quarta-feira, junho 20, 2012

O Começo...


Fotografia - Rê Michelotti/2012


Considero o ser humano fantástico e me impressiono o quanto nossa interação com o outro pode ser intensamente transformadora. Nosso cotidiano é construído basicamente a partir dessa relação com outras pessoas, seja estudando, trabalhando ou na mera convivência familiar ou social. Esse meio no qual vivemos, os relacionamentos que desenvolvemos e as atitudes que decidimos tomar frente às divergências ou obstáculos advindos da interação é que vão delimitando nosso jeito de ser e viver. Desta forma, é preciso desenvolver boas relações, que nos permitam aprender com o outro, crescer, melhorar como pessoas e ter um cotidiano de equilíbrio com nós mesmos e com o outro. 

A partir dessa percepção pessoal, passei a observar mais, a refletir e questionar mais como cada pessoa reage frente as adversidades da vida nessas interações cotidianas... E isso acabava sempre me levando a um turbilhão de ideias e pensamentos que fervilhavam em minha mente, como quem procura uma resposta para tudo. Eu sou meio inquieta e se algo me toca ou intriga, eu quero saber por quê. 

E o que fazer com essa mente girando como ventilador? Onde buscar respostas e encontrar o caminho para o equilíbrio de nossas relações interpessoais que fazem o nosso cotidiano ser do jeito que é? Foi aí que alguém mais do que especial me sugeriu: “Porque não um blog? Já que você gosta de ler, escrever e tem mil assuntos para se divertir...”. Pensei, realmente pode ser uma boa ideia. Já conhecia alguns blogs como leitora e gostava da possibilidade de poder interagir e trocar ideias mais ativamente com outros. Mas mais que isso, organizar todas essas ideias e entender a mim mesma. Seria minha autoterapia por meio da escrita.

Como diz o escritor Rubem Alves: “ostra feliz não faz pérola” referindo-se ao fato de que somos tocados especialmente pelo que nos machuca, incomoda, irrita ou faz sofrer. Como ele descreve a maneira como a ostra faz nascer uma linda pérola... Que surge não mais do que de um grão de areia que se instala dentro da ostra e a machuca. A ostra por sua vez, no intuito de se livrar do incomodo do grão de areia, coloca-se a envolver por muitas vezes o grão até que não restem mais pontas para machucá-la... Transformando assim em uma verdadeira pérola.

Resumindo, nesse exemplo ele nos diz que é preciso que algo nos incomode para que se desencadeie o nosso processo criativo. É preciso estar tocado por algo para usar a imaginação e criar! Mas claro, não sejamos dramáticos... Rubem Alves nos ensina que “não é preciso ser sempre uma dor doída... Por vezes a dor aparece como uma coceira que tem o nome curiosidade”. Talvez  essa regra  não sirva para todos, pois há os que se inspiram mais quando estão felizes. Uns se inspiram mais com o sol, outros com a chuva, depende de cada um! Penso que sou como Rubem Alves, pois quando escrevo, também sinto que me livro da dor... Seja da dor doída ou da dor da curiosidade!

Assim, em agosto de 2006 publiquei meu primeiro texto. O primeiro a gente nunca esquece! Lembro-me entre outras coisas que foi difícil sair do terceiro parágrafo, pois sem o hábito constante de escrever, as ideias ficam meio presas. Mas como tudo na vida, é preciso praticar para a coisa fluir... E acredite, ela começa a fluir logo. E depois, o difícil é parar de escrever! Esse foi um aspecto positivo: Aprender a escrever, a me expressar e perder o medo de expor minhas ideias, sem medo de não agradar esse ou aquele. Opiniões são assim, pessoais e jamais vão agradar a todos... E é isso que faz cada um ser tão único, basta respeitar o jeito de ser e ver o mundo que cada um tem. 

Inicialmente eu não fazia muita questão de divulgar o blog, e só chegava até ele alguns amigos mais chegados. Porém, com o tempo mais pessoas acabam chegando meio que ao acaso e deixando algum comentário, mandando algum email para dizer o quanto havia se identificado com este ou aquele  texto ou para contar que já havia passado por uma situação parecida... Isso tudo foi só intensificando minha relação com o blog, o que foi mantendo ele ativo por todo esse tempo. O Blog que no início tinha textos também de outros autores que eu gostava, foram sendo gradualmente substituídos pelos de minha autoria, o que foi dando personalidade ao Spa de Ideias. Eventualmente publico ainda textos de outros autores que me identifico e acredito serem interessantes de serem lidos por mais pessoas.

Mais uma vez, foi a interação com o outro que me levou a manter esse hábito de escrever e ir desvendando alguns questionamentos meus, que acabam ajudando outros também. Tenho plena certeza que esta troca é o que nos faz crescer e amadurecer.

Desta forma, o que começou como autoterapia pra mim, transformou-se num lugar de interação e troca de experiências. Alguns visitam com frequência, outros eventualmente... Mas de um jeito ou de outro, sempre acabam voltando ao Spa de Ideias!

Espero que aqui seja mais um canal de comunicação, de compartilhar e trocar muitas experiências com os demais leitores do jornal Município Mais. Sejam todos muito bem vindos e sintam-se a vontade para comentar e dar sugestões nesse espaço que é nosso!

Rê Michelotti

Nota:
Caro leitor, você pode encontrar o conteúdo do Spa de Idéias também no site do Jornal  Município Mais em:
 http://www.municipiomais.com.br/site/opiniao/spa-de-ideias/o-comeco

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