segunda-feira, novembro 05, 2012

[In] Feliz Por Nada


Crédito: Divulgação

Costumamos declarar mais nossa alegria, confessar sempre nossa felicidade. Não alcançarmos a felicidade full time parece pecado, um tipo de derrota pessoal que ninguém quer assumir.

Hoje eu poderia aqui descrever a infelicidade alheia da qual sou testemunha tantas vezes no cotidiano, mas hoje vou falar da minha própria infelicidade.

Eu confesso, vivo hoje uma infelicidade momentânea, mas que me deixou fora do centro e me fez chorar por sentir uma dor profunda que não sei da onde veio. Uma sensação de vazio tomou conta de mim. E que infelicidade contraditória!

Tem um livro da Martha Medeiros que se chama “Feliz por nada”, está aqui pra eu ler, mas o próprio título contraria o meu momento e fico hesitante... Afinal, sinto-me Infeliz por nada!

Numa certa entrevista, a cantora Sandy (sim, aquela da dupla Sandy & Júnior) disse que o mundo tem uma beleza triste. Concordo plenamente. Todos se esforçam para mostrar alegria, se dizem felizes, mas na prática seus olhos nos confessam outra coisa.

Temos medo da infelicidade e não gostamos de dividir com ninguém. Nosso desejo é sempre ultrapassar as barreiras da vida sem incomodar a ninguém com nossos próprios dramas. Ainda que pra isso nos isolemos.

Com o isolamento poupamos algum ou alguns de nossas chateações, mas isso não faz com que possamos sair desses momentos de infelicidade mais facilmente. Pelo contrário, isso faz o tempo parar e a gente sofre até mais.

Isolamos-nos muitas vezes porque não queremos ser julgados, não queremos ser taxados disso ou daquilo. Isolamos-nos porque não percebemos alguém capaz de nos entender, ouvir sem ficar querendo resolver a vida em nosso lugar. Isolamos-nos por que muitas vezes tudo que nos dizem é: “Mas o que mais você quer? Você já tem tudo!”. Muitas vezes TUDO que precisamos é alguém pra nos ouvir sinceramente.

Esses momentos que ficamos de farol baixo, perdemos a motivação e nos sentimos meio sem esperanças são normais e acontecem com muito mais frequência com todos do que pudemos imaginar.

Esses momentos de infelicidade são normais, mas nem por isso precisamos nos agarrar a eles. Pelo contrário, é preciso seguir em frente e os deixar pra traz. Por mais que o momento às vezes pareça tão down, intenso e infindável, ele passa. As vezs demora mais do que gostaríamos, mas passa!

Nem sempre sabemos de onde essa infelicidade vem. Tentamos encontrar uma explicação que justifique a dor, procuramos razões pra o desencadear dessas emoções tão tóxicas e no final, nada. Acabamos ainda sentindo-nos até culpados, pois parece mesmo que estamos tristes por nada!

Essa infelicidade momentânea causa uma dor no estômago, um aperto no peito, um nó na garganta, os olhos se enchem de lágrimas e a gente... Ah, gente tenta segurar. Tudo vai tomando outras proporções e vai ficando muito maior do que gostaríamos.

Pra cada dor um tratamento, pra cada pessoa um jeito. Mas pra todas elas uma saída comum: deixe rolar! Deixe que as lágrimas literalmente rolem. O estomago para de se contrair, o aperto do peito alivia e o nó na garganta se desfaz... Ainda que a dor não suma instantaneamente, ela ameniza muito. Permita-se sentir!

Essas infelicidades momentâneas lembram-me das situações de luto. A gente se segura, não quer se entregar, mas pra superar é preciso vivenciar a dor até o fim, até a última gota!

Depois... Bem, depois é retomar o fôlego e seguir em frente, porque o mundo não para até que a gente se sinta bem de novo.

Permita-se ser sempre mais e mais feliz, mas quando a dor bater e você se sentir infeliz por nada, permita-se também. Dê um tempo, pare, se isole, chore se for preciso... E depois volte renovado e mais forte que antes.

Nem tudo se explica ou justifica, ainda assim continua a acontecer em nossas vidas vez ou outra. Todo mundo quer colecionar mais momentos felizes nessa vida, e isso eu já disse tantas vezes, mas não podemos nos livrar definitivamente dos dissabores, dos momentos difíceis ou ruins... Continuamos assim transpondo cada barreira, vivendo um dia de cada vez, sem medo de ser feliz ou mesmo infeliz de vez em quando, se for o caso... A vida é assim, não tem jeito!

Prioridade de Atendimento é Lei

Crédito: Divulgação

Hoje enquanto aguardava o atendimento de um laboratório da cidade, tinha ao meu lado uma jovem mãe com seu filho ainda bebê no colo, aos prantos. A criança estava simplesmente desesperada, a mãe chateada com a situação e todos os demais visivelmente incomodados com o mal estar da criança. Incomodados na verdade por não saberem como ajudar. 

Não demorou muito para ela comentar comigo e com outra senhora que o bebê estava chorando de fome, pois estava em jejum para fazer um exame médico. Chorava na verdade porque já havia passado da hora dele mamar. Pensa na situação... Se para um adulto já é complicado, muitas vezes, um jejum prolongado para um exame, como é isso para um bebê que ainda não entende? 

Aí me perguntei, onde fica a prioridade de atendimento tão discutida e hoje feita lei? 

Questionei-me ainda por que nenhuma das atendentes por iniciativa própria deu prioridade à mãe para que aquele bebê fosse logo atendido e pudesse finalmente ter o direito de ser amamentado depois de tantas horas de jejum? Primeiramente, vejo isso como total falta de orientação de seus gestores/supervisores e, segundo, como falta de bom senso das próprias atendentes. Será que é tão complicado ver a necessidade de dar prioridade a uma mãe com um bebezinho no colo? 

A mãe poderia ter ido até lá e pedido isso, mas, muitas vezes, ainda que um direito, as pessoas se sentem pouco à vontade para exigir seus direitos, temendo talvez a reação negativa de alguns ignorantes que podem estar por perto. 

Digo isso porque eu mesma já passei por uma situação constrangedora nesse sentido. Na fila de um supermercado, quando meu filho tinha penas alguns meses, passei no caixa prioritário e um sujeito, que ignorava a extensão da lei do atendimento prioritário também às mães lactentes ou com filhos ao colo, me disse (aos gritos) que o caixa era para os idosos e não para mim. Tentei argumentar falando que também tinha direito, mas ele simplesmente ignorou e continuou repetindo a mesma conversa, como se eu estivesse totalmente errada! 

Logo, não havendo um balcão ou atendente específico para o atendimento prioritário, cabe às atendentes dos estabelecimentos observarem os casos específicos e fazerem cumprir a lei. Evitando assim maiores transtornos para quem tem o direito e mesmo assim precisa ficar horas aguardando uma senha ou em uma fila de atendimento. 

 A lei que trata sobre a prioridade de atendimento a idosos, deficientes e gestantes foi estabelecida no ano de 2000 (Lei 10.048 - 8/11/2000) e nos seus artigos primeiro e segundo estabelece o seguinte: 

Art. 1º. As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) 

 Art. 2º. As repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos estão obrigadas a dispensar atendimento prioritário, por meio de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado e atendimento imediato às pessoas a que se refere o art. 1°. 

 O atendimento prioritário pode não ser uma obrigação para uma empresa privada, porém certamente é uma questão de responsabilidade social que deve ser considerado por empresas comprometidas com o cidadão. Se você é gestor em uma empresa, oriente sua equipe para o cumprimento desta lei. Se você é funcionário e trabalha com atendimento ao público, preste atenção no que acontece a sua volta, use o bom senso e faça o atendimento prioritário ser uma regra e que essa lei se torne regra e não uma exceção em nossa cidade!

Nota: A lei 10048 citada no texto encontra-se disponível no site do Governo Federal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10048.htm