terça-feira, julho 24, 2012

Que País é Esse?


Imagem: Google


Nasci, cresci, e o destino me levou a percorrer terras distantes e por aqui agora construímos nossa família, educamos nossos filhos e estamos criando raízes.

No início das minhas andanças por esse país moramos também em uma pequena cidade do oeste catarinense. Vivemos lá o tempo suficiente pra adquirir experiência e almejar algo mais. Resolvemos então sair em busca de outras oportunidades e mudamos para o interior de São Paulo.

Na hora da mudança foi preciso nos adequar a nova realidade, e entre essas adequações, tivemos que nos desfazer de grande parte de nossa mobília. Na antiga cidade os apartamentos eram alugados sem nenhuma mobília, já na nova a maioria deles já possuía cozinha e banheiros mobiliados, com armários embutidos nos quartos inclusive.

Como na antiga cidade não havia nenhuma loja de móveis usados para a qual pudéssemos oferecer o que não iríamos levar, partimos para o “plano B”: Oferecemos para amigos e colegas de trabalho. Sabe como é, n’é? Às vezes uma coisa não lhe serve mais, mas era justamente o que outra pessoa procurava.

O que em princípio parecia ser tarefa difícil acabou sendo resolvido bem rápido. Primeiro porque os móveis eram relativamente novos e todos bem conservados e outra, porque na época alguns amigos ainda estavam montando suas casas. Em uma semana os amigos e colegas deram seus lances e arremataram tudo que não levaríamos.

Parcelamos algumas coisas para amigos mais próximos, pois confiávamos neles. Recordo-me em especial de uma “amiga” que o filho iria casar e ela não parava de lamentar porque não tinha sido a primeira a ficar sabendo da venda dos móveis, pois ela ficaria com tudo. Embora não tenha mesmo ficado com tudo, ficou com grande parte do que estava à venda — para meu azar, e 
você logo entenderá por quê.

É bem isso que você está pensando! Ela não pagou tudo! Como ela havia ficado com várias coisas e eu a considerava uma “amiga” parcelei a compra que ela fez em seis vezes. Quantas dessas vezes ela me pagou? Duas!

Quando ela não depositou no terceiro mês, pensei que ela devia ter se apertado com o tal casório do filho e que logo estaria depositando, mas depois já se passavam dois meses e nada da terceira parcela. Resolvi ligar pra saber o que estava acontecendo.

Liguei a primeira vez e a mãe dela atendeu dizendo que ela não estava. Deixei recado para ela me retornar. Ela não me retornou! Nas semanas seguintes liguei de novo, o marido atendeu e disse que ela não estava. Deixei novamente o pedido que ela me retornasse. Ela mais uma vez não me retornou. Liguei uma terceira vez e a mesma desculpa se repetiu.

Naquela última desculpa eu percebi: Calote à vista... Esquece, nunca mais! Bem, se a coisa desandou, vamos deixar as meias palavras de lado e vamos direto ao ponto. Disse que estava ligando à dias porque queria receber o que ainda faltava dos móveis e se ela estava com dificuldades para acertar comigo que ao menos conversasse a respeito e que eu ia aguardar a ligação dela. Obviamente que neste ponto eu já tinha a total certeza de que ela ia sumir do mapa. E sumiu. Nunca mais deus as caras!

Acho uma vergonha o quanto as pessoas podem se “sujar” por pouco e jogar no lixo a amizade de uma pessoa (que fique claro, infelizmente entendi que apenas eu a considerava amiga, e isso não era recíproco). Lamentei muitas vezes pelo ocorrido, não pelo dinheiro em si, mas pela falta de consideração e respeito da pessoa.

Imagino que ela deve ter pensando algo do tipo: “eu não vou pagar, ela nem precisa desse dinheiro”. E religiosa como era, veja bem... Dizia-se extremamente religiosa, de ir à missa todo domingo, ainda deve ter completado o seu pensamento se acertando com Deus... “se ela não precisa, não vai fazer falta, se não faz falta, não é pecado!”.

Mas como meu marido sempre diz, tenho “memória de elefante” e uma vez ou outra remexo na caixinha de memórias. Ontem me lembrei desse fato e pensei que hoje com tanta tecnologia e tantas redes sociais não deveria ser difícil de encontrá-la. Fiquei até pensando num jeito irônico de abordá-la: “E aí Fulana, como vai $$?”. Acho que ela ia entender na hora! Desculpe, mas isso até soa engraçado agora!

Mas o mais engraçado foi o que eu descobri depois de algumas consultas na internet... Não a encontrei em nenhuma rede social. Vai ver ela já deu mais alguns calotes e tem medo de represálias virtuais, só pode! Mas eis que eu a encontrei num site de notícias da minha antiga cidadela... Pasmem amigos! Ela estava nas notícias ligadas à política. Ela vai concorrer à vereadora da cidade. Pode isso?!

Fiquei decepcionada mais uma vez com o jeito que estas candidaturas acontecem. Como pode uma pessoa com esse tipo de comportamento ter a responsabilidade de representar os interesses das pessoas de uma cidade. Se ela não pensou duas vezes antes de dar o calote em alguém que ela se dizia “amiga”, imagine do povo que ela não faz nem ideia quem são... O que mais ela vai fazer! É de doer na alma.

Eu poderia dizer que o calendário Maia está certo e o mundo vai realmente terminar esse ano... Mas não vai não! Não vai porque essa não é a primeira e nem será a última pessoa sem escrúpulos que busca entrar para a política, infelizmente.

É por essas e outras que o povo está cansado do que tem visto no mundo político e vem se desanimando dia a dia para fazer seu voto realmente valer. Esse desânimo político da população é lamentável, e não deveríamos jamais deixar acontecer, pois quanto mais nós cidadãos desistirmos de valorizar nosso direito de voto, nosso poder de decisão nas urnas, mais indivíduos “politicamente incorretos” terão oportunidade de entrar na vida política.

Sei que a sensação é de empobrecimento constante da política e de quem a faz, de que quase nada mais é para o povo e pelo povo... E talvez a gente se sinta impotente e fraco para acreditar que podemos mudar algo. E entregar os cargos de bandeja por acaso ajuda? Se cada um de nós, de voto em voto, fizer a sua parte, a gente pode começar a fazer a diferença sim. Faça valer a sua escolha! Cruzar os braços e dizer que nada adianta... Isso sim não resolve nada.

Nota: 
Este texto também encontra-se publicado no site do Jornal o Município. Acessem:

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