quinta-feira, maio 03, 2012

Chuva (by Rê Michelotti)

Ilustração de Lorenzo Michelotti - 2012

Acordei no meio da noite com o som da chuva que caia sobre a caixa de fibra que protege o ar condicionado... Ainda que eu preferisse ouvir ela mais de pertinho, caindo no meu telhado e não apenas na caixa do ar... Foi uma delicia acordar e depois continuar dormindo com aquele som tão gostoso. Essa é uma desvantagem de se morar em apartamento, a chuva não faz o mesmo barulho, pois ouvimo-la mais distante um pouco... Ainda assim, adoro chuva!

E quando penso no quanto gosto da chuva, lembro da minha mãe que sempre que chovia ficava toda feliz e dizia: "coisa boa essa chuva, esse barulho, esse ar". Ela não se importava nem um pouco com um possível incomodo da chuva, nem quando tinha que sair para trabalhar ou resolver o que quer que fosse. Aprendi com ela a me encantar com a chuva. Eu não sei explicar ao certo, mas é uma sensação meio mágica... As gotas que escorrem na vidraça inspiram, o friozinho que ela traz acalma e a mente se aquieta de uma forma plena e agradável.

Gosto de chuva, tempestades, ventanias. Os raios e os trovões me causam um misto de medo e atração. É o perigo e a beleza do desafio. E o que dizer da neve? Às vezes me pergunto, porque gente que odeia mora em meio a tanta neve e eu que suspiro só de pensar ou ver nas cenas de filme moro num país tão tropical? Há pessoas que tem sonhos enormes que completam à tão repetida frase: "não quero morrer antes de...". Com toda certeza, ainda que já tenha visto neve de pequena intensidade, desejo mais... Quero sim poder deitar e rolar em meio à neve! Parece coisa de criança, mas é bem isso que quero! Eu não quero viajar para não sei onde, conhecer não sei quem... Eu só não quero morrer antes de ver a neve, muita de preferência.

As coisas da natureza me encantam de verdade. Encanta-me pela beleza, pela forma, pela força, pelo desafio. Encanta-me em especial, porque é forte... A natureza age e faz como quer! Eu gosto das coisas da natureza porque me identifico por meio delas... Como no poema de Clarice Lispector que acredito traduzir também meu pensamento e afinidade com a natureza: "Sou como você me vê. Posso ser leve como a brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar.” Eu, com certeza sou assim...

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