros sejam pontos de partida para não voltar a cometê-los novamente. Em muitos momentos, não falar nada ou passar a mão na cabeça por simples pena de um momento ruim, é tirar a chance desta pessoa de ser melhor... Ou se tornar ainda melhor do que já é!

Para os estranhos amigos, gastamos o que não tempos, damos a atenção que nem sempre merecem, trazemos presentes... Afinal de contas, esses não nos perturbam nenhum pouco, sequer tenta nos ajudar... Eles só sabem nos elogiar.

Para os próximos, a nossa mais dura crítica, nossa intolerância sem medidas, nosso mal humor e mal estar. Afinal, eu o conheço tanto a ponto de saber de tantas de suas chatices, que nem vale a pena eu me dedicar a eles. As vezes parece que mais vale prestigiar os estanhos amigos do que os realmente próximos, e muitas vezes, os que realmente gostam da gente.

Não estou aqui dizendo que não existam amigos de verdade, tão pouco quero ser intolerante com aqueles que renegam suas famílias para viver num mundo diferente, onde só os amigos estranhos se encontram. Isso é opção de cada um. Mas o que é triste observar, é que tanta gente se perde nesse caminho... Valoriza demais quem não merece e sequer dá o mínimo de atenção a quem esta perto sempre, nas horas boas e nas horas ruins.

Tenho excelentes amigos, que me valem muito, mas muito mesmo... Que já fizeram por mim o que muitas pessoas da minha família não fariam por mim e nem por outra pessoa. Mas ainda acredito na força da família, na força do gostar uns dos outros. Nem todos os amigos são estranhos, mas nem toda família é ruim e ponto final. Precisamos pensar com nossa cabeça e coração e não apenas seguir o que a maioria parece pregar hoje: Família é sempre uma droga e só tem fofoca! Bom é ter amigos! Será que tudo se resume a isso mesmo?

Penso que podemos ter amigos do coração dos quais sempre teremos o maior orgulho e prazer de sua companhia. Mas acredito também, que podemos ter momentos maravilhosos junto da nossa família, daquela que nos une por laços de sangue. Um aqui ou outro ali tem suas neuroses... E quem não tem?! Sejamos mais tolerantes, apenas isso: Tolerantes! Vamos respeitar a individualidade de cada um, mas com tolerância, com respeito... Jamais deixando nos cegar pelas idéias de manada que só são reproduzidas sem nenhum questionamento. Ame seus amigos, tenha muitos amigos... Mas nem por isso esqueça da sua família!

4 comentários:

  1. Olá!

    Passando para desejar dias de paz nesse carnaval.

    Um abração.

    Antonio (Apon)

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  2. Olá Rê !!! Chegueiiiiii:)

    Concordo com suas colocações, primeiro porque realmente andamos muito intolerantes, ansiosas e agressivos, cada vez vejo crescendo mais o preconceito ao invés das pessoas usarem as diferenças para agregar, refletir, crescer... Isso é muito triste.
    Uma vez escrevi sobre a família, exatamente neste ponto, vejo alguns familiares meus fazendo de tudo pelos amigos, sorrindo o tempo todo, mas quando alguém do seu sangue precisa...viram as costas, sequer uma palavra de conforto dão...só querem nos oferecer seus sorrisos nas fotos de fim de ano, a fim de mostrar para os amigos como possuem uma bela família...
    Perfeito o que disse, para os próximos damos nosso mau humor e rispidez e para os amigos nosso melhor...e depois reclamamos da superficialidade das relações em que nos envolvemos...
    Se tivéssemos mais tolerância, paciência e generosidade, daríamos valor à família pois é nela que estão os maiores testes e a maior oportunidade de crescimento para nós mesmos.
    Muito boa sua reflexão, adorei !!

    Grande beijoooooooooo

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  3. Oi Rê,

    Vim parar aqui por causa do texto que está concorrendo no concurso do Município Mais.

    Li este texto e concordo. Tá faltando amigos conhecidos. Não sei, mas talvez o fênomeno das 'comunidades" na net ajudou um pouco esta coisa de só concordar com quem pensa que nem a gente.

    abração!

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    1. Olá "Pense Comigo"...
      Realmente, as redes sociais e comunidades na net as vezes são um tanto contraditórias, é preciso estar atendo para não virar mais um intolerante de plantão, não é mesmo?rs
      Obrigada por sua visita e volte sempre!
      Abraços...

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